Depois de dormir tão tarde, acordar não foi tarefa fácil. Mas as 8:30 eu já estava de pé. Nos arrumamos e fomos para Tel Aviv. O Flávio tirou o dia de folga e isso foi ótimo pra me ajudar no primeiro dia.
Fui conferir o plano de saúde, o Ulpan (a escola de hebraico) e fui visitar o meu amigo Leo Chanea que mora aqui. O plano está um pouco caro e vou conferir o preço no Brasil. Na quinta já faço minha prova de nivelamento. Amanhã o Leo vai me ajudar a ver moradia.
Demos uma volta pelo porto de Tel Aviv e comemos num restaurante lá. O restaurante era Kosher, por acaso, e a comida era muito gostosa. O que o Brasil é exceção parece que aqui é regra. Comi uma sopa de lentilha de entrada e um ravioli de espinafre com molho branco e de cogumelo.
Pude notar que o trânsito é caótico, nem todo mundo respeita a faixa de pedestres quando não tem sinal, eles metem o carro na frente dos outros, amam buzinar e discutir de dentro do carro. Estacionam o carro de qualquer maneira, mesmo quando as vagas são marcadas nos estacionamentos.
No Ulpan conversamos com o segurança que falava cinco línguas, menos português é claro. Falei com a senhora da recepção que respondia a tudo de maneira seca. Que horas é o teste? 9h. E assim por diante. Achei engraçado quando ela falou thursday, eu escutei saturday tamanho o sotaque. Saindo de lá fomos visitar o Leo.
Aprendi um pouco do problema com vagas em Tel Aviv. O apartamento é numa avenida que parece que era pra ser uma Boulevard, uma pista pra cada direção, um canteiro central espaçoso com faixa pra biciclete e pedrestres e ainda alguns quiosques no meio. Porém, as pessoas estacionam carros nos dois lados da rua, e acaba sobrando apenas uma faixa para transitar.
Saindo do Leo voltamos pra casa e fui com o Flávio buscar as crianças. O esquema aqui é assim: O Rafa vai à escola de manhã, e a tarde segue para o clube onde faz diversas atividades como natação, futebol, luta e outras coisas. A Bel fica o dia inteiro na creche .
Pegamos primeiro o Rafa e depois a Bel. O que me impressinou mesmo foi que depois de ficarem o dia inteiro fazendo mil coisas, chegam em casa com pique pra brincar ainda. Não sei se é porque estou aqui ou se o Flávio e a Gabi estão dando muita comida que serve de energia pra eles ; )
Nesse dia montamos dois quebra-cabeças, jogamos videogame, pintamos, jantamos e tudo mais. E no dia seguinte eles fizeram tudo novamente, ou seja, eles são assim mesmo.
A noite normalmente não jantamos, fazemos lanche. Eu uso o hummus como se fosse manteiga. Passo em todo pão não importa o que eu vou usar como recheio depois. Se por um lado eu uso hummus pra tudo, o pessoal está se esbandando com suco de caju.
O trem tinha dois andares e ia anunciando as estações, o anúncio também era feito pelo sistema de som, e como era gravado, ficava tudo bem claro. Segui até a estação central de Tel Aviv e de lá peguei um ônibus até a casa do Leo.
Fomos almoçar perto da prefeitura, nos arredores da Praça Rabin, onde o mesmo foi assassinado. Comi o famoso schnitzel com batatas e salada. O schnitzel é uma espécie de empanado de frango processado. Voltamos para o apartamento andando e conversando.
Buscamos vários apartamentos na internet, o que me jogou diretamente na realidade de como a busca não vai ser simples. Antes de chegar a Tel Aviv eu imaginava que ia encontrar uma grande metrópole com prédios enormes, mas ela não é assim. O gabarito da região perto do Ulpan (a escola de hebraico), é bem baixo. Não acredito que haja restrições, acho que apenas é assim porque os prédios são antigos.
A falta de apartamentos reflete num preço excessivamente alto para o que é oferecido. É o mercado. Dados os altos preços para apartamentos individuais estou cogitando dividir o apartamento.
Voltei pra casa por volta de 17hs. O trem da volta não era o moderno e o anúncio era feito pelo próprio condutor. Como o trem estava cheio eu não conseguia ver em que estação eu estava. Grande parte das pessoas que estava no trem era do exército.
Já notei que essa questão do conflito com outros países interfere muito no cotidiano. Por exemplo, o nome da rua do apartamento do Flávio e da Gabi chama-se Sheshet HaIamim, ou Seis Dias, em referência à guerra de 67. E no mesmo dia que eu cheguei aconteceu um teste das sirenes da cidade. Os soldados estão por todas as partes. É incrível como são novos, são crianças de 18 anos.
Cheguei em casa perto das 18:30 e fiquei de papo com o Flávio e a Gabi. Conversamos sobre o fato de eu ter achado que Tel Aviv tem muitos prédios antigos, alguns em estado deplorável. Eles me lembraram, então, que o país é realmente muito novo. Começou praticamente sem recursos e com uma mentalidade comunista. As gerações antigas achavam uma afronta a ostentação de luxo. E isso está começando a mudar agora que os israelenses têm andado pelo mundo.
Faz sentido quando você pensa no contexto e somente nos 60 anos do país. Outro ponto que eles comentaram é que eles vêem tudo mundando por aqui. O caminho de trem desde Kfar Saba até Tel Aviv mudou muito segundo a Gabi. Antes não havia nada, agora eu vejo o caminho cheio de vegetação, é realmente incrível o que eles estão fazendo aqui.
Outro exemplo era de um cruzamento que eles sempre passavam, e sempre dava problema, engarrafamento, uma confusão tremenda. E depois de um tempo começaram obras de viaduto, tunel e resolveram o problema. De fato isso é muito empolgante. Imagina aquele cruzamento da Radial Oeste perto da alça pra São Cristóvão. Eu lembro de problemas ali desde que eu tenho 8 anos de idade, desde que eu ia pro TTH, e até hoje é uma zona.
Como o Flávio ia a academia tentei ir comprar um chip de telefone pré-pago com ele no shopping. O resumo é que não consegui comprar. Não há a cultura do pré-pago aqui, bem diferente do Brasil onde a maioria das pessoas utiliza esse tipo de celular. O chip ainda não estava no estoque e não pude comprar.
Depois que o Flávio voltou da academia fizemos o lanche. Hoje fiz o teste de nivelamento de hebraico e por isso ontem fui dormir cedo. Encontrei muita gente do exército indo pra Tel Aviv no trem e depois no ônibus. Ver inúmeras pessoas armadas com rifles apontando pra todos os lados, inclusive pra você, é perturbador. São todos os tipos de pessoas, raças, são homens e mulheres, algumas delas até usam maquiagem o que faz a cena mais estranha.
Porém prefiro que algumas pessoas que apesar de jovens tem boa instrução armadas (e com elas descarregadas) do que PMs no Rio com as armas carregadas andando com elas pra fora dos carros.
No ponto de ônibus vieram falar comigo em hebraico, em todo lugar que eu vou me confundem com alguém local. Hoje é quinta, o que aqui significa sexta-feira aqui, a semana é defasada de um dia, a semana começa no domingo, que em hebraico se chama Iom Rishon, ou primeiro dia, o que faz sentido né !
O que talvez me complique é o fato de não ter transporte público nem sexta nem sábado, isso vai ser um problema enorme, já que eu não tenho carro e vou querer fazer coisas nos finais de semana. Vamos ver como resolverei isso.
Fiz o teste de nivelamento hoje, fiquei feliz porque consegui ler o hebraico sem os pontinhos. No hebraico, as vogais são indicadas por pontos debaixo das letras, porém, pude perceber, isso é coisa de criança bem no início da alfabetização.
Foi bom ler e conseguir entender, e mais ainda, ser canhoto aqui é muito bom ! Escrevemos da direita para a esquerda e eu vejo as letras aparecendo! Quando terminei o teste, a mulher que nos aplicou falou que tudo que eu respondi acertei, bom quase tudo. Segunda tenho a aula pra ver se me sinto confortável.
Caminhando na volta encontrei algo que eu só poderia ver em Israel, uma loja de tapetes persas chamada Iran Carpets Bazar, na esquina da rua Ben Gurion. Depois de encontrar com o Leo fomos comer o Hummus Full. Fotinho abaixo.
Ontem tivemos uma interessante conversa acerca do animal peru. Qual o problema dele? Em português é um país (Peru) e um animal. Em inglês Turkey é peru e Turquia, agora encostem. Em hebraico o animal peru se chama hodu, e pasmem, Hodu em hebraico é Índia !
Achei isso uma piada pra um país que sofre por falta de espaço. Aliás, por ser tão pequeno, o que nós classificamos como bairro eles chamam de cidade. Na própria cidade do Flavio, Kfar Saba, há um ponto onde três cidades se encontram. A própria estação onde eu pego trem se chama HodHasharom, uma cidade colada em Kfar Saba.
No Ulpan conversamos com o segurança que falava cinco línguas, menos português é claro. Falei com a senhora da recepção que respondia a tudo de maneira seca. Que horas é o teste? 9h. E assim por diante. Achei engraçado quando ela falou thursday, eu escutei saturday tamanho o sotaque. Saindo de lá fomos visitar o Leo.
Aprendi um pouco do problema com vagas em Tel Aviv. O apartamento é numa avenida que parece que era pra ser uma Boulevard, uma pista pra cada direção, um canteiro central espaçoso com faixa pra biciclete e pedrestres e ainda alguns quiosques no meio. Porém, as pessoas estacionam carros nos dois lados da rua, e acaba sobrando apenas uma faixa para transitar.
Saindo do Leo voltamos pra casa e fui com o Flávio buscar as crianças. O esquema aqui é assim: O Rafa vai à escola de manhã, e a tarde segue para o clube onde faz diversas atividades como natação, futebol, luta e outras coisas. A Bel fica o dia inteiro na creche .
Pegamos primeiro o Rafa e depois a Bel. O que me impressinou mesmo foi que depois de ficarem o dia inteiro fazendo mil coisas, chegam em casa com pique pra brincar ainda. Não sei se é porque estou aqui ou se o Flávio e a Gabi estão dando muita comida que serve de energia pra eles ; )
Nesse dia montamos dois quebra-cabeças, jogamos videogame, pintamos, jantamos e tudo mais. E no dia seguinte eles fizeram tudo novamente, ou seja, eles são assim mesmo.
A noite normalmente não jantamos, fazemos lanche. Eu uso o hummus como se fosse manteiga. Passo em todo pão não importa o que eu vou usar como recheio depois. Se por um lado eu uso hummus pra tudo, o pessoal está se esbandando com suco de caju.
No dia seguinte acordei mais tarde e me preparei para ir A Tel Aviv. Fiz a agenda, mapas, botei a roupa pra lavar, tomei café e esperei o horário. Fui trocar dinheiro e andei até a estação. A preocupação com segurança se reflete em tudo aqui. Pra entrar na estação passei por um aparelho de raio-x. Estava em cima do laço e foi o tempo de entrar no trem e ele partir.
O trem tinha dois andares e ia anunciando as estações, o anúncio também era feito pelo sistema de som, e como era gravado, ficava tudo bem claro. Segui até a estação central de Tel Aviv e de lá peguei um ônibus até a casa do Leo.
Fomos almoçar perto da prefeitura, nos arredores da Praça Rabin, onde o mesmo foi assassinado. Comi o famoso schnitzel com batatas e salada. O schnitzel é uma espécie de empanado de frango processado. Voltamos para o apartamento andando e conversando.
Buscamos vários apartamentos na internet, o que me jogou diretamente na realidade de como a busca não vai ser simples. Antes de chegar a Tel Aviv eu imaginava que ia encontrar uma grande metrópole com prédios enormes, mas ela não é assim. O gabarito da região perto do Ulpan (a escola de hebraico), é bem baixo. Não acredito que haja restrições, acho que apenas é assim porque os prédios são antigos.
A falta de apartamentos reflete num preço excessivamente alto para o que é oferecido. É o mercado. Dados os altos preços para apartamentos individuais estou cogitando dividir o apartamento.
Voltei pra casa por volta de 17hs. O trem da volta não era o moderno e o anúncio era feito pelo próprio condutor. Como o trem estava cheio eu não conseguia ver em que estação eu estava. Grande parte das pessoas que estava no trem era do exército.
Já notei que essa questão do conflito com outros países interfere muito no cotidiano. Por exemplo, o nome da rua do apartamento do Flávio e da Gabi chama-se Sheshet HaIamim, ou Seis Dias, em referência à guerra de 67. E no mesmo dia que eu cheguei aconteceu um teste das sirenes da cidade. Os soldados estão por todas as partes. É incrível como são novos, são crianças de 18 anos.
Cheguei em casa perto das 18:30 e fiquei de papo com o Flávio e a Gabi. Conversamos sobre o fato de eu ter achado que Tel Aviv tem muitos prédios antigos, alguns em estado deplorável. Eles me lembraram, então, que o país é realmente muito novo. Começou praticamente sem recursos e com uma mentalidade comunista. As gerações antigas achavam uma afronta a ostentação de luxo. E isso está começando a mudar agora que os israelenses têm andado pelo mundo.
Faz sentido quando você pensa no contexto e somente nos 60 anos do país. Outro ponto que eles comentaram é que eles vêem tudo mundando por aqui. O caminho de trem desde Kfar Saba até Tel Aviv mudou muito segundo a Gabi. Antes não havia nada, agora eu vejo o caminho cheio de vegetação, é realmente incrível o que eles estão fazendo aqui.
Outro exemplo era de um cruzamento que eles sempre passavam, e sempre dava problema, engarrafamento, uma confusão tremenda. E depois de um tempo começaram obras de viaduto, tunel e resolveram o problema. De fato isso é muito empolgante. Imagina aquele cruzamento da Radial Oeste perto da alça pra São Cristóvão. Eu lembro de problemas ali desde que eu tenho 8 anos de idade, desde que eu ia pro TTH, e até hoje é uma zona.
Como o Flávio ia a academia tentei ir comprar um chip de telefone pré-pago com ele no shopping. O resumo é que não consegui comprar. Não há a cultura do pré-pago aqui, bem diferente do Brasil onde a maioria das pessoas utiliza esse tipo de celular. O chip ainda não estava no estoque e não pude comprar.
Depois que o Flávio voltou da academia fizemos o lanche. Hoje fiz o teste de nivelamento de hebraico e por isso ontem fui dormir cedo. Encontrei muita gente do exército indo pra Tel Aviv no trem e depois no ônibus. Ver inúmeras pessoas armadas com rifles apontando pra todos os lados, inclusive pra você, é perturbador. São todos os tipos de pessoas, raças, são homens e mulheres, algumas delas até usam maquiagem o que faz a cena mais estranha.
Porém prefiro que algumas pessoas que apesar de jovens tem boa instrução armadas (e com elas descarregadas) do que PMs no Rio com as armas carregadas andando com elas pra fora dos carros.
No ponto de ônibus vieram falar comigo em hebraico, em todo lugar que eu vou me confundem com alguém local. Hoje é quinta, o que aqui significa sexta-feira aqui, a semana é defasada de um dia, a semana começa no domingo, que em hebraico se chama Iom Rishon, ou primeiro dia, o que faz sentido né !
O que talvez me complique é o fato de não ter transporte público nem sexta nem sábado, isso vai ser um problema enorme, já que eu não tenho carro e vou querer fazer coisas nos finais de semana. Vamos ver como resolverei isso.
Fiz o teste de nivelamento hoje, fiquei feliz porque consegui ler o hebraico sem os pontinhos. No hebraico, as vogais são indicadas por pontos debaixo das letras, porém, pude perceber, isso é coisa de criança bem no início da alfabetização.
Foi bom ler e conseguir entender, e mais ainda, ser canhoto aqui é muito bom ! Escrevemos da direita para a esquerda e eu vejo as letras aparecendo! Quando terminei o teste, a mulher que nos aplicou falou que tudo que eu respondi acertei, bom quase tudo. Segunda tenho a aula pra ver se me sinto confortável.
Caminhando na volta encontrei algo que eu só poderia ver em Israel, uma loja de tapetes persas chamada Iran Carpets Bazar, na esquina da rua Ben Gurion. Depois de encontrar com o Leo fomos comer o Hummus Full. Fotinho abaixo.
Ontem tivemos uma interessante conversa acerca do animal peru. Qual o problema dele? Em português é um país (Peru) e um animal. Em inglês Turkey é peru e Turquia, agora encostem. Em hebraico o animal peru se chama hodu, e pasmem, Hodu em hebraico é Índia !

Dani todos me confundiam também,não sei porque...rsrsrs
ResponderExcluirMeus sobrinhos estão lindos né!!!!
Bjs em todos!!!
Ahahahahah... Muito boa a observacao do Peru...
ResponderExcluirQuanto a loja do Iran, parece que voce nunca foi a Mendes! Meu pai vive no bar do Iran po!
Aproveita aih!
Abs
TM
Sensacional o parágrafo sobre o peru! Hahahaha!
ResponderExcluirBoa Levitan!!! Hummus Full? Muito bom!!! Abs
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