A semana passada começou com uma viagem imprevista. Liguei para o Leo por volta de 10 da manhã para combinar o horário da academia e ele me responde da seguinte maneira. Levita (sem o n mesmo), nossos planos mudaram, vamos viajar para Haifa com meus pais.
Quem sou eu para negar uma viagem né ! Ele me pegou aqui em casa e seguimos pro nortoeste, onde fica Haifa. A idéia era fazer um passeio por uma área de florestas ali por perto, depois almoçar numa cidade drusa, chamada Daliyat Al Karmel e por fim passear numa rua legal em Haifa, de onde conseguiríamos ver grande parte da cidade.
| A prefeitura de Tel Aviv está implantando o sistema de bicicletas, como o que há em várias cidades inclusive no Rio. A primeira vista, pensei que se tratava de bombas de chopp. |
Mas logo mudamos o nosso destino. Resolvemos passar por Zikron Yaakov no caminho. Essa é uma cidade no caminho para Haifa, fica em cima de uma cadeia de montanhas. Não é muito grande mas tem uma história curiosa. Essa cidade foi fundada em 1882 por imigrantes romenos, ou seja, fizeram parte da primeira Aliá (imigração para Israel), por parte dos movimentos sionistas, oriundos principalmente dos países do Leste Europeu e do Yemen. Porém, a dificuldade de cultivo no solo arenoso os impediram de prosperar e é justamente aí que entra o Barão de Rotschild.
Rotschild viu a situação delicada dos judeus na região e resolveu ajudá-los. Ele enviou alguns técnicos agrícolas para a região e após estudos, eles viram que o local era propício para o plantio de uvas e a produção de vinhos. O barão então construiu toda a estrutura e enviou técnicos especializados para iniciar a produção.
A vinícola hoje é a maior de Israel e seus vinhos ganharam diversos premios. Eu pude comprovar o sabor dos vinhos, já que fizemos um passeio pela área de produção e depois provamos diversos selos. O dia começou bem, e ainda era perto de 14hs da tarde.
Dali resolvemos mudar os planos, com o apetite renovado (no meu caso reforçado) fomos direto para a cidade drusa. Os drusos tem uma história curiosa. Eles são um povo árabe e se consideram muçulmanos, embora outros povos não o considerem como tal. A cisão vem por conta da crença em uma pessoa como profeta diferentemente da outra parte dos muçulmanos.
| Todos eles usam esse bigode. Além desse traje cobrindo a cabeça, vi aquele chapéu que normalmente ligamos aos egípcios, mas na cor branca. |
Mais curioso ainda é a forte identificação com o Estado de Israel. Embora não seja obrigatório, todos eles prestam o serviço militar. E acredito que são de grande valia pelo seu conhecimento do idioma árabe.
Desta cidade fomos para Bet Oren, que é o nome dado a uma floresta perto do kibutz de mesmo nome. Foi nesse lugar que houve aquele terrível incêndio que acometeu Israel durante vários dias, tendo inclusive tirado a vida de bombeiros israelenses.
A sensação de ver tantas árvores queimadas é incômoda, e contrasta com a relativa rapidez com que já se vê verde no lugar, majoritariamente plantas de cobertura, bem baixas. De lá seguimos a Haifa e caminhamos por um calçadão na parte alta da cidade.
Haifa é dividida em duas partes a alta e a baixa. Curiosamente a parte mais valorizada da cidade é a parte alta. Grande parte dos lugares que visito não valorizam a proximidade à praia dentro de uma cidade. Esse calçadão era bem no topo da cidade, próximo ao templo Bai Hai, depois de caminharmos por lá voltamos pra Tel Aviv.
| Isso é lugar para colocar um posto de gasolina? |
| Motoristas novos recebem essa placa com a letra Lamed, que é a letra inicial da palavra Lomed, ou estudante. |
Na quarta-feira, foi realizado no Ulpan um seder de Pessach (lê-se pê-sá-rr). Esta festividade comemora a saída dos judeus do Egito e o nome dela vem do verbo passar em hebraico. A décima praga que caiu sobre os egípcios foi a morte dos primogênitos, e por desígnio de D-us, os judeus marcaram as portas de suas casas para que D-us pulasse a casa deles na hora de realizar a décima praga.
O seder de Pessach (seder é o nome que se dá à janta ordenada desta noite, apesar de no Ulpan ter sido um almoço) no Ulpan teve todos os ingredientes que marcam a festa. As músicas foram cantadas acompanhadas por uma mulher que tocava o violão e cantava (a mesma que nos ensinou diversas músicas). Vários alunos foram responsáveis por diversas partes do seder. Até eu li um trecho, e fiquei bem feliz por estar conseguindo ler sem gaguejar tanto, como me era muito comum quando ainda no Brasil.
| Matzá com cobertura de chocolate. Aqui vai ser tranquilo passar a festividade, sem quase que nenhuma privação. |
Especiais foram as diversas intervenções musicais dos diversos alunos. Muita gente com a voz afinada, obviamente não me aventurei nessa parte da festividade. Agora, o que mais me chamou atenção mesmo foi quando no final do seder cantamos o Be Shana HaBá BeIerushalaim (No ano que vem em Jerusalém). Nessa hora, um homem aparentando os seus 40 anos se levantou e começou a chamar as pessoas através de gestos para que se levantassem.
O que me chamou a atenção foi a história desse homem. Ele veio do Iraque e provavelmente só conseguiu sair de lá para morar em Israel porque houve a guerra naquele país. Eu fiquei tentando imaginar a história de alguém que nasce judeu num país de maioria muçulmana. Não lhe deve sobrar muitas oportunidades de vida que não a sobrevivência. Para mim essa imagem foi marcante, por se tratar da velha batalha pela liberdade travada por nosso povo.
A noite fui jantar com o Maurício. Procurávamos um determinado restaurante e acabamos parando num outro, muito bom. Rolou um confit de ganso e uma garrafa de vinho. No restaurante perguntaram se éramos poloneses. Sempre acham que somos de algum lugar que não o Brasil.
| Confit de ganso. |
Na quinta fui pegar uma praia pela tarde. Ir a praia aqui é sempre um programa divertido. A começar que você vê todos os tipos. Mulheres religiosas entrando com saião e o corpo todo coberto, meninos e homens usando cueca para mergulhar, pessoas batucando, tocando violão, fumando narguila. No Brasil todos seriam classificados como farofeiros.
A noite fui jantar com o Flávio, a Gabi e um casal de amigos do Flávio, brasileiros, residentes nos EUA mas que trabalham com a empresa do Flávio. Fomos num restaurante italiano e ficamos de papo um bom tempo.
Na mesma noite ainda consegui sair com uns israelenses (o namorado de uma menina do curso e seus amigos) pela primeira vez fui pra uma night aqui. Não gostei. O cheiro de cigarro, a música antiga, os preços exorbitantes, nada contribuíram para uma boa impressão. Ou será que estou ficando velho?
No sábado eu havia combinado com o Léo de fazer um passeio com ele, a noiva dele e uma amiga dela. Fomos novamente para o norte, por coincidência, para bem perto de onde eu já havia ido com ele e os pais dele no domingo anterior. O passeio na natureza é o passeio do israelense.
E como em toda viagem que faço, eu me pergunto, por que não fazemos isso no Brasil? Com tanta natureza por todos os lados, como não faço isso todos os fins de semana?
Em Pessach devo jantar com a família na noite. Em Israel só comemoramos uma noite, diferentemente de todos os lugares fora de Israel, onde se comemoram duas noites. Isso é resquício do tempo de mensageiros e possíveis erros de calendário, para garantir que toda festa fosse comemorada na data certa. Eu sempre me perguntei por que não comemorávamos três, afinal, o cara podia errar pra menos também né !
Como nessa semana que antecede Pessach não há aulas, nosso amigo de longa data, José, que mora aqui faz 10 anos e estuda mestrado não terá aulas ele fará uma caminhada por Israel. Serão, segundo ele, três dias atravessando o país de leste a oeste. Ele me convidou e obviamente eu vou, se há uma oportunidade para me cansar e caminhar horas a fio eu não poderia estar fora.
| Esperamos o pôr do sol numa praia onde o rio desemboca no mar mediterrâneo. |
E como em toda viagem que faço, eu me pergunto, por que não fazemos isso no Brasil? Com tanta natureza por todos os lados, como não faço isso todos os fins de semana?
Em Pessach devo jantar com a família na noite. Em Israel só comemoramos uma noite, diferentemente de todos os lugares fora de Israel, onde se comemoram duas noites. Isso é resquício do tempo de mensageiros e possíveis erros de calendário, para garantir que toda festa fosse comemorada na data certa. Eu sempre me perguntei por que não comemorávamos três, afinal, o cara podia errar pra menos também né !
Como nessa semana que antecede Pessach não há aulas, nosso amigo de longa data, José, que mora aqui faz 10 anos e estuda mestrado não terá aulas ele fará uma caminhada por Israel. Serão, segundo ele, três dias atravessando o país de leste a oeste. Ele me convidou e obviamente eu vou, se há uma oportunidade para me cansar e caminhar horas a fio eu não poderia estar fora.
| Pôr do sol na praia de Tel Aviv, bem pertinho aqui de casa. |

Boa Levi!
ResponderExcluir3 dias pra andar 135km? Não vai cansar tanto assim! :)
Aproveita aí e continua mandando notícias!
Abração!
RP.
Dani, sua rotina aí está mesmo muito chata.... Aff...a pergunta é, pq eu não estou junto?
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