Esse post não ficou esquecido mas armazenado, vou já soltá-lo porque há muita coisa acontecendo e quero poder escrever sobre os novos fatos.
Depois de Pessach as aulas voltaram ao Ulpan. É muito ruim ficar um tempo sem estudar e depois voltar. Ter de pegar o ritmo novamente não é nada fácil, e acho que até agora não peguei o ritmo que eu estava. Mas já na volta falei com a professora sobre a minha preocupação de terminar a turma e ter de estudar apenas 3 vezes por semana.
Depois de Pessach as aulas voltaram ao Ulpan. É muito ruim ficar um tempo sem estudar e depois voltar. Ter de pegar o ritmo novamente não é nada fácil, e acho que até agora não peguei o ritmo que eu estava. Mas já na volta falei com a professora sobre a minha preocupação de terminar a turma e ter de estudar apenas 3 vezes por semana.
Ela me sugeriu verificar uma turma de Olim Chadashim (novos imigrantes). Fui a primeira aula no domingo (que é a segunda daqui) e gostei bastante, a turma está agora começando a estudar o futuro e é exatamente aonde eu estaria se fosse continuar com a outra turma.
Além de estudar um dia a mais por semana, estudo uma hora a mais por dia, o que totalizam nove horas a mais por semana. Excelente para as minhas pretensões de estudar hebraico a fundo. Além disso o Léo me passou o link para o canal de tevê na internet, além de tudo poderei escutar hebraico na tevê com legenda.
Espero apenas voltar ao ritmo de estudar toda tarde. Mas com tantos acontecimentos concomitantes, acho que ainda tarde mais uma semana até ajustar o horário.
No sábado aqui sempre rola um samba. Aqueles que bem me conhecem sabe que este não é, digamos, meu gênero predileto de música. A sorte é que nos dois dias em que estive presente tocaram chorinho que é bem mais palatável que o samba em si. O chorinho tem diversos solos de diversos instrumentos que deixa a coisa bem mais interessante. A grande questão é que não é meu estilo predileto e aí a música passa a não ser o ponto central do encontro, mas sim ficar de papo com os amigos.
E mais, havia cerveja dessa vez. Ou melhor, dessa vez eu podia beber cerveja já que Pessach já havia terminado. Após escutar tudo de samba que um cidadão pode aguentar numa tarde e tomar apenas 4 chopps (sim, 4 chopps apenas, de meio litro cada) de trigo, achamos prudente forrar o estômago para evitar qualquer ingresia.
Ali ao lado do samba, que rola em Iafo, tem o famoso e já comentado no blog, Abulafia. O Abulafia é um restaurante de comida árabe que tem um lado onde são vendidos sanduíches ordinários (mas nem tanto) e massas (burekas, folheados e mais) e outro lado onde há um restaurante e a venda de Falafel e Schawarma.
A Schawarma pode ser considerado o rei (ou rainha) dos podrões. Quem morou no Rio e se acostumou a terminar a noite comendo aquele cachorro-quente com salsicha que você reza para ser de frango (ou ao menos de animais que não costumam estar em nossas casas, como por exemplo o gato) se deleitaria ao terminar a noite comendo um Schawarma de carneiro no espírito de coexistência.
Para começar o sanduíche é muito bem servido, é grande e ainda é permitido que você pegue alguns acompanhamentos como pepino em conserva, cebola e outras coisas. O Maurício logo me mostrou que eu deveria provar a Laffa (pão árabe tamanho pizza grande) do dia anterior frita e com o tempero zátar. É simplesmente sensacional, mas até aí nenhum mistério né, fritura !
Depois que devoramos o sanduíche tivemos a maravilhosa idéia de comer uns docinhos que por ali haviam. Trata-se da bakláuá (saber escrever isso em hebraico será um desafio), feito com nozes e uma massa fina, lembrando um strudel.
Normalmente eles servem esse doce com café na hora que você pede a conta. Não sabemos até agora se estava incluído nos nossos sanduíches, mas como os primos não reclamaram, comemos cada um, uma média de 5 docinhos.
O Marcelo ainda teve tempo de falar que éramos do Brasil e dar um abraço em cada primo, isso é que é coexistência.
Neste mesmo dia, porém mais cedo, eu havia ido a praia de Yaffo com o Maurício. O dia estava agradável, o vento esfriando um pouco o clima mas deixando a gente sem preocupação com calor. Ficamos de papo por um bom tempo.
Só agora consegui definir o que mais me incomoda em Israel. Demorei bastante tempo para compreender porque algumas coisas me irritavam e finalmente cheguei à conclusão. Há uma máxima no judaísmo que pode defini-lo sem a necessidade de nenhum outro estudo profundo. Essa máxima é Veahavta Lereacha Kamocha, ou Ame ao próximo como a ti mesmo.
Essa frase pode ser usada em qualquer situação para que você saiba exatamente qual o limite entre o teu direito e o direito do outro. O israelense se preocupa tanto em ajudar às pessoas com necessidades que não faz sentido o que você vê no cotidiano.
O país possui o maior índice de voluntários por habitante do mundo, sempre envia missões de ajuda humanitária em épocas de crise, como no tsunami da Tailândia, no terremoto do Haiti ou dessa crise nuclear no Japão, e no entanto, quando trata-se de não avançar um sinal vermelho, de não parar em cima da faixa, de não travar ninguém num estacionamento eles não estão nem aí. Isso até agora é a coisa que mais me chamou a atenção.
Depois de falar disso tocamos no assunto da paz mundial e da democracia. Engraçado que o Maurício pensou de uma maneira bem prática para melhorar a democracia, passando por uma idéia que eu já tinha, mas indo além.
Hoje li em O Globo sobre o problema que tem o legislativo em estudar todos os projetos de lei e votá-las. O jornal faz alarde para o tempo que demoraria terminar de examinar e votar todas, 100 anos. Obviamente esse modelo é antiquado.
É antiquado pois baseia-se em representantes em uma época em que nem toda a população podia ser ouvida por uma impossibilidade de realizar enquetes sobre todos os assuntos. Porém, se a gente pensar, já há como pensarmos em votações através da internet.
Já há locais em que a internet alcança boa parte da população e isso possibilitaria que todos pudessem expressar suas opiniões sobre diversos assuntos. Obviamente isso só seria possível se o número de assuntos não fosse absurdamente grande. Ou se houvesse uma divisão entre assuntos para serem decididos pela população e assuntos que deveriam ser decididos pelos representantes.
O Maurício sugeriu uma espécie de rede social na qual estes temas fossem debatidos e postos à votação. Ele sugeriu inclusive uma espécie de procuração online, onde um cara mais interessado em política pudesse votar por ele e por outros. Isso na verdade é uma espécie de eleição de representantes de maneira muito mais eficiente por ser muito mais íntima.
Bom, esse tema que havia escrito antes cabe muito bem no que está acontecendo hoje. Depois do dia da lembrança pelos soldados caídos em batalha aconteceu o Dia da Independência segundo o calendário judaico. As comemorações foram incríveis. O sentimento de patriotismo aqui é muito forte e fiquei bem feliz com isso.
Gente pelas ruas, a noite inteira, bandeira para todos os lados, muita gente dançando feliz da vida. Inclusive muitos religiosos estiveram pelas ruas. Tem um grupo de religiosos aqui chamados de Nachman, que tem uma visão bem legal do judaísmo.
Eles dizem que o judaísmo é alegria e assim eles vivem. Em todo lugar que eles estão, eles estão com música altíssima ! Eles andam em vans todas caracterizadas, com caixas de som em cima delas, sempre tocando o mesmo refrão mas em diversos ritmos diferentes. E no Dia da Independência não foi diferente. Eles estavam por todos os lados.
No dia seguinte (que ainda era parte do festejo) fizemos um churrasco. Como foi bom comer carne preparada da maneira correta, com farofa e coração de galinha. No final ainda teve brigadeiro de leite moça para quem quisesse.
Agora, o calendário do mundo é gregoriano e portanto o Dia da Independência de Israel é 14/05. Os palestinos celebram o dia chamado Nakba, ou catástrofe em árabe. O que representou a liberdade para os judeus significou a falta de auto-determinação deles. Aqui é importante lembrar que no dia seguinte à declaração de independência de Israel diversos países atacaram Israel com um exército conjunto: Síria, Líbano, Egito, Jordânia (na época ainda chamada de Transjordânia), Arábia Saudita, Iraque e Yemen.
Muito se fala sobre a expulsão de diversos árabes de seus lares após a guerra, porém os judeus expulsos dos países árabes nunca são lembrados. Os números de judeus que foram expulsos supera o de palestinos (não por grande margem, a Wikipedia diz que judeus expulsos foram entre 800.000 e 1.000.000 e que palestinos que viviam fora de Israel em 1949 eram 711.000), mas essa questão nunca é mencionada.
Esse dia costuma ser marcado por protestos. No sábado houve protestos em Yaffo, mas hoje as coisas esquentaram. Centenas de palestinos tentaram invadir a fronteira pela Síria e segundo li o exército abriu fogo para detê-los. A fronteira com o Líbano também teve incidente parecido, porém aí o exército libanês abriu fogo e matou alguns palestinos.
A Síria que ano passado bloqueou o acesso dos palestinos à fronteira, esse ano liberou para tentar desviar a atenção do mundo aos problemas internos do país. Jerusalém também viu muitos protestantes depredando patrimônio público e ondas de violência pela cidade. A Jordânia por outro lado conseguiu bloquear os protestantes que não invadiram território israelense.
Além dessas questões, todo esse levante no mundo árabe ainda está muito indefinido. Espera que eles decidam por um caminho pacífico e democrático, mas não há garantias e portanto essa região que já é bastante delicada vive dias de expectativa.
Para variar me alonguei no post e não falei de tudo que queria. Ainda há mais o que falar sobre a minha visita à Cesaréia e outros assuntos.

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