sábado, 26 de fevereiro de 2011

Jerusalém

Acordamos um pouco mais tarde do que o habitual, mas não tão tarde assim. As crianças estão acostumadas a acordar cedo todos os dias, ou seja, no único dia em que não têm de acordar cedo, acordam cedo. Eu por costume durmo pouco, indo dormir pouco antes de meia-noite, inevitavelmente até as 8 estou de pé. 

Porém, todos acordamos e ficamos a manhã enrolando, tomamos café um pouco mais tarde e por volta de meio-dia estávamos prontos para fazer o nosso passeio. O destino era Jerusalém, uma cidade que quando  visitei pela primeira vez tinha 16 anos. 

Eu me lembro bem que naquela vez em que passei por volta de 1 semana não vi o sol nenhum dia, mas lembro bem o impacto da aura da cidade em mim como judeu. Do ponto de vista religioso a cidade tinha me impressionado, tinha algo no ar que remetia à espiritualidade.

O caminho foi tranquilo até a cidade, na beira de estrada havia bastante vegetação, carros indo e vindo, a sensação de um dia plausível de se viajar. Quando nos aproximamos de Jerusalém resolvemos visitar o Monte Scopus antes. É nele que fica a universidade de Jerusalém e de lá temos uma bela vista da cidade. Porém, não pegamos a entrada que indicava o caminho para o monte, tivemos de refazer o caminho quando já na direção de Jerusalém. 

Não há problema com um GPS no carro, o grande problema foi que por acaso caímos numa área bem religiosa da cidade onde não víamos carro algum. Começamos a comentar sobre isso, vimos umas pessoas ou outras nos olhando de maneira estranha até que um camarada ameaçou jogar uma pedra na gente. 

O Flávio deu uma acelerada até que encontramos outros carros. O GPS não indica quando tem obras na estrada, e também não indica quando tem malucos no caminho. Algumas áreas da cidade ficam interditadas pela polícia para evitar que façamos exatamente o que fizemos, mas não era o caso deste caminho.

Após esse quase-incidente chegamos à entrada da cidade velha. Já bem mais movimentada, com vários turistas. Paramos o carro e fomos andando pelo bairro Armênio. O frio em relação à região de Tel Aviv é mais intenso em decorrência da altitude de Jerusalém, e além disso, ventava bastante por lá.

A cidade velha de Jerusalém tem uma aura antiga. Eu gosto de lugares assim. Caminhar por pequenas ruas me faz pensar em como surgiu a civilização, exatamente nesta região. Proteção contra animais, contra os outros, lugar para guardar víveres. Não parece nem um pouco diferente do que temos hoje, mas numa escala bem menor você pode viver isso de maneira intensa.


Entramos pelo Portão de Jaffa na região que é chamada de Bairro Armênio. Aliás, a cidade velha é dividida em quatro bairros. O Judeu, o Critão, o Armênio (Critão Ortodoxo) e o Árabe. No bairro armênio vi alguns cartazes onde os armênios pediam o reconhecimento do genocídio que alegam ter sido causado pelos turcos. É um ponto de atenção esse tema já que o assunto é recorrente na história política de Israel e dos judeus.

Caminhamos por parte do bairro Armênio até o bairro judeu. É lá onde fica o Muro das Lamentações, ou Muro Ocidental. Esse muro é o remanescente dos muros de proteção que circundavam o Templo. O local onde fica a mesquita de Omar é justamente onde estaria o Templo, daí tanta disputa por esse local. 

Apesar de uma vista linda, a sensação que tive não se aproxima nem um pouco do que foi há 13 anos atrás. Isso é reflexo de como nossa cabeça muda ao longo dos anos, de como os pensamentos variam e de como vamos nos transformando.


Além da mesquita de Omar que é a que tem a redoma de ouro, há também a mesquita de Al-Aksa, que tem a redoma de prata e ainda outra construção, com a cúpula branca. É uma visão bem legal. 


 

Dei uma volta pela área antes de entrar propriamente na região onde os religiosos rezam. Caminhei até o Muro, antes entrei numa sinagoga que fica à esquerda. Estava cheia mas não lotada. Gostei de ver pessoas de diferentes religiões caminhando por todos os lados.


Saímos com o objetivo de fazer algum trecho de caminhada perto das muralhas da cidade, conseguimos por um curto período. Depois entramos pela cidade por suas ruas estreitas para fazer um caminho diferente. Vimos um ritual de uma seita síria cristã e depois seguimos pelas ruas. Chegamos ao shuk (feira) árabe. O shuk é realizado numa rua estreita cheia de lojas que são muito coloridas exibindo diversos produtos bem diferentes. É uma sinestesía completa devido aos aromas e cores espalhados por todos os lados.



Assim encerramos o nosso passeio pela cidade velha de Jerusalém. Ainda não fui à mesquita alguma, vou tentar ir em uma próxima oportunidade.

Seguimos para um bairro ainda da municipalidade de Jerusalém mas um pouco mais afastado chamado En Kerem (ou Ein Kerem). O bairro é majoritariamente católico e cheio de igrejas nas montanhas, eu nunca tinha ido lá e gostei bastante.


Fomos comer num restaurante de massas que além de diversas massas, tinha sorvetes bem legais. Pedimos de entrada uma "Floresta de Cogumelos", saborosa mas em quantidade reduzida, e uma Foccacia de entrada. 


Eu comi um macarrão quatro queijos, que tinham queijos diferentes do que aqueles que encontramos no Brasil. No final, ao invés de tomar café, já que não sou chegado, tomei o Sahlab (lê-se Sarlab). É um preparado de leite que lembra um mingau, no qual ainda é adicionado uma essência de pétalas de rosa e com umas nozes por cima. Você mistura tudo e o gosto é bem interessante. Ele é servido numa caneca transparente.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Começando a entender o país

Um ponto que chama muito a atenção em Israel é a quantidade de gente de vários lugares. O país até hoje recebe muitos imigrantes de diversas nacionalidades. A primeira lei de Israel e que consolidou o Estado como um refúgio para os judeus é a lei de Retorno. Ela prevê que todo judeu de qualquer país do mundo pode se naturalizar israelense.

Como tudo na vida, isso tem pontos positivos e negativos. O primeiro problema que ela trouxe foi que diversos cidadãos de diversos lugares do mundo que não tem identificação com o judaísmo por não pertencerem à religião vieram para cá. A questão importante não é que eles não tenham o judaísmo como religião, mas sim que eles não tem a noção de cultura por trás do judaísmo e consequentemente com o povo. Eles conseguiram cidadania por algumas falhas no processo e acabaram parando por aqui.

Fora isso há também a contratação legal de mão-de-obra estrangeira. Já vi bastantes filipinas aqui que trabalham geralmente como acompanhantes e enfermeiras de idosos. Na construção civil há romenos e chineses também. 

O ponto positivo na minha opinião é ter trazido judeus de diversas origens o que torna o país interessantíssimo do ponto de vista cultural. Há judeus que vieram da Etiópia e não acreditavam que existissem judeus brancos ! Há judeus de todo o norte da África, há judeus da américa do sul (já encontrei com vários argentinos), russos também são muitos. Faz algum tempo eu li sobre judeus chineses que haviam imigrado. Imaginem tudo isso num país recém criado.   

O fato de os judeus terem sido perseguidos ao longo da história traz algumas dilemas morais incríveis. O Sudão atualmente passa por um grande problema de guerra civil. A parte norte de maioria muçulmana está em guerra com a parte sul de maioria cristã. 

Muitos sudaneses tentam vir ilegalmente para o país e há uma forte discussão do papel de Israel em receber os refugiados. Se por um lado Israel não tem nenhum ponto de contato seja físico ou cultural com os cidadãos sudaneses, há uma obrigação moral dos judeus de não deixarem que nenhum povo no mundo seja exterminado, já que passamos por isso diversas vezes. Esse lado solidário israelense é incrível e se reflete em outros lados da vida israelense.

Em Israel sexta pela manhã é uma espécie de sábado, porém, todas as crianças vão pra escola o que fazem com que eles estudem 5 dias e meio. Isso é bom por dois motivos: libera os pais para resolverem quaisquer problemas de compras, já que sexta pela manhã tudo está aberto e aumenta o tempo de aula dos alunos e sua preparação. Aqui em Israel, assim como no Brasil a educação é obrigatória, mas diferentemente, se os pais não põem as crianças da escola vão pra cadeia.

Isso pra mim significou que novamente acordamos cedo para levar as crianças à escola. O Flávio foi à academia e marcamos de nos encontrar na loja de telefone. Finalmente comprei o meu chip e já tenho um número aqui. Interessante é que os shoppings montam uma feira neles toda sexta onde são vendidos todos os tipos de produto. O instinto comercial está aflorado aqui. Várias comidas são vendidas, algumas bem bonitas.



Um cartaz me chamou a atenção. Era um chamado para a distribuição de novos kits de máscara e injeções contra ataques de arma biológica. A propaganda eram duas pessoas rindo felizes da vida por estarem com seus novos kits. Havia uma loja com caixas do kit e pessoas fazendo fila para conseguir seus kits. Vou ter de arrumar um desses.

O Flávio me explicou que toda vez que o exército faz essa distribuição ou substituição de kits começam a correr boatos de que haverá um ataque a algum possível alvo por parte de Israel. 


Outro ponto polêmico que está rolando por aqui é que o governo botou avisos na TV dizendo que um terremoto em Israel é questão de tempo e o anúncio pede para a população se informar e tomar as providências. Agora, isso significa que tudo que está construído deve ser reconstruído com sistemas anti-terremotos. Isso custa muito dinheiro e pode custar também muitas vidas se o país não estiver preparado. 

Depois do almoço fomos visitar uma espécie de instituição de amparo a crianças que têm problemas familiares. Era uma espécie de Kibutz (comunidade rural), com diversos alojamentos no qual cada um havia um grupo de crianças e um responsável. No nosso caso era um casal que morava ali mesmo.

No alojamento em que fomos está um menino que o Flávio e a Gabi fazem uma espécie de "adoção". Visitam-no com regularidade, ele vêm para a casa deles e há um grau de relacionamento. Lá jogamos bola, ficamos de papo com os meninos, visitamos os animais de uma espécie de fazendinha, e fizemos o cabalat shabbat (a cerimônia de recepção do sábado). 

A estrutura do local é muito legal. Fiquei pensando em dois pontos. O primeiro que é incrível que um país que tenha sido concebido para resolver diversos problemas conviva com esse tipo de problema. Não importa o quão nobre é a intenção, sempre há alguém que não a considera e vive de sua própria maneira gerando problemas.

A segunda é que Israel é um país pequeno e o governo dá amparo aos necessitados. Já o Brasil deve ter inúmeras crianças que passam por problemas semelhantes e não tem amparo algum do Estado. Há como ter ajuda, mas sabemos que por diversos problemas de corrupção não basta querer que uma idéia dê certo e dar dinheiro para que ela aconteça. Isso me deixa muito triste, porque pior do que não ter condições, é ter condições e desviar o caminho por falta de caráter.

Depois da visita ao orfanato, fomos a um restaurante bem famoso por aqui chamado Max Brenner. Ele é um restaurante especializado em chocolate! As crianças ficam loucas com isso. A decoração do restaurante é bem legal. Há dois tonéis de "chocolate" sendo mexidos na nossa frente, destes tonéis partem canos que distribuem o chocolate por algumas torneiras de onde o chocolate é retirado.


Comemos antes de pedir as sobremesas que eram as vedetes do restaurante. De sobremesa eu pedi uma banana split em cima de um waffle. As bananas eram caramelizadas, vinha também sorvete, algumas bolinhas de chocolate e calda de chocolate numa espécie de tudo de ensaio com a base triangular. As crianças pediram pizza de chocolate para a sobremesa e a Gabi e o Flávio um preparado de chocolate com biscoito e várias outras coisas. 


Chegando em casa fiz o famoso biscoitinho de queijo. As crianças me ajudaram a fazer os biscoitos e parece que também gostaram muito.


Depois disso ficamos procurando apartamento em Tel Aviv pela internet, vou tentar no domingo começar a visitar os apartamentos para já alugar algo. Quanto antes eu conseguir o apartamento, antes vou conseguir me concentrar nos estudos.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Tel Aviv, chegamos e vivemos !

Depois de dormir tão tarde, acordar não foi tarefa fácil. Mas as 8:30 eu já estava de pé. Nos arrumamos e fomos para Tel Aviv. O Flávio tirou o dia de folga e isso foi ótimo pra me ajudar no primeiro dia. 

Fui conferir o plano de saúde, o Ulpan (a escola de hebraico) e fui visitar o meu amigo Leo Chanea que mora aqui. O plano está um pouco caro e vou conferir o preço no Brasil. Na quinta já faço minha prova de nivelamento. Amanhã o Leo vai me ajudar a ver moradia.

Demos uma volta pelo porto de Tel Aviv e comemos num restaurante lá. O restaurante era Kosher, por acaso, e a comida era muito gostosa. O que o Brasil é exceção parece que aqui é regra. Comi uma sopa de lentilha de entrada e um ravioli de espinafre com molho branco e de cogumelo. 

Pude notar que o trânsito é caótico, nem todo mundo respeita a faixa de pedestres quando não tem sinal, eles metem o carro na frente dos outros, amam buzinar e discutir de dentro do carro. Estacionam o carro de qualquer maneira, mesmo quando as vagas são marcadas nos estacionamentos.


Achei isso uma piada pra um país que sofre por falta de espaço. Aliás, por ser tão pequeno, o que nós classificamos como bairro eles chamam de cidade. Na própria cidade do Flavio, Kfar Saba, há um ponto onde três cidades se encontram. A própria estação onde eu pego trem se chama HodHasharom, uma cidade colada em Kfar Saba.




No Ulpan conversamos com o segurança que falava cinco línguas, menos português é claro. Falei com a senhora da recepção que respondia a tudo de maneira seca. Que horas é o teste? 9h. E assim por diante. Achei engraçado quando ela falou thursday, eu escutei saturday tamanho o sotaque. Saindo de lá fomos visitar o Leo.

Aprendi um pouco do problema com vagas em Tel Aviv. O apartamento é numa avenida que parece que era pra ser uma Boulevard, uma pista pra cada direção, um canteiro central espaçoso com faixa pra biciclete e pedrestres e ainda alguns quiosques no meio. Porém, as pessoas estacionam carros nos dois lados da rua, e acaba sobrando apenas uma faixa para transitar.

Saindo do Leo voltamos pra casa e fui com o Flávio buscar as crianças. O esquema aqui é assim: O Rafa vai à escola de manhã, e a tarde segue para o clube onde faz diversas atividades como natação, futebol, luta e outras coisas. A Bel fica o dia inteiro na creche .

Pegamos primeiro o Rafa e depois a Bel. O que me impressinou mesmo foi que depois de ficarem o dia inteiro fazendo mil coisas, chegam em casa com pique pra brincar ainda. Não sei se é porque estou aqui ou se o Flávio e a Gabi estão dando muita comida que serve de energia pra eles ; )

Nesse dia montamos dois quebra-cabeças, jogamos videogame, pintamos, jantamos e tudo mais. E no dia seguinte eles fizeram tudo novamente, ou seja, eles são assim mesmo.


A noite normalmente não jantamos, fazemos lanche. Eu uso o hummus como se fosse manteiga. Passo em todo pão não importa o que eu vou usar como recheio depois. Se por um lado eu uso hummus pra tudo, o pessoal está se esbandando com suco de caju.


No dia seguinte acordei mais tarde e me preparei para ir A Tel Aviv. Fiz a agenda, mapas, botei a roupa pra lavar, tomei café e esperei o horário. Fui trocar dinheiro e andei até a estação. A preocupação com segurança se reflete em tudo aqui. Pra entrar na estação passei por um aparelho de raio-x. Estava em cima do laço e foi o tempo de entrar no trem e ele partir.

O trem tinha dois andares e ia anunciando as estações, o anúncio também era feito pelo sistema de som, e como era gravado, ficava tudo bem claro. Segui até a estação central de Tel Aviv e de lá peguei um ônibus até a casa do Leo.

Fomos almoçar perto da prefeitura, nos arredores da Praça Rabin, onde o mesmo foi assassinado. Comi o famoso schnitzel com batatas e salada. O schnitzel é uma espécie de empanado de frango processado. Voltamos para o apartamento andando e conversando.

Buscamos vários apartamentos na internet, o que me jogou diretamente na realidade de como a busca não vai ser simples. Antes de chegar a Tel Aviv eu imaginava que ia encontrar uma grande metrópole com prédios enormes, mas ela não é assim. O gabarito da região perto do Ulpan (a escola de hebraico), é bem baixo. Não acredito que haja restrições, acho que apenas é assim porque os prédios são antigos.

A falta de apartamentos reflete num preço excessivamente alto para o que é oferecido. É o mercado. Dados os altos preços para apartamentos individuais estou cogitando dividir o apartamento.

Voltei pra casa por volta de 17hs. O trem da volta não era o moderno e o anúncio era feito pelo próprio condutor. Como o trem estava cheio eu não conseguia ver em que estação eu estava. Grande parte das pessoas que estava no trem era do exército.


Já notei que essa questão do conflito com outros países interfere muito no cotidiano. Por exemplo, o nome da rua do apartamento do Flávio e da Gabi chama-se Sheshet HaIamim, ou Seis Dias, em referência à guerra de 67. E no mesmo dia que eu cheguei aconteceu um teste das sirenes da cidade. Os soldados estão por todas as partes. É incrível como são novos, são crianças de 18 anos.

Cheguei em casa perto das 18:30 e fiquei de papo com o Flávio e a Gabi. Conversamos sobre o fato de eu ter achado que Tel Aviv tem muitos prédios antigos, alguns em estado deplorável. Eles me lembraram, então, que o país é realmente muito novo. Começou praticamente sem recursos e com uma mentalidade comunista. As gerações antigas achavam uma afronta a ostentação de luxo. E isso está começando a mudar agora que os israelenses têm andado pelo mundo.

Faz sentido quando você pensa no contexto e somente nos 60 anos do país. Outro ponto que eles comentaram é que eles vêem tudo mundando por aqui. O caminho de trem desde Kfar Saba até Tel Aviv mudou muito segundo a Gabi. Antes não havia nada, agora eu vejo o caminho cheio de vegetação, é realmente incrível o que eles estão fazendo aqui.

Outro exemplo era de um cruzamento que eles sempre passavam, e sempre dava problema, engarrafamento, uma confusão tremenda. E depois de um tempo começaram obras de viaduto, tunel e resolveram o problema. De fato isso é muito empolgante. Imagina aquele cruzamento da Radial Oeste perto da alça pra São Cristóvão. Eu lembro de problemas ali desde que eu tenho 8 anos de idade, desde que eu ia pro TTH, e até hoje é uma zona.

Como o Flávio ia a academia tentei ir comprar um chip de telefone pré-pago com ele no shopping. O resumo é que não consegui comprar. Não há a cultura do pré-pago aqui, bem diferente do Brasil onde a maioria das pessoas utiliza esse tipo de celular. O chip ainda não estava no estoque e não pude comprar.

Depois que o Flávio voltou da academia fizemos o lanche. Hoje fiz o teste de nivelamento de hebraico e por isso ontem fui dormir cedo. Encontrei muita gente do exército indo pra Tel Aviv no trem e depois no ônibus. Ver inúmeras pessoas armadas com rifles apontando pra todos os lados, inclusive pra você, é perturbador. São todos os tipos de pessoas, raças, são homens e mulheres, algumas delas até usam maquiagem o que faz a cena mais estranha.

Porém prefiro que algumas pessoas que apesar de jovens tem boa instrução armadas (e com elas descarregadas) do que PMs no Rio com as armas carregadas andando com elas pra fora dos carros.

No ponto de ônibus vieram falar comigo em hebraico, em todo lugar que eu vou me confundem com alguém local. Hoje é quinta, o que aqui significa sexta-feira aqui, a semana é defasada de um dia, a semana começa no domingo, que em hebraico se chama Iom Rishon, ou primeiro dia, o que faz sentido né !

O que talvez me complique é o fato de não ter transporte público nem sexta nem sábado, isso vai ser um problema enorme, já que eu não tenho carro e vou querer fazer coisas nos finais de semana. Vamos ver como resolverei isso.

Fiz o teste de nivelamento hoje, fiquei feliz porque consegui ler o hebraico sem os pontinhos. No hebraico, as vogais são indicadas por pontos debaixo das letras, porém, pude perceber, isso é coisa de criança bem no início da alfabetização.

Foi bom ler e conseguir entender, e mais ainda, ser canhoto aqui é muito bom ! Escrevemos da direita para a esquerda e eu vejo as letras aparecendo! Quando terminei o teste, a mulher que nos aplicou falou que tudo que eu respondi acertei, bom quase tudo. Segunda tenho a aula pra ver se me sinto confortável.


Caminhando na volta encontrei algo que eu só poderia ver em Israel, uma loja de tapetes persas chamada Iran Carpets Bazar, na esquina da rua Ben Gurion. Depois de encontrar com o Leo fomos comer o Hummus Full. Fotinho abaixo.


Ontem tivemos uma interessante conversa acerca do animal peru. Qual o problema dele? Em português é um país (Peru) e um animal. Em inglês Turkey é peru e Turquia, agora encostem. Em hebraico o animal peru se chama hodu, e pasmem, Hodu em hebraico é Índia !

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Últimos suspiros de Paris

Hoje foi o último dia em Paris, apesar de ter gostado muito, estou bem ansioso pra chegar a Israel. Essa visita serviu como uma preparação para eu ir pra um país em que não falo a língua, e finalmente, vou poder aprendê-la. 

Acordei bem cedo hoje e arrumei a mala. Depois disso, pesquisei a visita às Catacumbas mas descobri que hojes eles estavam fechados. Uma pena, mas um motivo para voltar à cidade. Tendo em vista que não faria isso fui visitar à Galeria Lafayette. Ela tem um domo bem bonito e como já tinha visto tudo o que eu queria ver, fui conferir. 



Aproveitei e dei uma volta pela região da Ópera que fica do lado da galeria. O sol ameaçou sair e ficou indo e voltando durante toda a manhã. Depois de visitar a Ópera fui novamente às ilhas. Vi várias pinturas legais, mas depois que o Marco falou sobre uma reportagem em que essas pinturas são todas feitas à mão pelos chineses, achei que perdeu a graça e não comprei nenhuma.


Andei bastante por essa parte da cidade, até que cheguei na prefeitura. Aproveitei que só tinha visto à noite e olhei os detalhes do prédio. Dali fui ao Centro Pompidou, um prédio no qual toda a parte de infra-estrutura fica do lado de fora. Bem moderno, mas não é nem um pouco bonito e destoa bastante da cidade.



Fui almoçar com o Marco pra depois ir pro aeroporto.Comemos em outro restaurante típico francês, o meu prato era o famoso Ratatouille que acompanhava uma carne que não lembro agora o nome. O Marco comeu um "prato ao fogo", que era um pedaço de osso com tutano no meio que vem numa sopa, muito saboroso. 

A ida pro aeroporto foi cansativa. Várias escadas pra cima e pra baixo no metro, o trem ia direto, mas dois caras tocando acordeon passaram pelo lugar que eu estava, tive de mudar as malas de lugar. E depois, até chegar aos carrinhos no aeroporto outro parto.

Depois de todo esse processo veio a fila de check in. Já ali uma pessoa me fez algumas perguntas. Eu já esperava algum tipo de inspeção mais cuidadosa, mas eu não sabia o que estava por vir. Quando entrei na área de raio-x, tive de tirar o computador, todos os eletrônicos, o cinto, o tênis, os dois casacos tudo pra passar no raio-x. 

Só que não me avisaram tudo na mesma hora, fui e voltei algumas vezes. O agente me inspecionou o corpo duas vezes. Depois ainda fui pra outra bancada onde inspecionaram a mala mais uma vez, com uma espécie de haste que tinha um pano na ponta. Deve ter demorado uns 10 minutos. 

Eu fiquei pensando, imagine que isso aconteça em todos os voos do mundo, quanta gente deverá ser contratada. O voo durou 4 horas e meia. A janta servida não era boa, e não me fez bem. 

Depois de sair do voo, peguei outra grande fila na imigração. A vantagem é que minhas malas já estavam lá quando fui buscá-las. O Flávio estava la me esperando e fomos direto pra casa dele.

Fiquei impressionado com o tamanho da casa, tem mais que 100m2 com certeza, muito espaçosa. Na verdade é um apartamento. A Gabi estava nos esperando. Comemos e ficamos de papo até umas 3 da manhã, contando um mte de coisas engraçadas. Legal rever as pessoas e ainda ter muito papo.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Domingo pra ninguém botar defeito

Como o sistema de transporte aqui é integrado e completo ! Fiz tudo hoje de transporte público. As nove da manhã saí de casa para visitar o palácio de Versalhes. Peguei o metro e depois o trem para o palácio. Chegando lá vi várias pessoas orientando para a realização da visita, tudo bem organizado, filas organizadas, todos falavam 2 ou 3 línguas. Realmente muito legal uma cidade preparada para receber os turistas.


O trem demorou por volta de 40 minutos porque parava em várias estações, mas o trem era confortável e já nele eu vi uma quantidade enorme de turistas. Como saia uma visita guiada em espanhol logo assim que cheguei. Foi ótimo ! Em lugares tão extensos eu prefiro ser mais direto e ter a ajuda de um guia. A caminhada até o portão de entrada foi rápida, mas o vento aumentava a sensação de frio. E aumentava muito ! 

Chegando lá tivemos que esperar a guia entrar para buscar os ingressos, mas já do lado de fora do palácio deu pra perceber a opulência da construção. Uma grade de ouro cercava a entrada. E o vento não parava ! Logo entramos e começamos a ver a extravagância do rei Luís XIV. Aliás, se ele fosse do tráfico no Rio seria chamado de Luisinho Maluco. Luisinho pela estatura, maluco pelas manias dele. 

Gostava de ser chamado de Rei Sol, e acreditava ser o centro do universo. Em todo o castelo vi referências ao sol, à divindade romana do sol e assim por diante. Como tinham hábitos diferentes o pessoal de épocas passadas. Esse rei, por exemplo, saia do lugar onde dormia, para ir para um outro quarto no qual ele "acordava" com a corte o observando. Outro hábito curioso é o de as mulheres terem filhos com platéia ! Isso mesmo, com público assistindo. É cada loucura....


Fora a opulência de ouro e pinturas e detalhes no castelo, chama muito a atenção a Sala dos Espelhos. Pela explicação dada, os espelhos antigamente custavam muito, e ter mais de 300 deles numa sala era outro sinal de posse. Eu achei bem legal a visita ao palácio, acho que devemos ver isso mesmo do ponto de vista histórico. Mas em questão de gosto pessoal, eu gosto muito mais dos castelos medievais, rústicos.


Depois que terminou a visita guiada fui andando pelos jardins até o palácio de Maria Antonieta. Novamente peguei um frio incrível e vento. Fui andando. Esse palácio, ou Petit Trianon é bem mais normal do que o resto. Eu não diria normal, mas as dimensões dos cômodos parecem mais às dimensões de uma casa. Eu fiquei muito impressionado com uma sala de música que me lembrou muito uma sala que vi no palácio imperial de Petrópolis. 


Depois de todo esse passeio fui encontrar com o Marco na casa da namorada dele e comemos um belo almoço, achei muito bem elaborada. Acompanhando um vinho, sempre ! Depois desse belo almoço às 15hs da tarde, fomos à Sacre Coeur. 


Por fora achei muito interessante a construção, bem diferente do resto da cidade. Por dentro não vi nada demais. O entorno da região é muito legal, várias lojas vendendo doces e quadros. Uma praça que me lembrou vagamente o clima da feira de San Telmo tinham vários pintores mostrando sua arte. Alguns fazendo caricaturas, outros pintando retratos.


Demos uma volta pelo local e fomos para a Opera. Outra edificação bem legal. Seguimos para tomar um vinho dentro de um cinema e seguimos para jantar no Chez Papa. Como se come bem sem ser assaltado aqui. 


De entrada pedimos um Foie Gras feito de três maneiras dierentes. Todos eles passados na chapa, o primeiro mais adocicado e num pão que também era doce, o segundo com um sal um pouco mais grosso especial e o terceiro no vinagre (ou aceto balsâmico). Todos saborosíssimos, mas eu fico com o terceiro.


De pratos pedimos um pato confit, um peito de pato (que mais parece uma picanha) e uma salada típica da região. Acompanhando, como sempre, um vinho ! De sobremesa um doce estilo basco. 

Fato curioso aconteceu na festa de sábado. Conheci um camarada da Argélia que tinha morado no Rio e namorava uma brasileira. O português dele, apesar de ter sotaque, era muito bom e pude conversar bastante com ele. O camarada é muito gente fina e adorou ter conhecido um judeu que no ponto de vista dele era maneiro ! Fiquei feliz porque acho que essa é a melhor diplomacia que existe.

Amanhã já voo para Israel. Estou bem ansioso com tudo por lá, já que ainda há o que resolver. Esse é o real objetivo da viagem, e embora eu creio que vá conhecer vários lugares, a rotina vai ser mais controlada e os posts vão diminuir. Espero que diminua em quantidade mas não em impressões.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Sábado chuvoso

Acordei cedo hoje em relação a hora que fui dormir. Um camarada vinha limpar o apartamento depois da festa de ontem e eu fiquei encarregado de espera-lo. O camarada chegou por volta de nove da matina, e o detalhe é que ele é "do" Goiás, como se costuma dizer por lá ! 

Todo o processo de limpeza demorou bastante, e depois, ainda ficamos um bom tempo de papo no apartamento com os colocatários do Marco. Foi interessante esse papo, foi em francês, eu não entendi nada, mas é legal você tentar sacar o assunto e o jeito de expor. Foi como se eu estivesse num filme do Woody Allen, com personagens bem marcados. Aqui são 2 meninas e 2 caras, sendo um deles o Marco.

O outro camarada parece ter saído de um filme dos anos 60, com aquele óculos de armação maior, preta, com o cabelo por pentear, magrelo, muito característico. Das meninas apenas conheci uma, já que a outra não sai do quarto pra nada.

Depois de tudo isso, por volta de 14hs fomos almoçar num restaurante aqui perto, a promessa era a sobremesa. Comi um bolo de batata recheado de carne. Era bem gostoso, acompanhando uma saladinha. É incrível a apresentação visual de tudo. Mas o que impressionou mesmo foi a sobremesa, que era uma torta de limão com merengue em cima. Pro meu gosto, muito doce, mas o aspecto era lindo.


Dali fomos pro Museu D'Orsay, já que chovia. Pegamos uma fila bem grande e tomamos bastante chuva, mas ficamos de papo e foi bem legal. Passear com companhia fica bem agradável. Eu achei o museu muito legal, ver aquelas pinturas clássicas que só vemos em livro ao vivo é diferente. 


Já a construção do Museu é diferente, ele está instalado numa antiga estação de trem que é linda. O acervo do museu também era incrível. Tinha Van Gogh, Manet, Monet, muitos quadros eram bem legais. Sempre lotados de detalhes, vimos um muito interessante, que eram os soldados dormindo e em cima deles, como que no sonho, eles estavam batalhando. O sonho "acontecia" nas nuvens dando a indicação de que era uma tormenta chegando. Achei o simbolismo muito legal.


Outros quadros me chamaram a atenção, como um que era bem escuro, numa floresta e tinham 3 cerdos no quadro. Um fugindo e os outros dois lutando, sendo que um deles havia tomado uma chifrada e estava morrendo ou morto. Bem noir.



Do museu fomos direto pra um bar no meio de um parque, clima agradabilíssimo, boa cerveja e ótima comida. Comemos pasta de alcachofra, uma sopa de não sei o que era e um queijo acompanhado de geléia. Acompanhando um vinho rosé.

Resolvi voltar pra casa cedo já que amanhã vou visitar Versalhes. Parece que demora um pouco pra chegar lá, mas todos dizem que vale a pena. Vamos ver.

Turismo na essência

Um outro dia cheio. Eu, bom ansioso que sou, tento fazer o máximo que dá pra ser feito em um dia. Acordei por volta de 09:30 da matina. Se somar a falta de sono do dia do voo com ter chegado um pouco mais tarde ontem dá pra ver que eu precisava descansar.

Saí de casa por volta de 10:30 e fui direto para o As do Falafel (L'As du Falafel). Fica na Rue des Rosiers, que é uma rua lotada de lojas judaicas. Eu sempre gosto de visitar os redutos judaicos da Europa. Na loja já escutei hebraico e isso me lembrou o real objetivo da viagem. Como é bom ter objetivos traçados a cumprir, ter metas, eu me motivo muito com isso.


Caminhei bastante pelo bairro judeu caminhando para a Place des Vosges. Não achei que valia a pena entrar no museu e segui andando para o Quartier Latin, que é onde ficam algumas universidades.

Eu gostei muito dessa caminhada apesar do frio forte e vento piorando. Passei novamente pelo Sena e fui em busca do Pantheon. Novamente a construção é absurdamente grande e imponente. Ela ia ser uma igreja e virou um mausoléu para os personagens importantes da história da França.

Eu fiquei imaginando, será que se no Brasil tivesse isso algum dia a gente passaria de, não sei, umas 5 pessoas dignas de serem enterradas lá?

Gostei da forte conexão entre o Pantheon e a ciência. Logo de entrada o Pêndulo de Focault aparece. Esse é aquele experimento para provar que a ter de fato gira em relação a um referencial. Depois visitei os túmulos de Voltaire, Rousseau, Marie e Pierre Curie dentre outros.



Do Pantheón dei uma entrada na Escola de Direito que estava ali ao lado e depois fui procurar Sorbonne. Nessa não consegui entrar, tinha de ter um crachá ou identificação.


Peguei o metro e fui visitar a Torre Eiffel. Com o clima horroroso e nublado, resolvi não subir na torra. Mas novamente, o tamanho impressinou. Essa torre foi construída em 1889, enorme hoje, posso imaginar na época. Depois de passar por pontos turísticos mais famosos já senti a cidade mais cheia.


Segui para o Musée de L'Armée. Foi o que mais valeu a pena pagar até o momento. Aliás, como é ruim ficar velho e não ter entrada gratuita em nada, o problema é que pra ganhar entrada gratuita novamente eu tenho de ficar muito velho!


No museu eu visitei a Tumba de Napoleão, visitei o museu da Primeira Guerra Mundial, da Segunda Guerra Mundial, o museu Medieval e uma exposição da frança desde Luís XIV a Napoleão III

Ver tanta gente enterrada em lugares suntuosos me fez perceber como somos materialistas e ligamos pra honrarias. Depois de morrer, não é melhor ter sua obra passada adiante, no caso dos cientistas, suas descobertas, no caso dos filósofos, uma melhora de vida das pessoas?

O hábito dos franceses de fumar me impressionou. Eles fumam muito, em todos os cantos, a qualquer hora. Não vai chegar aqui aquela onda de tentar mostrar que o fumo não é algo bonito?!

Apesar disso acho que eles tem hábitos saudáveis, como andar de bicicleta pra cima e pra baixo na cidade. Vi inúmeros pontos que concentram bicicletas na cidade inteira. E parece funcionar muito bem.

Somado a esse hábito, a extensão das linhas de metro é fascinante. Segundo o Marco são 23 linhas. Eu já usei diversas vezes e pra vários cantos. Realmente ainda não vi engarrafamento algum na cidade.

Esses hábitos marcam muito a personalidade das pessoas. Imagina ser independente de um carro e poder contar com diversos meios de transporte público. Isso te deixa viver muito mais a cidade, é algo que eu realmente sinto falta no Rio.

Ainda sobre os hábitos de Paris, dei sorte de o Marco ter me avisado. As pessoas, sejam homens ou mulheres, novos ou velhos, te encaram na rua. Passam te olhando. Nas primeiras vezes eu achei que podiam ser conhecidos, mas logo notei que era todo mundo fazendo isso.

Já já vou tentar ir ao Palácio de Versalhes, chovendo é um desânimo fazer qualquer coisa.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Paris, chegada

O voo foi tranquilo, um dos meus temores era vir de Airbus, viemos de Boeing. A entrada no avião foi tranquila e a cadeira do meu lado ficou vazia. Assisti a dois filmes, Um parto de Viagem (Due Date) e A Rede Social (The social network). O segundo vale a pena ver, apesar de o primeiro ser bem engraçado.

No aeroporto andei bastante até chegar à imigração e depois mais ainda até as malas. O Marco estava lá me esperando. Pegamos um trem e depois o metro até a casa dele, com as malas subindo e descendo escada. Já cheguei no exercício!

A casa dele fica num prédio antigo. A escada em caracol e o elevador parece ser adaptado, já que é bem pequeno. Os quartos são amplos, a sala é muito boa, e o banheiro é separado. A ducha fica longa do vaso. Na verdade, em cômodos diferentes. Aqui a ducha não fica colada na parede, é aquele chuveiro que você tem de segurar com a mão, segundo ele, é um telefone.


Tomei um banho me vesti e fomos comer no bairro aqui perto, chamado Marrais, que é o bairro dos judeus. Comemos numa espécie de padaria bem bacana. Dividimos 2 sanduíches diferentes, um de salmão e outro de queijo, e um doce de framboesa feito a base de queijo.


Dali fomos andando até as ilhas centrais do Sena. Ali foi fundada a cidade, uma chama-se Ile de la Cite e a outra Ile St. Louis. A primeira é a mais interessante e tem mais coisas. O Marco foi trabalhar e eu comecei a andar sozinho.

O clima estava bem legal, com um sol de leve pela cidade. Pena que não durou o dia todo, e à medida que o tempo passava, ia ficando mais frio.

Na Ilê de la Cite, eu visitei a catedral de Notre Dame, que é bem bonita por dentro e a St. Chapele, que é uma capela cheia de vitrais que contam a história da religião católica. Bem interessante com o sol entrando.




Dali resolvi ir ao Museu do Louvre. Eu fiquei impressionado com o tamanho do museu, ainda pelo lado de fora. É uma construção absurdamente enorme. Impressionado não é a palavra, na verdade eu fiquei embasbacado.


Entrando no museu resolvi tirar o peso das minhas costas, isto é, fui logo ver a Mona Lisa pra depois ver as coisas que me interessam mais.

A área na qual a Mona Lisa está é interessantíssima, é a ala das pinturas italianas. Tem umas pinturas de tamanhos inacreditáveis, telas enormes, que não dá nem pra imaginar o trabalho que deve ter sido faze-las.

Rodei bastante pelo museu, vi esculturas gregas e romanas. Vi antiquidades da Mesopotâmia, incluindo o código de Hamurabi e figuras humanas mescladas com animais de origem assíria. Diversos itens egípcios, dentre eles sarcófagos, hieróglifos e escritos, esfinges e estátuas.




Depois de uma bela volta no museu, fui andar nos jardins de Tuiliers. Esse jardim me lembrou muito Washington, entre o congresso e o obelisco. Andei muito tanto lá quanto cá. Só parei de andar quando cheguei na praça da Concórdia.

Achei incrível que nessa praça haja um obelisco e em cima a ponta do tempo de Luxor. Não entendi ainda o sentido, mas está lá e se não é de ouro, a ponta é folheada.

A frente do obelisco está a Champs Elysées que leva ao Arco do Triunfo. Cansado de andar, resolvi pegar o metro e ir até lá. Saltei na estação e fui visitar o Arco do Triumfo. Perto do Arco vi um acidente e várias ambulâncias pelo local.

A cidade me pareceu vazia, apesar de ter visto muitos turistas. Talvez o frio tenha espantado as pessoas da rua. No fim da tarde a temperatura caiu muito.

Um hábito que me chamou a atenção é como o pessoal aqui fuma. Vivem com um cigarro na mão, até adolescentes se vê em grande número.

Hoje eu andei muito e meu almoço foi uma rosquinha antes de chegar em casa, por volta de 17hs. Fomos jantar num restaurante bem legal. De entrada pedimos Foie Gras, que não significa patê de fígado de ganso, mas sim fígado gordura ! E também um queijo camembert.

De prato um peito de pato com um molho incrível e batatas fritas e o Marco pediu um bife ao molho de mostarda. Ambos os pratos saborosíssimos. Acompanhando duas garrafas de vinho tinto e ainda na sobremesa pera com biscoitos em um copo e um doce de morango com creme de chantilli. Tudo incrível.