quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Wadi Rum

Acordamos cedo no dia de cruzar a fronteira, sexta-feira, nos aprontamos bem rapidamente e pegamos um táxi para a fronteira. Já havia uma pequena fila no posto. Quando abriram a fronteira, mostramos passaportes, e seguimos para cumprir com a burocracia. Primeiro pagamos uma taxa de saída de Israel, depois passamos pelo guichê de controle de saída e entrada do país, para carimbar o passaporte. 

O José estava preocupado de entrar na Jordânia com o passaporte israelense, então conversou com o funcionário da aduana para averiguar de que maneira ele podia utilizar o passaporte brasileiro dele para entrar na Jordânia. Ele ficou bem tranqüilo porque poderia utilizar seu passaporte brasileiro no lado jordaniano.

A fronteira sul com a Jordânia.

Cumpridas as exigências da parte israelense, fomos para a parte jordaniana, que ficava mais adiante. Isso me chamou a atenção, na fronteira de Uruguaiana no Brasil, o controle é praticamente integrado. Isso já mostra que tipo de relação há entre os dois países.

Na parte jordaniana tivemos de perguntar por tudo, já que tudo era mal sinalizado. Pegamos nosso visto e cruzamos a fronteira. Do lado de lá negociamos com um taxista para nos levar a uma empresa de alguel de carros. Ele nos ofereceu o serviço de táxi por todo o país. Achamos melhor seguir com a idéia do aluguel do carro.

No caminho vimos tudo fechado, além de ser sexta, que é fim de semana nos países muçulmanos, ainda era Ramadã, o mês no qual os muçulmanos não comem nada durante o dia para só quebrar o jejum a noite. 

Começamos a nos olhar e dava pra ver que todos ponderávamos se não era melhor fechar com o motorista para fazer nossa programação. Por fim concordamos em fechar o pacote por 4 dias com motorista à disposição. 

O nosso taxista ligou para outro taxista e este sim seria o nosso motorista. Não demorou muito para chegar. Ele se apresentou, Norman, e nos apresentamos. Logo no início ele nos levou para uma estação de gasolina para comprar suprimentos para a viagem. Compramos água, suco e algumas nozes misturadas (amendoim, amêndoa, castanha de caju, pistache e algumas outras) com um tempero excelente. Até agora posso sentir o gosto do tempero, que aprendi o nome em árabe, mas acho que vai ser difícil achar por aqui (Im dachan - se árabe for parecido com hebraico, im é com).

De lá seguimos para o deserto do Wadi Rum. Durante o passeio paramos em alguns pontos no meio do deserto. A estrada era relativamente nova, porém, já ali vi como era o trânsito no país. De vez em quando, aparecia na pista um pneu de caminhão estourado e o Norman era obrigado a desviar. Vimos também um caminhão atravessado na pista, parado, provavelmente com algum problema no motor.

No carro também me dei conta que se fumava bastante no país, já que o nosso motorista fumava bastante. Ao longo da viagem vi que todos fumam muito por este lado do globo.

A estrada, um pouco sinuosa, cortava vales e cadeias montanhosas, o deserto é bem bonito nessa região. Também avistávamos diversas montanhas de cores variadas nas quais era possível ver nitidamente as camadas de sedimento que às formavam. Algumas tinham uma diferença de cor notada entre a parte inferior, escura, e a parte superior, clara, mostrando que num passado era tudo banhado por água.

Uma parada no deserto antes de chegar propriamente ao Wadi Rum.
Chegamos ao parque. O nosso motorista tratou de conversar algo em árabe na entrada e nos levou ao povoado, onde logo nos ofereceram o serviço de guias. Contratamos o início do passeio de dromedário e depois o resto de jipe. 

No dromedário.
O início do passeio foi pesado, 40 minutos em cima do lombo de um dromedário que balançava absurdamente sob forte sol do deserto não foi das melhores idéias que já tive. A cela do dromedário tinha um pino de madeira na frente para amarrar a corda que serve de guia e tinha um outro pino semelhante atrás, que eu acho que só servia para ficar batendo nas costas. Aliás, eu fiquei sentindo dor na costas por dois dias.

No meio do deserto, em cima de um dromedário.
Depois que chegamos ao local eu vi que o local da primeira parada era muito perto. Assim que chegamos encontramos um coreano que estava com uma bicicleta debaixo de uma árvore e com diversos equipamentos de acampamento.

O local de acampamento do coreano, ao lado, dois dromedários.
Fomos conversar com ele e ele nos disse que vinha pedalando da China até o Paquistão, de onde pegou um vôo para Aman, desceu toda a Jordânia até o deserto de Wadi Rum. Depois ia pedalar por Israel, descer a África para depois ir para a América do Sul. Que cara doido.

As formações rochosas no meio do deserto.
O primeiro ponto no qual paramos foi a fonte de Lawrence das Arábias. Esse camarada inglês, foi responsável por explorar (acredito que em ambos os sentidos) o Oriente Médio. Essa fonte é descrita em seu livro (Sete pilares da sabedoria) como um "pequeno paraíso" no meio do deserto. De fato obter água nessa região é um milagre. Os beduínos tinham uma tenda armada por ali e nos ofereceram chá.


Imediatamente aceitamos o chá, tomamos e descansamos. Encontramos um grupo de holandeses e ficamos de papo, recuperando as energias. Depois disso resolvemos escalar a montanha para ver de onde vinha a água. A subida foi feita em cima de grandes pedras, sob forte calor e por isso difícil. No topo vimos a fonte. Havia muita vida ali em comparação àquela região. 

A vista da fonte propriamente dita. Abaixo vemos o acampamento da primeira parada.
A água era coletada e canalizada para baixo. O local em que a água acumulava era coberta por uma espécie de musgo verde. Logo pensei que a água do chá que tomei tinha vindo dali. Ali também tinha uma figueira, provamos o figo, que era muito gostoso, mas diferente do nosso. Pequeno e mais consistente, achei muito mais gostoso do que o que sempre comi no Brasil.


Descemos a fonte, já apressados por nosso guia, para seguir o passeio. Ainda deu tempo de ver uma enorme rocha com inscrições talmúdicas de mais de 2000 anos de idade.

A segunda parada foi numa fenda incrível. Novamente um acampamento beduíno nos aguardava, mas dessa vez preferimos fazer o passeio primeiro para somente depois tomar o chá. A fenda era enorme, mas não conseguimos entrar muito nele, já que a frente havia uma parte para escalar, mas que não conseguiríamos sem equipamentos.

A entrada da fenda.

No caminho que se formava, vimos várias inscrições nas pedras. Uma coisa curiosa foi que a areia tinha uma cor diferente, avermelhada. Dava para ver o contraste olhando para o chão entre a areia regular, num tom bege e essa areia.

A fenda entre duas montanhas enormes.

A areia em contato com o meu tênis marrom deixou ele com a cor verde. Fiquei bem impressionado porque o verde era intenso e realmente havia mudado a cor do tênis.

Depois da visita, paramos na tenda para tomar um chá. Perguntamos sobre o itinerário e o próximo ponto para visitar não era um que estava no mapa. Queríamos ir para uma ponte de pedra que era mais distante e estava marcada no mapa. Mas um outro camarada que estava na tenda falou que visitaríamos um mais próximo.

Eu não fiquei satisfeito e falei pra ele que não era o acordado. Ele falou que se quiséssemos visitar esse ponto mais distante, deveríamos pagar mais, além do mais, o passeio já havia ultrapassado as duas horas que segundo ele, fora o tempo contratado. Nesse impasse eu falei que entendia ele mas não concordava.

Ele não entendeu isso, para ele não fazia sentido entender e não concordar. Ficamos no impasse até que eu desisti de tentar explicar para ele e seguimos com o passeio. Além do mais, horário não havia sido combinado. Comunicação, no fim, se mostrou o maior problema que tivemos na viagem.

Depois de um bom passeio de jipe, chegamos no terceiro ponto de visitação. Era uma formação rochosa que dava a impressão de ser uma ponte de pedra. Para nos liderar na subida, havia um beduíno bem novo e muito ágil. Ele subia e descia as pedras correndo, descalço e numa velocidade incrível.

Não foi difícil chegar ao topo, logo chegamos, e dali a vista do deserto também era bem legal. Incrível que com o tempo, rochas possam ser moldadas em figuras tão impressionantes.

A ponte de pedra.
Esse foi o último ponto do nosso passeio. Dali voltamos para a vila que fica na entrada do parque nacional. Eu comentei com o motorista sobre a navegação, já que ele conhecia muito bem os caminhos pelo deserto, o que para mim parecia surpreendente, já que para orientá-lo, somente via montanhas ao fundo.

Chegamos logo ao povoado e lá nos esperava nosso motorista. Seguimos em direção à Petra, novamente pela estrada, parando em alguns pontos que nos davam uma ampla visão do vale.

A caminho de Petra.
Chegamos no nosso albergue, fizemos o check in e perguntamos da janta. Ela era servida perto do horário do pôr do sol. Subimos, tomamos um belo banho e aguardamos a janta. Perto de 19:30hs a janta começou a ser posta na mesa.

Área comum onde eram servidas as refeições.

O nosso albergue tinha uma bela vista para a parte mais baixa da cidade. O jantar tinha bastante comida e o clima era bem fresco. Nos servimos como reis e começamos a comer. Bem no início da janta, ouvimos diversos chamados das mesquitas para o horário da reza.

O banquete. Na foto não aparece o arroz com frango, outra delícia.

Se eu achava que em Iafo o som era alto, aqui o som era extremamente alto. Diversas mesquitas que pareciam competir pela atençao dos fiéis entoavam o cântico de chamado à reza. Foi um espetáculo à parte, que rivalizou com o belo por do sol que pudêmos ver do nosso albergue.

O belo pôr do sol visto de nosso albergue.

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