segunda-feira, 15 de abril de 2013

O resumo dos meus sentimentos de uma maneira racional


Sei que demorei muito para escrever algo que resumisse a minha estada em Israel. Essa foi uma das viagens e uma das experiências mais fascinantes que já tive em toda a minha vida.

Eu demorei por diversos motivos. Muitas vezes, vivenciando uma história e estando no meio dela, é difícil você conseguir fazer todas as considerações de maneira lógica e racional. Normalmente tendemos a pensar orientados pelo que o sentimento nos leva. Mas a conclusão de uma viagem é algo que deve ser feita de maneira fria. Os sentimentos podem ser muito bem usados nos momentos adequados, mas trazer uma opinião de uma experiência de seis meses, que marcou a tua vida, deve ser feita de maneira em que sua análise seja fidedigna a tudo que você viveu.

Diversos pensamentos surgem quando ponho minha cabeça em Israel. O primeiro de todos é a impressionante história de um povo, uma saga real que deve ser contada como uma Ilíada. É uma história incrível de perseverança. Eu sou fruto direto deste pensamento. Aqueles que me conhecem bem sabem que mais do que nada eu sou uma pessoa que acredita na repetição, no exercício, na insistência e no preparo. 

Se há uma característica deste povo ao qual pertenço e com a qual muito me identifico é esta: perseverança. A perseverança vem de diversos lugares, ela é facilmente encontrada em pessoas com fé religiosa, é muito mais fácil você seguir o seu caminho sabendo que há um plano traçado, que o destino do teu povo, e em última instância teu ou de teus descendentes, é garantido.

Há também a perseverança com base na crença de que há um senso de justiça global. Saber que as regras morais vão ser cumpridas no longo prazo te leva a crer no resultado honesto e justo. A humanidade, em seu caminho tortuoso, vem melhorando. A passos muito lentos, mas vem melhorando.

O segundo sentimento que eu acho que identifica muito o povo de Israel é a solidariedade. A preocupação entre todos os seus membros é fortíssima. Em Israel não se nota isso tanto, mas o sentimento existe. Nas cerimônias de lembrança pelos nossos irmãos que tombaram isso é muito marcado. Também na maneira como judeus de outras partes do mundo são recebidos em Israel, uma recepção no estilo latino, bastante calorosa.

Fora de Israel esse sentimento é conhecido e mais exacerbado. Ser minoria inevitavelmente te leva a buscar a proteção coletiva. Mas há um fator de identificação cultural. Pessoas afins se buscam, judeus, de um modo geral, têm muita coisa em comum. Sabemos que há diversas correntes de pensamento, mas há algumas coisas estruturais que compartilhamos.

O terceiro ponto que me vem a cabeça quando penso no povo judaico é a estima e consideração pelos estudos. É algo muito notado. Isso começa com a alfabetização obrigatória entre os meninos que precisam fazer o Bar Mitzvá, mas num mundo onde o acesso à informação era restrito, saber ler foi uma importante ferramenta. Ao longo dos anos, um povo inteiro que sabia ler, debater, pensar e repensar, fincou uma de nossas principais característica, o apreço pelo intelecto.

O resultado disso é a impressionante marca de prêmios Nobel que temos, pela quantidade de empresas geradoras de conhecimento e pelo número de laboratórios instalados no país. Há aqui uma combinação com o elemento de perseverança, em sua forma de coragem. 

Todos estes sentimentos foram reforçados em minha estadia em Israel. O orgulho de ser judeu que em mim sempre foi preponderante, foi reavivado e conheci diversas maneiras com as quais uma pessoa pode expressar seu judaísmo. 

Muitas vezes quando lá estava, cogitando a possibilidade de morar lá em definitivo, pensei em minha família e na distância entre os dois países. Esta possibilidade de saudade duradoura é derivada direta da união que o povo sente entre seus membros. Neste caso, em meu microcosmo familiar.

A estadia em Israel marcou-me profundamente. Vivi a história antiga e moderna de meu povo, em seu lar, conectei-me com judeus de diversas partes do mundo, refloresci meu apreço por fazer parte deste grupo e sigo forte e convicto de que Israel é o nosso porto seguro.

Sempre faz muito bem a uma pessoa reconectar-se às suas raízes. Eu tenho orgulho de fazer parte do povo judeu.