terça-feira, 9 de agosto de 2011

Eilat

Após divesas tentativas de começar a viagem para a Jordânia, finalmente pudemos começar a descer para o sul. O José acabou se atrasando e perdeu o trem combinado, que já era tarde. No final das contas, o outro amigo dele que viajaria conosco foi sozinho e eu esperei o Zé para pegarmos o ônibus de 14hs para Eilat. 

A viagem durou quatro horas e meia, pelo deserto. A paisagem era bem legal, mas viajar pelo deserto, no sol, mesmo com ar no ônibus não foi agradável. Algumas coisas diferentes são vistas nas viagens ao sul: rebanhos de cabras, tendas beduínas e até um McDonald's perdido no meio do deserto.

Deserto do Negev, em Israel.
Aliás, o motorista parou algumas vezes em estabelecimentos e vi que ele sempre procurava pelo responsável. Acho que de alguma maneira ele ganhava um trocado para fazer tais paradas, realmente muito incômodo numa viagem tão pequena.

Quando chegamos em Eilat achamos facilmente o albergue. O Tobias já tinha pagado por duas noites de estadia, o que pra mim foi uma surpresa, já que eu não estava pensando em passar um dia em Eilat. Sentamos para debater o roteiro da viagem e fechamos por alto o programa.

O Zé concordou em ficar um dia a mais comigo, se chegasse ao caso, para conhecer Aman e Jerash, ambas mais ao norte. Depois de pagar o albergue para duas noites fomos dar uma volta na cidade. Passamos pela praia, pela parte mais movimentada da cidade e fomos andando para um restaurante chamado Casa do Brasil.

A praia do Mar Vermelho de noite.
Eilat é uma cidade tipicamente turística, com letreiros coloridos, um complexo de cinema e ainda com diversas opções de bares. Alguns deles caríssimos. O restaurante em que comemos tinha um sistema de rodízio caro e que não chegava aos pés do que é um rodízio no Brasil. Depois de comer, fomos para o albergue, tomamos um banho e fomos dar uma volta norturna na cidade. Depois de uma cerveja, voltamos para o albergue para dormir.

Letreiros luminosos em Eilat.
Acordamos por volta das 9hs, nos arrumamos e fomos para a Praia dos Corais. O ar-condicionado do hotel era apenas vento e barulho mas mesmo assim dormimos bastante. Acordei um pouco apressado e agitei logo o pessoal para aproveitar mais o dia.

A entrada na praia era paga, a estrutura contava com loja para aluguel de equipamentos, vendas de artigos e vestiário.

A área mais próxima à costa era protegida, já que ali ficavam os corais.
Passamos boa parte do dia nadando e olhando corais. Depois de cansar, saíamos da água (que era bem gelada em comparação ao Mar Mediterrâneo) e ficávamos esperando esquentar, o que não demorava muito, para então entrar novamente no mar.

Homem-rã.
É muito interessante a forma como os corais se arrumam, eles vão se aglomerando, formando umas espécies de montanhas sub-aquáticas. Nadar no meio deles me deu a sensação de estar voando. Porque você vê nitidamente o fundo do mar, vê os corais como as montanhas, vários peixes parecem os pássaros passando e como eu estava somente com snorkel, ficava sempre no alto.

A quantidade de peixes coloridos e corais que vi foram incríveis. Os peixes tinham os mais diversos matizes de cores, misturavam roxo com amarelo, verde claro com rosa claro, verde com azul, abóbora com azul. Alguns brilhavam e outros tinham uma faixa na parte mais adiante do corpo, o que dava uma sensação de uma faixa na cabeça.

Essa praia fica num ponto em que avistamos facilmente Aqaba ao outro lado do mar, e também víamos a curva na direção do que é o Egito.

Queríamos fazer uma caminhada pelas montanhas que ficam por ali para ver o por do sol. Com esse propósito fomos a uma barraca de beduínos para tomar um chá e comer algo esperando pelas 18hs, horário em que começaríamos a caminhada.

Relaxando na tenda beduína.
Apesar de quente, o chá ajuda a combater a sensação de calor. Ele esquenta o corpo por dentro, o que te dá a sensação de estar mais fresco fora. Isso é conhecimento de povos que há muito habitam o deserto. Outra diferença é que por ser calor seco, você sente menos o calor, e por isso é mais perigoso, porque você precisa se lembrar de ficar tomando água o tempo todo.

Achar o início da trilha foi difícil, perguntamos em alguns lugares, algumas vezes, até que por fim encontramos o início. Tínhamos o tempo curto para chegar ao topo a tempo de ver o pôr do sol, apertamos o passo, corremos em alguns momentos, mas não foi o suficiente para ver de fato o pôr do sol. 

A vista do Mar Vermelho, com a Jordânia à esquerda e a Arábia Saudita à direita.
A recompensa veio quando finalmente vi o Mar Vermelho. Toda aquela vastidão, de onde eu podia avistar a Jordânia, a Arábia Saudita e o Egito, além, é claro, de Israel. Eu achei muito interessante esse ponto, uma espécie de quadrúplice fronteira. 

Eilat na margem esquerda e Aqaba, Jordânia, na margem direita.
Vimos as diversas cores que se formam no horizonte, E já nos preocupávamos em fazer o caminho de volta. Optamos por uma trilha mais curta, que no final, não se mostrou muito amigável, por ser íngrime e por já estar escurecendo. Mas conseguimos chegar a rua para finalmente pegar um táxi para o albergue. 

A noite, ao invés de comer em algum restaurante, fomos ao mercado e compramos os ingredientes para uma salada, e também, sorvete para a sobremesa. A salada ficou incrível e o sorvete fechou a refeição com chave de ouro. O dia seguinte era o que eu mais esperava, e a travessia para a Jordânia era algo que nos deixava apreensivos.

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