Um ponto que chama muito a atenção em Israel é a quantidade de gente de vários lugares. O país até hoje recebe muitos imigrantes de diversas nacionalidades. A primeira lei de Israel e que consolidou o Estado como um refúgio para os judeus é a lei de Retorno. Ela prevê que todo judeu de qualquer país do mundo pode se naturalizar israelense.
Como tudo na vida, isso tem pontos positivos e negativos. O primeiro problema que ela trouxe foi que diversos cidadãos de diversos lugares do mundo que não tem identificação com o judaísmo por não pertencerem à religião vieram para cá. A questão importante não é que eles não tenham o judaísmo como religião, mas sim que eles não tem a noção de cultura por trás do judaísmo e consequentemente com o povo. Eles conseguiram cidadania por algumas falhas no processo e acabaram parando por aqui.
Fora isso há também a contratação legal de mão-de-obra estrangeira. Já vi bastantes filipinas aqui que trabalham geralmente como acompanhantes e enfermeiras de idosos. Na construção civil há romenos e chineses também.
O ponto positivo na minha opinião é ter trazido judeus de diversas origens o que torna o país interessantíssimo do ponto de vista cultural. Há judeus que vieram da Etiópia e não acreditavam que existissem judeus brancos ! Há judeus de todo o norte da África, há judeus da américa do sul (já encontrei com vários argentinos), russos também são muitos. Faz algum tempo eu li sobre judeus chineses que haviam imigrado. Imaginem tudo isso num país recém criado.
O fato de os judeus terem sido perseguidos ao longo da história traz algumas dilemas morais incríveis. O Sudão atualmente passa por um grande problema de guerra civil. A parte norte de maioria muçulmana está em guerra com a parte sul de maioria cristã.
Muitos sudaneses tentam vir ilegalmente para o país e há uma forte discussão do papel de Israel em receber os refugiados. Se por um lado Israel não tem nenhum ponto de contato seja físico ou cultural com os cidadãos sudaneses, há uma obrigação moral dos judeus de não deixarem que nenhum povo no mundo seja exterminado, já que passamos por isso diversas vezes. Esse lado solidário israelense é incrível e se reflete em outros lados da vida israelense.
Em Israel sexta pela manhã é uma espécie de sábado, porém, todas as crianças vão pra escola o que fazem com que eles estudem 5 dias e meio. Isso é bom por dois motivos: libera os pais para resolverem quaisquer problemas de compras, já que sexta pela manhã tudo está aberto e aumenta o tempo de aula dos alunos e sua preparação. Aqui em Israel, assim como no Brasil a educação é obrigatória, mas diferentemente, se os pais não põem as crianças da escola vão pra cadeia.
Isso pra mim significou que novamente acordamos cedo para levar as crianças à escola. O Flávio foi à academia e marcamos de nos encontrar na loja de telefone. Finalmente comprei o meu chip e já tenho um número aqui. Interessante é que os shoppings montam uma feira neles toda sexta onde são vendidos todos os tipos de produto. O instinto comercial está aflorado aqui. Várias comidas são vendidas, algumas bem bonitas.
Um cartaz me chamou a atenção. Era um chamado para a distribuição de novos kits de máscara e injeções contra ataques de arma biológica. A propaganda eram duas pessoas rindo felizes da vida por estarem com seus novos kits. Havia uma loja com caixas do kit e pessoas fazendo fila para conseguir seus kits. Vou ter de arrumar um desses.
O Flávio me explicou que toda vez que o exército faz essa distribuição ou substituição de kits começam a correr boatos de que haverá um ataque a algum possível alvo por parte de Israel.
Outro ponto polêmico que está rolando por aqui é que o governo botou avisos na TV dizendo que um terremoto em Israel é questão de tempo e o anúncio pede para a população se informar e tomar as providências. Agora, isso significa que tudo que está construído deve ser reconstruído com sistemas anti-terremotos. Isso custa muito dinheiro e pode custar também muitas vidas se o país não estiver preparado.
Depois do almoço fomos visitar uma espécie de instituição de amparo a crianças que têm problemas familiares. Era uma espécie de Kibutz (comunidade rural), com diversos alojamentos no qual cada um havia um grupo de crianças e um responsável. No nosso caso era um casal que morava ali mesmo.
No alojamento em que fomos está um menino que o Flávio e a Gabi fazem uma espécie de "adoção". Visitam-no com regularidade, ele vêm para a casa deles e há um grau de relacionamento. Lá jogamos bola, ficamos de papo com os meninos, visitamos os animais de uma espécie de fazendinha, e fizemos o cabalat shabbat (a cerimônia de recepção do sábado).
A estrutura do local é muito legal. Fiquei pensando em dois pontos. O primeiro que é incrível que um país que tenha sido concebido para resolver diversos problemas conviva com esse tipo de problema. Não importa o quão nobre é a intenção, sempre há alguém que não a considera e vive de sua própria maneira gerando problemas.
A segunda é que Israel é um país pequeno e o governo dá amparo aos necessitados. Já o Brasil deve ter inúmeras crianças que passam por problemas semelhantes e não tem amparo algum do Estado. Há como ter ajuda, mas sabemos que por diversos problemas de corrupção não basta querer que uma idéia dê certo e dar dinheiro para que ela aconteça. Isso me deixa muito triste, porque pior do que não ter condições, é ter condições e desviar o caminho por falta de caráter.
Depois da visita ao orfanato, fomos a um restaurante bem famoso por aqui chamado Max Brenner. Ele é um restaurante especializado em chocolate! As crianças ficam loucas com isso. A decoração do restaurante é bem legal. Há dois tonéis de "chocolate" sendo mexidos na nossa frente, destes tonéis partem canos que distribuem o chocolate por algumas torneiras de onde o chocolate é retirado.
Comemos antes de pedir as sobremesas que eram as vedetes do restaurante. De sobremesa eu pedi uma banana split em cima de um waffle. As bananas eram caramelizadas, vinha também sorvete, algumas bolinhas de chocolate e calda de chocolate numa espécie de tudo de ensaio com a base triangular. As crianças pediram pizza de chocolate para a sobremesa e a Gabi e o Flávio um preparado de chocolate com biscoito e várias outras coisas.
Chegando em casa fiz o famoso biscoitinho de queijo. As crianças me ajudaram a fazer os biscoitos e parece que também gostaram muito.
Depois disso ficamos procurando apartamento em Tel Aviv pela internet, vou tentar no domingo começar a visitar os apartamentos para já alugar algo. Quanto antes eu conseguir o apartamento, antes vou conseguir me concentrar nos estudos.

Cara, você deveria trabalhar na National Geographic, você sabe detalhar muito bem a cultura dos lugares que viaja.
ResponderExcluirAbs,
Fred
Adoro! Não pare de escrever, Dani...to me sentindo sua compnaheira de viagem
ResponderExcluirAh, aqui também é crime a recusa dos pais em matricular, injustificadamente, seus filhos na escola. (abandono intelectual, art. 246, CP).
Beijos, amigo!