sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Kings Road

Petra nos deixou exauridos, mas mesmo assim eu não consegui dormir bem. Primeiro porque por volta de 04:30 da manhã já começam os chamados para a reza matinal. Alto-faltantes anunciando a reza obviamente me fizeram acordar, ainda mais porque não havia ar-condicionado no quarto. 

O resultado foi que dormi pouco, mesmo quando poderia ter dormido mais. Mas aproveitei que já estava acordado e fui tomar banho para agilizar a nossa partida do hotel. Conseguimos ficar prontos perto do planejado, que era sair 07:00hs do hotel.

Porém, nosso motorista teve um problema com o pneu do carro e atrasou. Depois de uns 20 minutos de atraso, pedimos no albergue para ligar para o motorista, e só então, o dono resolveu nos informar que o motorista havia ligado dizendo que só chegaria às 08:00hs. Quer dizer, que se não perguntamos, ele nada diria. E mais, ele nos disse que a roda havia tido um problema. Há uma diferença enorme entre ter um problema na roda e no pneu, até esclarecermos isso, fiquei preocupado com a possibilidade de estar andando na estrada e uma roda do carro cair.

Resolvido tudo isso, partimos para o nosso roteiro, que incluía Shobak, Kerak, Madaba e Monte Nebo. Shobak é uma fortaleze construída por Balduíno I para dar segurança à rota de comércio que passava por ali com produtos vindos da Ásia até à Europa. Kerak é uma fortaleza enorme que foi usada por Cruzados, a dinastia de Saladino, Mamelucos e Otomanos e antes foi a capital de Moab, reino que aparece na bíblia (moabitas). Iriamos passar por Madaba, outra cidade moabita e depois visitar o Monte Nebo, de onde Moisés avistou a terra prometida.

O passeio começou e fomos à Shobak. Começamos a nos mover pelas ruínas e o Tobias logo achou um túnel completamente escuro. Ele seguiu por ele e nesse tempo, fui ao carro buscar as lanternas. Já vi que ele não iria sossegar se não explorasse cada caminho desconhecido.

Fortaleza de Shoubak.
Vista interior da fortaleza de Shoubak.
Achamos um túnel enorme, que levava para o interior da montanha. Fomos descendo e escorregando e caindo. O túnel além de íngrime tinha parte das escadarias completamente deterioradas e cheias de pó o que não facilitava a nossa caminhada.

Túnel dentro da fortaleza.
Depois de descer, descer e descer, finalmente avistamos no final do túnel uma luz. Eu imagino que aquilo fosse uma rota de saída em caso de necessidade de fuga. Depois, na entrada, conversamos com os trabalhadores e eles nos disseram que aquele caminho tinha aproximadamente 360 degraus. 

A saída do túnel. Esse sou eu com a minha lanterna de mineiro.
A conquista do túnel!
Fizemos a volta por fora da montanha e nos tomou uns 10 minutos para chegar ao ponto de partida, de onde continuamos a explorar as ruínas. Voltamos ao carro e dali nos encaminhamos para a direção de Táflia, uma cidade que estava no nosso caminho.

Mais fotos dentro da fortaleza.

Uma parede bem conservada. Ou conservada em parte.
Arcos.

Fizemos uma parada num ponto da estrada que era muito bonito. A vista era para todo o vale. Nesse ponto, perguntei ao Norman, nosso motorista, qual era nosso roteiro. E ele havia excluído Kerak do roteiro. Não fiquei nem um pouco satisfeito e revisei, mais uma vez, todo o nosso roteiro contratado. O problema era que eu havia fechado o roteiro com um taxista de Aqaba e não com ele. E obviamente houve falha na comunicação, ainda mais quando as partes envolvidas não compreendiam inglês perfeitamente.

De todos os modos, dali seguimos para umas piscinas naturais numa parte do país que fica abaixo do nível do mar. Passamos por diversas cidadezinhas no meio do país. Várias delas tinham uma rua principal de mão dupla, divididas no meio por um calçamento estreito. Verduras e frutas eram vendidas na beira da rua. O que me chamou muito a atenção foi a maneira de expôr a carne que estava à venda.

Vi diversas cabras com o corpo inteiro sem o couro, pendurados de cabeça para baixo, com a cabeça completamente preservada ainda presa ao corpo. Vi isso em diversas cidades. Outra coisa que também vi foi um galinheiro, onde o cliente pode escolher a galinha que irá comer na janta, ainda viva, para o abate.

Também vimos dois acidentes, só nesse dia, não me causou surpresa alguma pelo modo como eles dirigiam.

As piscinas térmicas tinham águas realmente quentes, e com o calor que fazia, parecia insana a idéia de entrar nelas. Procurei por piscinas com águas geladas, mas não havia. A solução foi entrar na piscina de água quente. Aqui ficou comprovado o mesmo efeito que o chá faz, saindo da piscina, o clima parecia bem mais agradável. Curioso era a velocidade com a qual secávamos após sair da piscina, não contei nem 3 minutos.

Águas termais.
Depois nos aventuramos para tomar uma ducha de respingo das águas de uma encosta. Aí sim a água era bem gelada, penas que caia à conta-gotas.


Vista de um ponto no meio da estrada.
A gente na represa vista na foto anterior.

Seguimos o nosso passeio e concordamos em pagar mais para ir à Kerak. Essa fortaleza era impressionante. Vimos três andares dela, mas ela chegou a ter sete. Passou pela mão de diversos controladores que fizeram as modificações pertinentes aos seus problemas.

Fortaleza de Kerak, apenas parte dela, que era enorme.
Visitamos a cozinha e os fornos. Um para carne e dois para pães. O tamanho de tudo era impressionante. O estábulo também era enorme e a fortaleza permitia acomodar 1000 pessoas.

Vista para o vale da fortaleza. Nota-se a importância estratégica do ponto.
De Karak seguimos para o Mádaba, mas não chegamos a tempo de visitar a igreja na qual se encontra um mapa antigo de toda a região. O mapa é rico em detalhes mas não pudemos vê-lo. Seguimos diretamente para o Monte Nebo e por pouco não perdemos o horário de entrada também.


Vista do Monte Nebo.

A vista do monte é realmente privilegiada. Dele podíamos ver o Mar Morto e o outro lado dele, ou seja, Israel. Também conseguíamos ver diversas cidades. A vista, porém, não estava muito clara, uma neblina encobria toda a paisagem. Eu suponho que seja água que evapora do Mar Morto. Com o calor que fazia era a única explicação para o céu não estar aberto.


Legenda do que é possível avistar do Monte Nebo.
Depois de apreciar a bela vista, resolvemos ir ver o pôr do sol no Mar Morto. Nosso motorista nos sugeriu um complexo hoteleiro bem legal, porém, bem caro. De todos os modos, sou uma das pessoas que tomou banho no Mar Morto dos dois lados! E o por do sol dali foi especial e bem bonito, com o sol se pondo atrás das montanhas de Jerusalém.


Resort no Mar Morto.


Depois do pôr do sol.
Depois de relaxar nesse complexo, fomos para Aman. Chegamos a noite e aí tivemos uma dura negociação com o nosso guia. Ele queria quase todo o dinheiro, nos avisou que a fronteira fechava ao meio-dia e que não teríamos tempo de ir a Jerash, ao norte.


A informação da fronteira bateu contra a informação que tínhamos. O acordado estaria saindo muito caro e ele ainda havia adicionado valor pelas partes extras. Não estávamos satisfeitos, estavamos em Aman, à noite. Para não ficar discutindo, concordamos em ver Aman pela manhã e depois seguir para a fronteira.

Nossa idéia era buscar o horário na internet e se fosse possível, ir ao norte, já que ele havia concordado em nos levar à Jerash caso quiséssemos. Eu senti que o cara queria terminar o passeio antes e devia ter outros clientes ou alguma outra coisa.

Fomos para o albergue, fomos bem recebidos. Tínhamos internet para verificar tudo e tínhamos fome, e por isso queríamos passear. Aman seria um ponto crucial.

Nenhum comentário:

Postar um comentário