sábado, 26 de fevereiro de 2011

Jerusalém

Acordamos um pouco mais tarde do que o habitual, mas não tão tarde assim. As crianças estão acostumadas a acordar cedo todos os dias, ou seja, no único dia em que não têm de acordar cedo, acordam cedo. Eu por costume durmo pouco, indo dormir pouco antes de meia-noite, inevitavelmente até as 8 estou de pé. 

Porém, todos acordamos e ficamos a manhã enrolando, tomamos café um pouco mais tarde e por volta de meio-dia estávamos prontos para fazer o nosso passeio. O destino era Jerusalém, uma cidade que quando  visitei pela primeira vez tinha 16 anos. 

Eu me lembro bem que naquela vez em que passei por volta de 1 semana não vi o sol nenhum dia, mas lembro bem o impacto da aura da cidade em mim como judeu. Do ponto de vista religioso a cidade tinha me impressionado, tinha algo no ar que remetia à espiritualidade.

O caminho foi tranquilo até a cidade, na beira de estrada havia bastante vegetação, carros indo e vindo, a sensação de um dia plausível de se viajar. Quando nos aproximamos de Jerusalém resolvemos visitar o Monte Scopus antes. É nele que fica a universidade de Jerusalém e de lá temos uma bela vista da cidade. Porém, não pegamos a entrada que indicava o caminho para o monte, tivemos de refazer o caminho quando já na direção de Jerusalém. 

Não há problema com um GPS no carro, o grande problema foi que por acaso caímos numa área bem religiosa da cidade onde não víamos carro algum. Começamos a comentar sobre isso, vimos umas pessoas ou outras nos olhando de maneira estranha até que um camarada ameaçou jogar uma pedra na gente. 

O Flávio deu uma acelerada até que encontramos outros carros. O GPS não indica quando tem obras na estrada, e também não indica quando tem malucos no caminho. Algumas áreas da cidade ficam interditadas pela polícia para evitar que façamos exatamente o que fizemos, mas não era o caso deste caminho.

Após esse quase-incidente chegamos à entrada da cidade velha. Já bem mais movimentada, com vários turistas. Paramos o carro e fomos andando pelo bairro Armênio. O frio em relação à região de Tel Aviv é mais intenso em decorrência da altitude de Jerusalém, e além disso, ventava bastante por lá.

A cidade velha de Jerusalém tem uma aura antiga. Eu gosto de lugares assim. Caminhar por pequenas ruas me faz pensar em como surgiu a civilização, exatamente nesta região. Proteção contra animais, contra os outros, lugar para guardar víveres. Não parece nem um pouco diferente do que temos hoje, mas numa escala bem menor você pode viver isso de maneira intensa.


Entramos pelo Portão de Jaffa na região que é chamada de Bairro Armênio. Aliás, a cidade velha é dividida em quatro bairros. O Judeu, o Critão, o Armênio (Critão Ortodoxo) e o Árabe. No bairro armênio vi alguns cartazes onde os armênios pediam o reconhecimento do genocídio que alegam ter sido causado pelos turcos. É um ponto de atenção esse tema já que o assunto é recorrente na história política de Israel e dos judeus.

Caminhamos por parte do bairro Armênio até o bairro judeu. É lá onde fica o Muro das Lamentações, ou Muro Ocidental. Esse muro é o remanescente dos muros de proteção que circundavam o Templo. O local onde fica a mesquita de Omar é justamente onde estaria o Templo, daí tanta disputa por esse local. 

Apesar de uma vista linda, a sensação que tive não se aproxima nem um pouco do que foi há 13 anos atrás. Isso é reflexo de como nossa cabeça muda ao longo dos anos, de como os pensamentos variam e de como vamos nos transformando.


Além da mesquita de Omar que é a que tem a redoma de ouro, há também a mesquita de Al-Aksa, que tem a redoma de prata e ainda outra construção, com a cúpula branca. É uma visão bem legal. 


 

Dei uma volta pela área antes de entrar propriamente na região onde os religiosos rezam. Caminhei até o Muro, antes entrei numa sinagoga que fica à esquerda. Estava cheia mas não lotada. Gostei de ver pessoas de diferentes religiões caminhando por todos os lados.


Saímos com o objetivo de fazer algum trecho de caminhada perto das muralhas da cidade, conseguimos por um curto período. Depois entramos pela cidade por suas ruas estreitas para fazer um caminho diferente. Vimos um ritual de uma seita síria cristã e depois seguimos pelas ruas. Chegamos ao shuk (feira) árabe. O shuk é realizado numa rua estreita cheia de lojas que são muito coloridas exibindo diversos produtos bem diferentes. É uma sinestesía completa devido aos aromas e cores espalhados por todos os lados.



Assim encerramos o nosso passeio pela cidade velha de Jerusalém. Ainda não fui à mesquita alguma, vou tentar ir em uma próxima oportunidade.

Seguimos para um bairro ainda da municipalidade de Jerusalém mas um pouco mais afastado chamado En Kerem (ou Ein Kerem). O bairro é majoritariamente católico e cheio de igrejas nas montanhas, eu nunca tinha ido lá e gostei bastante.


Fomos comer num restaurante de massas que além de diversas massas, tinha sorvetes bem legais. Pedimos de entrada uma "Floresta de Cogumelos", saborosa mas em quantidade reduzida, e uma Foccacia de entrada. 


Eu comi um macarrão quatro queijos, que tinham queijos diferentes do que aqueles que encontramos no Brasil. No final, ao invés de tomar café, já que não sou chegado, tomei o Sahlab (lê-se Sarlab). É um preparado de leite que lembra um mingau, no qual ainda é adicionado uma essência de pétalas de rosa e com umas nozes por cima. Você mistura tudo e o gosto é bem interessante. Ele é servido numa caneca transparente.

4 comentários:

  1. Mingau com pétalas de rosas ?? Aonde foi que eu errei?

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  2. Depois de tantos anos o Flávio continua fazendo as mesmas coisas!!!!Quando eu fui para aí,ele também errou o caminho e quase acertaram a gente..rsrsrs

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  3. A última foto aí peguei na internet daqui: http://arabic-food.blogspot.com/2009/11/sahlab-oriental-sahlab.html

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