quinta-feira, 28 de julho de 2011

Akko e Tzfat

Como minha estadia está no fim, comecei a fazer algumas viagens bem legais. Na segunda de manhã saí de trem de Tel Aviv e após uma hora e meia cheguei à Akko (traduzido para Acre em diversos idiomas). 

Porto de Akko
A cidade tem 4.000 anos de história e um capítulo muito importante da história recente de Israel aconteceu lá.

A cidade sempre teve vocação para ser um porto seguro. Sua história começa com a história da civilização, teve presença Cananita, Fenícia, Hebréia, Grega, Romana, Árabe, dos Cruzados, Otomana, Britânica até fazer parte do Estado de Israel. É uma longa e rica história

Porém, um dos episódios recentes que mais chamou atenção ocorreu durante o mandato britânico. Durante este período, diversos grupos lutavam, de maneira distinta, pela independência. Os ingleses iam combatendo como podiam e prendiam diversas pessoas.

Dois grupos de cunho militar, o Irgun Tzva Leumi (Etzel - Organização Militar Nacional) e o Lohamei Heirut Israel (Lehi - Lutadores pela liberdade de Israel) tinham diversos soldados de suas fileiras detidos. Para tentar coibir os contínuos ataques realizados por estes grupos, a Inglaterra começou a divulgar que enforcaria os revoltosos, começando pelos que encontravam-se presos na prisão de Akko.

O Irgun achava isso um acinte, já que, segundo eles, os ingleses estavam em terra estrangeira matando seus cidadãos.

Por isso eles organizaram uma arrojada operação para invadir a prisão de Akko e resgatar os presos que lá estavam. Nessa época Menachem Begin era o líder da organização e autorizou a operação. O Irgun conseguiu invadir a prisão e resgatar vários prisioneiros. Alguns morreram na ação, outros que invadiram a prisão também morreram na ação.

Visão interior da prisão de Akko. Foi nessa quina que ocorreu a invasão pelo Irgun,

Porém essa operação teve um impacto fortíssimo no prestígio inglês. Foi anunciada no mundo inteiro e mostrou que os judeus não estavam dispostos a abrir mão da auto-soberania. Muitos afirmam que essa ação foi uma das que mostrou aos ingleses que eles não tinham controle da situação e tinham de negociar.

Visão da prisão de Akko, nestas salas estão as exibições.

Monumento em referência à invasão da prisão.
A forca utilizada pelos ingleses com o nome dos soldados judeus assassinados por eles.

Depois de visitar a prisão, fui visitar uma escavação incrível de um complexo do tempo dos cruzados, chamada de cidadela. Diferentemente de ruínas, há muita coisa bem conservada nesse complexo, inclusive com o teto, o que é raro nestes casos. Visitei diversos salões enormes e fiquei impressionado com o tamanho das construções e a altura delas.


Salão utilizado para banquetes pelos cruzados.

Trabalho de escavação sendo realizado dentro do complexo.
Depois de conhecer esse complexo fui visitar o shuk (feira) árabe. Como sempre, diversos temperos, pães, alimentos e tecidos. Comi num dos mais famosos restaurantes do país, chamado Said. Eles servem hummus, objeto de disputa nacional em busca do reconhecimento como melhor do país.

Shuk árabe de Akko.

O meu prato veio com dois tipos de hummus, um cremoso como de costume e outro com pedaços de grão-de-bico.Achei bom, mas ainda prefiri o de Abu Gosh, perto de Jerusalém. Muita gente diz que o melhor hummus é o de Akko, mas enfim, para decidir só provando os dois.


Hummus de Akko, na esquerda o hummus com grão-de-bico em pedaços. Na direita o tradicional.
Visão do restaurante. Nem sempre as pessoas que sentam na mesma mesa se conhecem.

Depois do almoço passeei pela região do porto, vi uma construção usada como mercado para exposição e venda de produtos, que tinha um grande relógio em cima, chamada de Khan el Umdan. Perto dali visitei uma pequena sinagoga também.

Pátio interno da construção utilizada para realizar os negócios com mercadorias provenientes de diversos locais do mundo.

Voltei para o início e visitei uma mesquita, chamada Al Jazzar. Achei muito bonita a mesquita, e me chamou a atenção que dentro dela não havia quase nenhum móvel. Bem diferente de uma sinagoga ou uma igreja. Eu vejo muito azul em mesquitas, não sei se há alguma simbologia nisso. Lembro também que na Hungria eu tinha visto uma sinagoga com o mesmo tom de azul, que achei bem bonito.

Interior da mesquita Al Jazzar.

Consegui ainda ter tempo de ver o banho turco. Gostei do que fizeram aqui, uma espécie de apresentação na qual você entra, vê um filme e segue para os outros salões do complexo para ver como funcionava o banho turco em outros tempos.

O meu planejamento era dormir em Haifa na casa do José nesse dia e no dia seguinte alugar um carro e seguir para Tzfat. Ao longo do dia tanto o Josh quanto o Yehuda me mandaram mensagens querendo verificar a possibiidade de dormir na casa do José para fazer o passeio no dia seguinte.

Eu já havia pedido para o Yehuda dormir na casa do José, mas o fiz um pouco reticente, já que conheço pouco o Yehuda. Mas o fiz e o José concordou. Porém, logo depois, o Josh me pediu o mesmo, e aí fiquei completamente sem graça de pedir isso.

Quando fui encontrar com o José no shopping, o Josh me ligou e tentamos achar algum albergue, ele perguntou se o José conhecia algum e no final da conversa, o José o convidou para dormir lá também.

O José tem um coração enorme ! Nos recebeu em sua casa, fez café pra gente, ajeitou lugar para todo mundo dormir. Incrível. E o outro roomate dele também foi muito legal nos acolhendo, emprestando colchão. Fica aqui o meu agradecimento ao José e à sua hospitalidade.

Como o Gabriel mora também em Haifa, combinei de jantar com ele. Fomos o José, o Yehuda e eu para o jantar. Ficamos de papo por um bom tempo e o encontro serviu para apresentar o José ao Gabriel. Ambos estudaram a mesma coisa na faculdade (eu também!) e moram na mesma cidade. É sempre bom introduzir amigos, se você é amigo de duas partes existe uma boa chance de elas se darem bem, apesar de isso não ser uma regra.

Depois do jantar fomos buscar o Josh na estação de trem, demos uma volta pelo calçadão, tomamos uma cerveja num bar e fomos para casa ver como iríamos dormir. Conseguimos arrumar espaço e lugar para todos na sala. Dormimos muito bem, com ar-condicionado. No dia seguinte alugamos um carro e pegamos a estrada para Tzfat.

Acabamos nos atrasando um pouco, e entre acordar, pegar o carro e cair na estrada, só conseguimos iniciar a viagem por volta de 12:00. O trajeto correu bem, viajar pelo norte é bem legal porque há muito verde, bem diferente, por exemplo, do que é o sul desértico.

Chegamos por volta de 13:00 em Tzfat e dentro da cidade demos diversas voltas até de fato encontrar o ponto de interesse. Começamos visitando o topo de uma montanha na qual os cruzados (novamente eles) construíram um forte. Já não havia resquício de forte algum. 


Viela em Tzfat.
Seguimos então para a cidade velha. Estacionamos o carro e seguims andando pelas vielas da cidade antiga. Passei por diversos locais que eu tinha a impressão de já ter estado antes. A cidade é conhecida por ser abrigo do judaísmo místico, a Kabala, e o sentimento parece se espalhar por você ao chegar na cidade. É inevitável. As lendas sobre grandes rabinos, diversas sinagogas e diversos locais ajudam a criar uma aura na cidade.

Eu confesso que me senti muito bem na cidade. Caminhamos por diversas ruas estreitas, vielas, vimos casas antigas e outras novas, não seguindo padrão algum de construção. No caminho para a colônia dos artistas, que é uma região em que muitos artistas se estabeleceram, passamos por uma sinagoga lindíssima chamada HaAri. 


Sinagoga HaAri, atrás, o HAron HaKodesh, local onde ficam os rolos de Torah.

Eu lembro muito bem dessa sinagoga, que visitei quando tinha 16 anos. É incrível como nossa memória não se esquece destas coisas. Eu havia me sentido muito feliz naquela ocasião e novamente me senti assim desta vez. Talvez por recordar daquela época e daquele sentimento que tive na época. Gostei muito do que senti.

De lá fomos comer uma espécie de sanduíche Iemenita. O sanduíche era feito com uma massa espessa de panqueca, no qual eram colocados diversos ingredientes em cima, tais como cogumelos, queijo de cabra, queijo de vaca e vegetais. Depois eles enrolavam a massa e faziam o tal sanduíche. 


Preparação da pizza Iemenita.

Faca meia-lua. Pedra para amassar o molho.
Bem perto dali, visitamos uma loja que vende divesos tipos de velas. É incrível o que eles fazem com cera, para demonstrar a habilidade, diversas esculturas estavam expostas. A loja, além de tudo, tinha um ar-condicionado incrível. Foi uma bela parada. 


Arca de Noé feita de cera de vela.

A principal rua da colônia dos artistas tem vários ateliês. Vi desde pinturas até uma fábrica de Talit (uma vestimenta que se usa nos serviços religiosos). Eu adoro estas pinturas e desenhos de temática religiosa, pena que não são tão baratos. Se ao menos fosse como os de Paris, feitos à mão pelos chineses!


Gostei dessa pintura.

Temas religiosos.

Yehuda (James Hetfield), eu e Josh.
Rua em Tzfat.
Seguimos nosso roteiro e fomos visitar Rosh Pina, um vilarejo perto de Tzfat que virou um pólo gastronômico. Não comemos em nenhum lugar, mas visitamos. Lá escutamos, num mirante, a história de um soldado israelense que foi morto na última guerra do Líbano, já pai de crianças e com 29 anos. Todo lugar em Israel vemos algo assim.

De Rosh Pina voltamos para Haifa para devolver o carro e pegar o trem para Tel Aviv. Viagem tranquila de volta. Aproveitamos o fim do dia e ainda conseguimos ir sair a noite. No caminho para o lugar para onde íamos, passamos pela Av. Rotschild, a mesma na qual rolou grande parte das atividades da Laila Lavan.

Só que dessa vez vimos muita gente reunida por outro motivo. Os protestos contra os preços dos aluguéis e imóveis continuam, e muita gente ainda estava acampada na praça. O número de barracas era enorme, espalhadas ao longo de toda a avenida. Muitas atividades estavam rolando: pessoas tocando violão, com aplificadores para um grupo de pessoas, outros praticavam Yoga, outros jogavam cartas.

O acampamento estava muito movimentado. Semana passada, num programa de humor que eu assisto pela internet, os atores fizeram uma esquete justamente brincando com o fato de muita gente estar lá apenas para tocar música com os amigos, ficar de farra. Eu na hora que vi o pessoal com o violão comecei a lembrar desse episódio do programa.

Em toda a minha vida no Brasil, a única coisa que eu me lembro de ver na qual as pessoas protestavam dessa maneira, foi quando alguns estudantes acamparam na reitoria da UFRJ. Agora, era um movimento estudantil localizado contra o reitor. Protesto dessa magnitude e espalhado por todo o país ainda não tinha visto.

Ainda tenho uma lista de lugares para visitar e pretendo fazer estas viagens já durante a semana. Vamos ver como armo o calendário.

domingo, 24 de julho de 2011

Conversas filosóficas num bar, um estudo raso sobre idiomas e um passeio por uma Jerusalém até então desconhecida

É muito comum escutar diversos idiomas sendo falados pelas ruas em Israel. Sempre que ando de van (aqui as vans são parte de um serviço especial das companhias de taxi que perfazem o mesmo itinerário de diversas linhas de ônibus), conto normalmente 4 idiomas. Sempre tem o motorista que fala hebraico, eu que falo português, e aí escutou pelo menos duas dessas: inglês, francês, russo, amárico(Etiópia), árabe, filipino, espanhol.

Porém, na última semana peguei uma van e escutei Yiddish. Foi a primeira vez que escutei yiddish aqui em Tel Aviv, apesar de saber que na comunidade religiosa isso é comum. A cena ao entrar na van foi a seguinte: Entrei e logo vi um senhor trajando vestes religiosas. Olhei um pouco atrás, e vi, no último banco, sua esposa e uma filha. 

Eles não estavam sentados juntos porque homens e mulheres não andam juntos no transporte coletivo. Vi que tinham 2 lugares ao lado das mulheres e um lugar vazio, individual, antes do último banco. Optei, por respeito, por sentar na frente. Mas fiquei pensando, e se os próximos 2 passageiros fossem homens, o que ele faria? 

Notei que o yiddish tem palavras em alemão, mas soa bem diferente do alemão. As palavras tem terminação menos acentuada e me pareceu que a língua fluía de maneira mais leve. Mas são apenas impressões, já que meu conhecimento de alemão se restringe a apenas 6 meses de curso. 

É muito comum os judeus religiosos (e com certeza os ultra-ortodoxos) não utilizarem o hebraico no dia-a-dia. Eles optam por outros idiomas pois consideram o hebraico sagrado e acham que ele somente deve ser utilizado nas orações.

Diz-se que há 5.000 anos atrás, a linguagem cotidiana dos judeus era o aramaico e não o hebraico, já sendo utilizado o primeiro idioma em pretensão ao segundo, pelo mesmo motivo. Ao longo da história dos judeus, diversos idiomas foram desenvolvidos. Por exemplo, o ladino, que foi desenvolvido na Espanha ou o Tatu, que surgiu nos montes Urais.

É interessante como ao longo de várias gerações, diversos idiomas foram desenvolvidos pelos judeus para se comunicarem. E o yiddish, que muitos consideram língua morta, está bem vivinha aqui em Israel em diversas comunidades religiosas.

Essa semana o Leo almoçou aqui em casa um dia, e em outro, eu almocei na casa dele. Aproveitando que ele tem televisão em casa, fui dar uma olhada nos canais que ele tem disponível. Há uma variedade enorme de canais, inclusive diversos estrangeiros, como canais da França, Alemanha, Suíça, EUA, Russia(esse com no mínimo 5 canais) e outros.

Mas o que mais me impressionou foi a seleção de canais do Oriente Médio, incluindo canais do Egito, Síria, Líbano, Jordânia, Marrocos, Tunísia, Arábia Saudita, Dubai, Irã e obviamente, também a Al Jazeera. 

Israel poderia escolher se isolar, mas é incrível como todos esses canais são oferecidos. Eu fico imaginando como uma companhia israelense conseguiu negociar com todos estes países o direito de transmissão.

O Mauricio gosta muito de notícias e política e conversa muito com israelenses sobre o tema. Por exemplo, ele fala que é sabido que a Arábia Saudita tem um comércio intenso com Israel, embora não admita. E mais, segundo ele, o Irã fica ameaçando Israel apenas para desviar a intenção do verdadeiro objetivo dele, exercer influência em todo o mundo árabe, com planos de atacar a Arábia Saudita, inclusive, se necessário.

Política é algo que a pessoa nascida no Oriente Médio faz com gosto. Difícil alguém não ter opinião sobre um assunto, difícil mesmo é alguém ter somente opinião aqui ! 

Na quinta encontrei com o Eliezer e o Rodrigo aqui em Tel Aviv. Eles vieram fazer o programa Marcha pela Vida, na qual um grupo sai do Rio e viaja até a Polônia onde visitam diversos campos de extermínio. Após a visita à Polônia eles visitam Israel. Acho que o roteiro é excelente porque vê que hoje há um porto seguro para todos os judeus do mundo que sofram qualquer tipo de perseguição.

Eu, Rodrigo e Eliezer. Apesar de feliz, não consegui sorrir na foto!

Ambos estudaram comigo no meu colégio primário (Talmud Torah Hertzlia), o Rodrigo na minha turma, o Eliezer em turmas antes de mim. Tive bastante contato com o Eliezer quando fizemos uma viagem para os EUA numa conferência de uma organização que frequentávamos.

Com o Rodrigo, eu bato papo sobre vida extra-terrestre e questões filosóficas desde que tenho 10 anos de idade. Lembro-me bem que sempre ficávamos debatendo esse tipo de coisa. Outra informação importantíssima sobre o Rodrigo, é que junto com outros dois amigos, vencemos o campeonato de futebol de recreio na escola. Era o time notadamente com menos habilidade da turma, era um time de operários.

Enquanto comíamos falafel e ainda nos acompanhava o Eliezer, falamos sobre um tema bem recente aqui em Israel, um protesto que se espalhou por todo o país. Um grupo grande de estudantes mobilizou muitas pessoas para protestarem contra os valores dos imóveis em Israel.

Esse é um problema sério no país. Nas cidades mais conhecidas, os preços dos imóveis sofrem aumentos sucessivos, por pressões vindas de diversos lados. Por exemplo, os estrangeiros que chegam com o câmbio valorizado em relação ao Shekel acabam pagando preços mais elevados impossibilitando que os locais comprem imóveis. E o mais absurdo dessa situação, é que muitos dos estrangeiros não moram aqui e nem alugam os imóveis, ficando eles inabitados.


Outro problema é que grande parte dos habitantes do país querem morar no centro. Locais como o deserto do Negev ao sul tem a densidade demográfica bem baixa em relação ao norte.

Eu acho que há uma série de medidas que o governo pode adotar para tentar melhorar as condições de mercado. Aumentar impostos para quem não mora no imóvel, exigir que os novos edifícios tenham uma quantidade mínima de apartamentos, com tamanho razoável, não permitir a compra pela mesma pessoa de diversos imóveis na mesma localidade, abrir uma licitação para projetos de novos edifícios em terrenos do governo, para pressionar a redução dos valores comercializados.

E oferecem uma infra-estrutura melhor para as cidades vizinhas aos grandes centros, fazendo com que as pessoas tenham opção de morar afastadas do centro mas com a possibilidade de alcançá-lo de maneira eficiente.


Voltando aos assuntos mirabolantes que discutimos desde nossos já distantes 10 anos de idade, retomamos a tradição, já sem o Elizer, mas na  companhia de inúmeras cervejas.

O Rodrigo me falou que anda lendo muito sobre psicologia. Eu acho curioso como tantos engenheiros acabam tendo interesse por outras áreas do conhecimento e acabam estudando outros assuntos.

Tenho amigos que se dedicam à sociologia, à antropologia e a outras áreas. Acho que faz parte da curiosidade humana, e também vejo como uma tentativa de flexibilizar o cérebro depois de anos de ciências exatas.

O Rodrigo me ingadou sobre o meu propósito em Israel e comentei sobre várias coisas que passam na minha cabeça. E ele me introduziu à teoria existencialista. Segundo ele, há 4 grandes problemas que angustiam o homem:

A existência é finita. Como a morte é certa, muitas pessoas tentam de alguma maneira fugir desse fato. Algumas profetizam a vida após a morte, outras se creem seres diferentes. De alguma maneira, todos tentam fugir dessa verdade. Outras trabalham muito para alongar o tempo aqui, ou a impressão de que fizeram muita coisa no tempo que tiveram.

A liberdade faz com que nós sejamos responsáveis pela nossa própria felicidade. Se somos responsáveis por nossa felicidade, não ser feliz implica em incompetência própria. Por isso, muitas pessoas preferem seguir líderes e terem suas vidas ditadas por alguma outra pessoa. Dessa  maneira, se você não é feliz, a culpa não é sua, mas de alguém que lhe impõe isso.

A vida precisa ter um propósito para valer a pena. Aí trabalhamos como loucos para fazer nosso tempo valer aqui, ou apenas trabalhamos, para que possamos pagar pela nossa estadia nesse mundo. Com a mesma saída, é possível administrar duas angústias. Outras pessoas se dedicam à religião como um guia de vida.

Filosofia no bar.
A vida é uma experiência individual. Nascemos sozinhos (se não somos gêmeos) e vamos morrer sozinhos (se não for num acidente coletivo), então todos têm medo de viver as próprias experiências e todos tentam sempre fazer tudo com outras pessoas ao redor.


Após uma breve análise, é fácil ver como todos ficamos angustiados com nossas escolhas. Somos os responsáveis pelo nosso futuro e basicamente é isso que eu vim fazer aqui em Israel. Olhar o meu futuro. Ver o que quero e o que devo fazer da minha vida e o que eu tenho como opção.

O Samy sempre me falou, você pensa muito, você tem muitas escolhas e fica na dúvida sempre. E é verdade. Qualquer um que se dê conta de que somos nós os responsáveis por como vamos viver, terá um peso grande nas costas.

Mas como eu não abdico da felicidade, vou tentar alcançá-la de qualquer maneira e não importa quantas vezes eu erre, ou o quanto isso me gere esforço, vou fazê-lo pois para mim não há alternativa a ser feliz.


Depois de toda essa conversa incrível, fui para a festa de um camarada do Ulpan. Ele comemorou numa antiga prisão. Eu já havia ido a este clube outra vez e não havia me ligado que aquilo era uma prisão. Eu achava que estava dentro de um edifício regular com uma área interna de respiração. De todos os modos, foi legal ter "descoberto" isso e aí sim curti o clube como devia fazê-lo.

Para fechar essa semana incrível, fui a Jerusalém com o Maurício. Fui a lugares que eu ainda não havia visitado, e apesar de ter visto lugares novos, ainda faltam lugares para visitar. Começamos o passeio indo à feira(shuk). O mercado de Jerusalém é muito variado, compramos uma burecas de café-da-manhã e fomos andando pelo shuk. Vimos religiosos fazendo as compras para o Shabbat, diversos turistas, e todo tipo de gente.

Frutas secas.

Temperos.

Vende-se de tudo lá, pães, peixes em conversa, vegetais, carne, derivados de leite, roupas, utensílios, frutas, grãos, especiarias. A feira é interessantíssima. Tem também vários restaurantes interessantes.

A jogatina rola solta no shuk iraki. O jogo em questão é gamão, bem popular no Oriente Médio.

Depois da feira, fomos visitar os bairros muçulmano e cristão da cidade antiga. Pelo bairro muçulmano vi muito do shuk árabe, eu ainda não havia entrado lá e não vi muito além do shuk.

A loja fica ao fundo, depois de uma escadaria.

O senhor em seu escritório, no final da escada.

Mas essa feira sim era a feira onde os árabes vão fazer as compras e tudo é mais barato lá.

Acho muito bonito estes trabalhos com vidro.
Xadrez.
Ainda no bairro árabe, andamos pelos telhados da cidade velha. Trata-se de um caminho que leva a uma Yeshiva(escola de estudos judaicos). É muito interessante ver a cidade antiga de cima, pelo teto dos bairros. Te dá uma outra perspectiva e te mostra a cidade de outros ângulos.

Caminhando pelos telhados da cidade velha.

Mesquita de Omar por outro ângulo. Daqui dá para ver os azuleijos que cobrem a esturtura.

No bairro católico entrei na igreja do Santo Sepúlcro. Eu fiquei impressionado com o tamanho dessa igreja. Ela tem diversos salões, em níveis distintos e cada um ornamentado de uma maneira diferente. É incrível como é tão irregular.

Fachada da igreja do Santo Sepúlcro.
Uma das diversas câmaras da igreja.
Outra câmara, num nível abaixo.
Passeamos depois pela igreja etíope, vimos uma igreja copta e passamos por diversas ruas interessantes.

Caminhando pelas ruas da parte católica da cidade, passamos também por tendas que vendiam artigos católicos. Vimos outras igrejas no caminho também. Eu já tinha feito esse caminho de noite, no festival das luzes. Mas de dia, tive outras perspectiva.

Igreja do Redentor.

Venda de artigos ligados ao cristianismo.
Passando entre os bairros, voltamos ao bairro judaico. Eu sempre vou ao Muro das Lamentações, quando estou em Jerusalém. Dessa vez foi a primeira vez que eu fui na sexta na cidade antiga. Sexta é o dia em que os muçulmanos se aglomeram para as preces, e percebi que a polícia fecha o caminho para a esplanada das mesquitas nesse dia. 

Enquanto nos aproximávamos da entrada, que fica bem perto da entrada para o Muro das Lamentações, um guarda começou a me avisar que não era para entrar, já que eu era judeu. Não sei como ele adivinhou, mas segui seu conselho.

Corredor que segue após o cardo romano no bairro judaico.
No corredor da foto acima há inúmeras lojas, uma delas tinha este quadro em exposição. Note que todas as pedras do Muro das Lamentações estão desenhadas por texto, provavelmente algum trecho de algum escrito sagrado.
O passeio terminou comendo num restaurante de comida caseira na qual comemos diversos vegetais recheados. Tinha de tudo e era bem saboroso.

Memulaim - recheados.
Meu tempo aqui é próximo a três semanas, o Ulpan terminou para mim nessa semana que passou e agora o planejado é começar a fazer algumas viagens.

domingo, 17 de julho de 2011

A luta pelo idioma

Como Israel é um país pequeno, há uma tendência de dividir os espaços urbanos em diversas cidades e não em diversos bairros como vemos no Brasil.
Na concepção de alguém que vem de uma cidade grande, num país grande, Tel Aviv é uma cidade pequena. Mesmo se levássemos em consideração todas as cidades ao redor, esta conurbação não me pareceria tampouco grande.

Se essa rua fosse minha?!?!
E ainda mais, visto que grande parte das atividades em Tel Aviv acontecem numa região reduzida, muita gente utiliza bicicletas e motos tipo scooter para andar por toda a cidade. As bicicletas muitas vezes tem um motor elétrico acoplado. E além disso, há uma terceira alternativa. Uma espécie de patinete também motorizado com base de madeira.

O ponto positivo é que todos são transportes que não emitem poluição. O ponto negativo é  falta de ciclovias ou similares para que os veículos andem pela cidade. Por este motivo, eles trafegam tanto pela rua quanto pela calçada. Na rua há um problema para eles, visto que a falta de respeito no trânsito é enorme e eles sofrem riscos. Quando andam pelas calçadas, transferem os riscos para os pedestres. 

Já falei muito disso no blog e andei conversando com vários israelenses. Todos são unânimes em dizer que isso é característica de Tel Aviv. O que não entendo é que não vejo esse lado mais apressado dos negócios nesta cidade, logo não compreendo a pressa eterna deles.

Esse site aqui mostra como toda bicicleta pode ser adaptada para funcionar mecanicamente e com motor elétrico: http://www.ecoride.co.il/en/
Já esse site fala sobre os tais patinetes motorizados: http://www.kooperscooter.com/

Outro fato curioso é que muita gente tem cachorro na cidade, e várias vezes vejo eles levando os cachorros em cima dos patinetes e das scooters. Eu acho tão curioso quanto perigoso para os bichanos.
 
Isso aqui é feijão enlatado, ou melhor, Tschulent. A base para a feijoada judaica, prato típico das famílias européias no Shabat. Eu consegui achar em lata, provei e recomendo.

Um ponto que eu acho muito interessante em Israel é a independência das mulheres. Obviamente numa sociedade com tanta gente diferente, de diversas religiões diferentes e mesmo dentro da religião, (cristãos aqui temos por alto: católicos apostólicos romanos, ortodoxos armênio, grego e russo, copta sírio e por aí vai; temos diversos sabores de judaísmo e sobre os muçulmanos não sei o que são aqui. Além disso ainda temos os Bahai) com diversos sabores, é muito difícil generalizar qualquer conceito.

Aqui em Tel Aviv vejo mulheres tendo uma vida verdadeiramente independente. Elas dirigem motos por todos os lados, já vi muitas policiais mulheres e até entregadora de pizza. Isso é algo bem marcante, pelo menos aqui na cidade. Eu acho muito interessante a independência das mulheres, elas vão atrás do que querem e não esperam por ninguém dando as orientações.

Banco Central de Israel, em Jerusalém. O presidente atual é Stanley Fischer, um americano que fez Aliyah justamente para ser o presidente do Banco.
Se tem uma coisa que eu adoro em Israel é o humor relacionado a religião. Por exemplo, quando os judeus saíram do Egito, a última praga que se abateu sobre os egípcios foi a Morte dos Primogênitos, ou em tradução literal do hebraico, Praga dos Primogênitos (Makat Bechorot - lê-se berrorot).

Então, muitas vezes quando o filho mais velho da família é muito bagunceiro ou traz muitos problemas, eles se referem a isso como Makat Bechorot. Para quem a vida inteiro usou a conotação do nome com uma praga, escutar isso como denominação para esse tipo de comportamento é muito engraçado.

ACM em Jerusalém.

Outro ponto que não sai da cabeça de quem começa a morar num novo país é o idioma. Toda hora surge uma oportunidade de uso, de comparação, a necessidade de uma explicação, o entendimento da maneira de usar. E também sempre nos perguntamos se somos fluentes, e o quanto somos fluentes.

Há várias maneiras de medir a fluência numa língua e não há um consenso sobre o assunto. Eu sempre achei que um bom parâmetro era discutir e argumentar no idioma. Uma pessoa que sob pressão consegue formular idéias contra um ponto que discorda, está abrindo mão da precisão da língua materna para tomar parte no debate e estabelecer seu ponto de vista.

Outro fator que acho também muito interessante é sonhar no idioma. Na semana passada tivemos uma aula com música e a música justamente falava sobre um imigrante que fazia tudo em hebraico, mas seguia sonhando em espanhol.

Eu, quando morei na Argentina, sonhava várias vezes em espanhol, tinha discussões nos sonhos em espanhol (e claro, também na vida cotidiana!) e embora achasse esse um fator também de fluência na língua, achava mais que tinha que ver com a influência de tudo o que você escutava durante o dia.

Agora, acho que a maior prova de fluência em uma língua é contar nessa língua. Nunca contei em nenhuma outra língua que não fosse em português. Não digo contar as pessoas em voz alta ou falar os números. Digo fazer contas num mercado, na hora de pagar, ou na hora de conferir o troco. Isso, para mim, é impossível fazer em outra língua.

Diferentemente do Brasil, as pessoas aqui começam a trabalhar muito cedo. É cultura do país que as pessoas queiram já fazer seu dinheiro, e como o exército começa para todos quando eles tem 18 anos, eles já sabem o que é trabalhar desde cedo. Isso traz um senso de responsabilidade muito legal e o israelense adquire experiência logo.

Talvez esse seja um fator bem importante para eles serem destemidos ao abrir novos negócios ou tentar novos caminhos. Agora, como todos começam cedo e normalmente sem grande instrução nos negócios, muitos deles têm um ar não-profissional. As lojas tem normalmente uma ou duas pessoas atendendo (aliás, como há uma falta de pessoas no país e a mão-de-obra é cara, todos os lugares parecem ter menos atendentes do que o necessário), isso faz com que o mesmo camarada que prepara o sanduíche seja o caixa. Ou seja, ele manipula o alimento e o dinheiro sem o menor ressentimento. Até agora só vi um prédio com porteiro, pelo mesmo motivo da escassez de pessoas.

Nessa semana vi algo bem parecido ao que sempre vi em todas as festas organizadas pelo meu colégio. A completa falta de respeito com os alunos. Eu me lembro bem que era difícil algum evento organizado pelo colégio começar com menos de 2 horas de atraso. Não foi isso o que aconteceu no Ulpan, mas a falta de profissionalismo passou perto.

Na semana passada fomos avisados de que nossa professora não poderia seguir com as aulas. A professora é o que faz uma aula boa, impõe o ritmo e de acordo com a intimidade dela com a turma, pode exigir mais e cobrar mais deveres de casa. 

A diretora entrou em sala e nos comunicou que o ministério da educação havia pedido que ela e outra professora deixassem o curso durante o verão para ministrar classes num projeto novo na universidade de Tel Aviv para imigrantes que entrariam na universidade. Do ponto de vista profissional das professoras, esta é uma oportunidade incrível. Porém, não me pareceu sequer razoável que se mudem as regras no meio do jogo.

A primeira mudança foi que a professora não seguiria dando-nos classes e segundo que teríamos um dia a menos de aula por semana. Ambas as medidas modificam exatamente o que eu contratei: Aula com determinada professora,  5 vezes por semana. Essa falta de profissionalismo que afeta o cara que faz o sanduíche, também afeta as aulas no Ulpan.

No sábado fui assitir ao primeiro jogo do Brasil em um quiosque, por falta de opção. Imaginem o que é assistir a um jogo de futebol, numa televisão de 20 polegadas, dentro de um quisoque, com diversos imigrantes ilegais do lado. Eu diria, educadamente, que foi uma experiência antropológica. 

Era impossível prestar atenção por mais de 5 minutos seguidos. Todos berrando, só querendo saber da farra. Ali vi uma coisa curiosa e fiquei me perguntando o que gerava aqui.lo Tinham vários brasileiros, notadamente sem a mesma instrução que os imigrantes legais, com namoradas israelenses. 

Eu fiquei me perguntando se aquilo era algo determinado pela cultura israelense onde as diferenças socio-econômicas não influenciam tanto a inserção das pessoas nos grupos. Mas depois de pensar, acho que a língua funciona como uma barreira para esclarecer a situação. Não ter o domínio do idioma, faz com que conversas mais profundas não existam. E assim, o convívio é leve e harmonioso. Talvez essa seja a solução para brigas em casais do mesmo idiomas, não discutir nenhum assunto relevante.

Um fator que me chamou muito a atenção aqui é como diferentes cidades do mundo lidam com a mudança de estações. Até eu ter ido morar em outras cidades, eu nunca havia percebido uma mudança grande de vida entre verão e inverno. No Rio eu sempre fui à praia o ano todo, saía o ano todo, a única coisa que marcavam as estações eram as férias e os festivais.

Mas em cidades com a mudança de estações vemos coisas bem mais marcadas. Por exemplo. o verão em Curitiba é vazio, já que todos descem para as praias, no inverno a cidade é mais cheia, apesar do frio. Em Buenos Aires, a vida social não cessa no inverno, no verão parece que muita gente viaja, e há muita coisa que acontece próxima às cidades de veraneio.

Aqui em Tel Aviv notei que há muito mais gente na rua no verão, e muito mais atividades ao ar livre, como era de se esperar. Desde que começou o verão, parece que não há um fim de semana sem alguma coisa interessante para fazer. Nesta quinta-feira fomos assistir a uma ópera ao ar livre. Eu estimo que haviam pelo menos 30.000 pessoas assistindo ao espetáculo.

Ópera ao ar livre com os prédios de Tel Aviv ao fundo.
A obra foi A flauta mágica, de Mozart, se alguém não conhece a obra pelo nome, vão lembrar do Edson Cordeiro cantando aquela música junto com a Cássia Eller. Todo mundo tentou ao menos uma vez reproduzir aquelas notas bem difíceis. Fora esse fato curioso para brasileiros, outro fato que eu achei interessante foi a peça ter sido apresentada em alemão, o que representa muito por toda a carga histórica.


Outra coisa legal que fazem aqui é que vários bares perto da praia armam um grande espaço. Fui a um lugar chamado Clara, um espaço aberto enorme, com vários sofás, bares, a noite funciona como boite, de dia também, mas num estilo diferente, com piscina, escorrega, touro mecânico. O clima é bem legal e as comidas que servem são típicas de verão, como por exemplo, a melancia servida com queijo bulgarit (estilo búlgaro).

Na sexta passei o shabat na casa dos pais da Keren. Eles moram perto de Jerusalém e fomos
eu, a Keren e o marido dela. Os pais dela são imigantes do Marrocos e o jantar foi tipicamente marroquino. De entrada comemos peixe,  o tempero vinha do recheio que ficava dentro, com amêndoas e outras ervas. Depois veio um frango recehado com arroz, trigo e diversas outras coisas. 

É muito interessante essa forma de fazer os pratos, fica com um gosto bem diferente do que estamos acostumados a comer. Na mesa, acompanhando isso tudo, diversas saladas. Gostei muito de uma com tomates que era apimentada. Parece que estava num suco de limão. 

Tomamos o vinho que o próprio pai da Keren faz num vinhedo próximo a casa deles. Aliás, a casa era bem diferente. Era um prédio que você entrava e tinha um pátio central em desnível. A casa dos pais da Keren ficava no platô inferior, e tinha dois andares. Achei muito legal o conceito, bem diferente do que estamos acostumados.

Consegui entender parte das conversas à mesa, uma delas, bastante curiosa, foi o fato de os pais da Keren terem sido considerados sobreviventes do holocausto. Isso, porque eles moravam no Marrocos este era protetorado da França, que havia sido dominada em parte pelos nazistas. 

Aproveitando o sábado, Mauricio e eu fomos ao museu de ciências de Israel. O museu é bem legal para as crianças, muito interativo. Mas o motivo que nos levou ao museu foi a exposição de invenções israelenses.

"Ciência, essa é toda a história".

Tem várias invenções bem legais, como por exemplo, a memória EPROM, utilizada em todos os computadores do mundo hoje em dia. Eu queria ver alguém defeder um boicote sério contra Israel e deixar de usar equipamentos eletrônicos que utilizassem a EPROM.

EPROM, componente básico de diversos dispositivos eletrônicos modernos.

Outras invenções que me chamaram muito a atenção foi o Pen Drive(San Disk), a trava MUL-T-LOCK, o Kinect(sistema que a Microsoft usa) e também a empresa Better Place, que pretende mudar o modelo de automóveis no mundo. Transformando eles em elétricos, com postos de troca de bateria ao invés de carga de combustível, diminuindo drasticamente a dependência do petróleo.

Vai ser assim que nossos carros vão ser abastecidos no futuro. Posto de recarga da Better Place.
Agora me resta apenas um mês aqui em Israel e não estou ansioso para voltar. O verão aqui, embora quente, tem um clima todo especial e toda semana há alguma novidade para conhecer. Meu hebraico tem melhorado bastante, e embora eu cometa diversos erros, já consigo me comunicar e conversar sobre coisas interessantes. Foi o caso do que aconteceu na casa da Keren, já que pude conversar com o marido dela e com o pai e a mãe dela. 

O idioma, sem dúvida, te integra a sociedade, e não somente ele, mas estar inserido nas notícias e no dia-a-dia, te faz mais parte da sociedade.