Na semana passada fomos com a turma do Ulpan para um passeio em Jerusalém. Outras turmas foram conosco, e às três turmas têm em comum o fato de que quase todo mundo é Olê Chadash (novo imigrante).
Jerusalém é uma cidade incrível. Eu conheço pouquíssimo da cidade, basicamente a parte judaica da cidade antiga e alguns bairros bem próximos à parte judaica da cidade. Mas essa pequena parte que eu conheço me intriga e me surpreende.
| Am Israel Chai, ou Que o povo de Israel viva ! |
Ver as cores da cidade num dia ensolarado como foi sempre é uma experiência diferente. Mas este dia não começou com sensações tão positivas. Nos encontramos bem cedo próximo ao Ulpan, de onde partiria nosso ônibus. Conosco foi uma guia israelense e pela primeira vez fui capaz de entender todas as explicações em hebraico.
O primeiro ponto de parada foi o Har Hertzl, ou Monte Hertzl. Trata-se de um jardim-cemitério importantíssimo em Israel. Nele está enterrado Herzl, o maior propulsor, e para muitos o inventor, do conceito de Sionismo.
| Túmulo de Theodor Herzl. |
Nesse cemitério estão enterrados ex-primeiros-ministros, ex-presidentes e algumas outras figuras importantes da história do país. Pude ver, por exemplo, que Golda Meir estava lá.
| Foi fácil achar o escritório do Mossad. Disseram que estes caras se escondiam. |
Depois de uma volta pelo local, fomos ao Museu do Holocausto, Yad VaShem. O museu que visitei em 1998 não é o mesmo que agora. O museu foi reconstruído. O museu é todo na horizontal e possui muito material interessante. O que mais me impressionou nesse museu foi a quantidade de material audio-visual com entrevistas de sobreviventes.
O museu de Whasington me pareceu mais didático, digamos. Os vídeos explicavam todas as fases do que aconteceu na guerra, tinha muito material. Mas o Yad VaShem marca pela maneira como expõe histórias individuais, tirando o aspecto estatístico da guerra e te levando para a vida de pessoas em particular.
É de fato uma abordagem menos histórica e mais familiar. No sentido de que mostra que aquela tragédia enorme não foi um evento para ser estudado em livros ou em faculdades, foi um evento real, íntimo, que poderia ter passado com qualquer um.
Os depoimentos marcam muito porque as pessoas que contam as história relembram no momento de contar e com isso o fazem com emoção, é algo que perturba a serenidade de qualquer um.
Depois de visitar toda a parte do desenvolvimento da guerra, fomos a um quarto escuro, onde é difícil andar sem se guiar no corrimão. Nesse quarto vão sendo lidos os nomes de pessoas que tombaram na guerra. É uma sensação muito estranha. Eles dizem nome, de onde era, idade da morte. É perturbador.
Outro aspecto importante deste museu é o reconhecimento dos heróis que salvaram judeus durante a guerra, arriscando sua própria vida. Não importa se salvaram milhares ou apenas uma vida. Eles se arriscaram, e sempre que histórias aparecem como essa, estas pessoas ganham o título de Justos do Mundo. Normalmente há uma cerimônia de entrega do diploma para a pessoa ou familiares.
Em minha turma já soube de dois em que suas famílias foram salvas por pessoas como essas, e que receberam a condecoração. Achei muito legal isso.
| Fé. |
Depois do museu, fomos para um parque fazer um almoço. Pensei que não haveria comida suficiente, mas me enganei. Havia muita comida e fizemos um farto almoço. Como era véspera de Shavuot, muita coisa era baseada em leite, como é costume da festa.
| Almoço no parque. |
Depois do almoço, fomos caminhar na cidade velha e aí sim as cores das pedras de Jerusalém se misturando à luz do dia, o reflexo das mesquitas, trazem um ar místico à cidade. A cidade velha é incrível e não há como descrever o que ela tem de especial. Há de se sentir.
| Kotel HaMaaravi ou Muro Ocidental, também chamado de Muro das Lamentações em primeiro plano. Mesquita de Omar à esquerda e Mesquita de Al Aksa à direita. |
O dia terminou com uma visita ao Muro das Lamentações e depois uma viagem de volta. Com o calor que fazia, a viagem foi cansativa, mas foi bem legal.
| Detalhe da passagem que parte desde o Muro das Lamentações até a esplanada das mesquitas. |
O final de semana foi movimentado, em Tel Aviv rolou a Parada do Orgulho, ou orgulho gay. Por todos os lados já se viam bandeiras arco-íris. A cidade é bem liberal em todos os sentidos, inclusive do ponto de vista da escolha da sexualidade.
A cidade estava cheia inclusive de turistas e muitas pessoas foram desfilar. Eu não desfilei, mas tive a boa idéia de ir a praia depois da confusão. Deu pra ver que a cidade ainda estava movimentada, mas o acontecimento principal já tinha terminado.
A semana mostrou que o verão chegou, e com ele, as águas-vivas. De alguns anos para cá, no verão, as praias de Tel Aviv ficam abarrotadas de águas-vivas (aqui chamadas de Meduza). Nesse fim de semana eu fui a praia e saí com algumas pequenas queimaduras. Espero que o pessoal resolva ir para praias mais tranquilas, porque se for para me queimar na água, vai ser difícil.
Uma curiosidade aqui em Israel é que as pessoas não se xingam em hebraico. Como diz-se que o hebraico é uma língua sagrada, os palavrões surgem em outros idiomas, especialmente o árabe.
Na sexta o vizinho fez uma festa e nos convidou. O vizinho, por coincidência, estuda no Ulpan. A festa foi bem legal, mas achei que acabou cedo para os padrões latinos. O ponto foi que muita gente passou a vir à nossa casa para usar o banheiro e tivemos de fazer uma limpeza forte depois da festa. A festa passou por lá, mas parece que a sujeira passeou por aqui.
E hoje, uma surpresa, na academia estava malhando a Top Model Bar Rafaeli. Uma daquelas belas coincidências que acontecem na vida.
Nessa semana começa um festival gastronômico aqui em Tel Aviv, esse mês está cheio de atividades, o que o torna bem legal. O nome do festival é Taam HaIr, ou Gosto da Cidade.
Ontem foi a primeira noite do festival. Fomos Maurício, Leo e eu ao festival. A chegada foi relativamente tranquila, até a entrada no estacionamento. O estacionamento ficou pior do que o Rio Sul em dia de chuva. Incrível como não se respeita sequer a mão das vias. Não preciso dizer que inúmeros carros paravam ocupando duas vagas ou até mesmo quatro. Isso mesmo, alguns dos expositores pararam o carro atravessado.
E o pior é que a polícia de trânsito estava dentro e não auxiliava em nada no controle do fluxo. Eu fiquei me perguntando qual era o motivo de estarem ali, minha única conclusão era de que estavam ali para provas os quitutes.
Depois de 40 minutos (ou mais), tentando nos mover para achar uma vaga finalmente conseguimos parar o carro. E lhes conto antes de falar o que comi, valeu a pena.
O festival é enorme, uma área incrível de exposição e uma variedade igualmente grande. Começamos comendo um sanduíche de carne defumada. O sanduíche devia ter o dobro da altura de um Big Mac, o pão era muito fino e o recheio devia medir 3 ou 4 dedos de altura. Mas cada fatia de carne era muito fina.
Um molho de mostarda foi adicionado a cada sanduíche, assim como outros temperos. Para completar o prato, um pepino em conserva de alta qualidade.
Fomos andando por diversos restaurantes buscando alguma com comidas diferentes do que comemos na rotina. O outro restaurante que paramos foi um especializado em comida Marroquina. Comemos dois pratos. Uma espécie de almôndega bem consistente com um tempero forte, feito com algumas verduras. Acompanhava um caldinho muito gostoso.
O outro foi um que me intrigou. Era uma espécie de massa recheada com carne desfiada, a massa era consistente, não tanto como um salgadinho requentado no micro, mais macia, e aí que vem o mais surpeendente. Em cima da massa ia açúcar de confeiteiro com canela. A mistura é incrível. Em termos de combinação doce-salgado foi a que mais gostei até hoje. E em termos genéricos, foi uma das combinações que mais me surpreenderam em termos de experiência gastronômica. O nome do prato é Pastilla, mas é lido bastiyya.
| Iguaria marroquina: Pastilla. |
Depois disso fomos obrigados a passar num stand de cervejas. Tomei uma Tripel chamada Masroud e o Maurício pediu uma cerveja com mel. Essa era uma pilsen com mel, não era doce, mas dava para notar o aroma de mel e o gosto no final, surpreendentemente sem ser doce.
| Na barra de cerveja. Surpresa ! Sem barba. |
Com o copo na mão seguimos nossa volta. Passamos por uma casa onde eram projetadas imagens, simulando neve, cores das portas e assim por diante. Achei interessante. Chegamos depois a um lugar que estava preparando uma Falafel tuna (falafel de tuna), mas que eu achei parecido com bolinho de bacalhau.
Somente a casca lembrava a consistência, porque o recheio era de consistência e sabor diferentes. Mas mesmo assim combinou muito bem com a cerveja.
Antes de achar a cerveja ainda tivemos tempo de comprar um kibe druso, que é bem diferente do kibe que temos no Brasil, que é o kibe libenês. O kibe druso (Kuba), parece mais com um salgadinho nosso, com aquela massa por fora e recheio de carne por dentro. Vale a pedida.
| Sanduíche de Lábane sendo preparada por uma senhora Drusa, à direita os Kibes Drusos (Kuba). |
No fim da noite decidimos que hoje precisamos voltar lá para provar outros pratos que deixamos passar, como uma bela seleção de queijos, doces árabes e massa.

com todo respeito aos passeios, gastronomia, praia, .... mas esse blog merece um post único e especial sobre sua "convivência" com a bar refaeli. detalhe por detalhe, como vc gosta de fazer !!!
ResponderExcluirPORRA, LEVITAN !!!!!