Na semana passada peguei uma chuva torrencial em Tel Aviv. No caminho já vi o que seria, a previsão do tempo já tinha avisado, então eu fui com meu casaco impermeável. Esse casaco é excelente porque além de impermeável, ele corta o vento mas não esquenta muito.
O caminho até o ônibus foi tranquilo, chuva moderada. Mas dentro do ônibus vi que o negócio foi apertando. Na rua corriam rios de água, o trânsito que normalmente já é mal educado piorou bastante. Os sinais eram respeitados esporadicamente, os pedestres não tinham preferência alguma e os carros passavam sem critérios pela água jogando-a em todas as direções, inclusive pra calçada, molhando a todos.
No meio de todo esse caos vi um religioso passando pela rua com o chapéu envolto num plástico. Sim, o chapéu ia na cabeça do sujeito. Que coisa mais curiosa, mas sintetiza bem o que é Tel Aviv.
Antes de sair do ônibus, coloquei a mochila e depois vesti o casaco, assim protegi os livros. Malandragem de anos de chuvas torrenciais no Rio. Peguei muita chuva até o Ulpan, minha calça estava completamente molhada. Salvei o tênis até chegar à rua do Ulpan, pisei numa poça e senti instantaneamente a água gelada tocar no pé. Essa sensação é extremamente desagradável porque você sabe que pode ser que o dia inteiro fique com o pé molhado.
No dia seguinte apareceu um uruguaio no curso que estava vindo pelo MASA, o programa que eu viria mas que decidi não utilizar. Visitei as instalações oferecidas e ainda bem que não vim por ele. As condições eram aquém do que eu queria.
Na quarta a noite comecei a sentir uma dor estranha na barriga, comecei a passar mal um pouco mais tarde. Segundo os meus primos, quase todo mundo que vem pra Israel, uma hora ou outra acaba contraindo algum vírus desconhecido de nosso corpo e a reação é essa. Dores e banheiro. Muito banheiro. Quase não dormi a noite e na manhã seguinte foi meu cômodo predileto.
Felizmente melhorei após o almoço e consegui me recuperar para as atividades do fim de semana. Na sexta as crianças tem as atividades normais, então, como de costume acordamos cedo. Fiquei em casa até a hora de buscar as crianças na escola. Depois de tanto tempo em casa eu precisava sair um pouco.
Por estes dias chega a festa de Purim na qual as pessoas se fantasiam. Fui conferir as fantasias com o Flávio e o Rafa. Eu não achei nada que fosse legal por um preço que me satisfizesse. Voltamos pra casa por volta de 15hs para o almoço.
Depois do almoço limpamos a casa. Eu gosto de fazer isso. Acho muito importante pra manter a humildade e também pra valorizar os trabalhos que se valem do esforço físico. No Brasil é incomum e existe um preconceito com respeito a esse tipo de atividade.
Mas em outros países como EUA, na Europa e pelo que vejo aqui, o serviço é caro e muita gente opta por não ter ninguém entrando em suas casas. Inclusive lembro de ter visto isso numa reportagem sobre os congressitas na Suécia. Além de todo esse lado, gosto de fazer um trabalho físico para compensar o fato de só fazer coisas usando o cérebro.
Uma coisa relacionada a isso que acho muito legal que há nos EUA é que a partir de 16 anos, nas férias, ao invés de ficar 3 meses à toa, as pessoas trabalham nos mais diversos tipos de trabalho. Além de ganhar responsabilidade faz muito bem ao ego de todos.
Já sábado, pela manhã fomos jogar bola na escola do Rafa. Imaginem 6 crianças de 7 a 12 anos de cada lado, mais eu e o Flávio. Corrida alucinada das crianças, comecei no gol e quando fui pra linha vi que andava cansado.
Na mesma tarde visitamos a Tia Mimi, irmã da minha avó Fina, mãe do meu pai. Ela mora em um Kibutz, mais ao norte do país, perto de Haifa. Viajamos uma hora e já estávamos no norte do país, perto do Líbano, a questão de dimensão é bem relevante por aqui e nos deixa, brasileiros, bem confusos dado o tamanho continental de nosso país.
Antes de ir ao Kibutz dela, passamos pelo templo Baha'i que fica em Haifa, bem perto do Kibutz. O lugar é bem bonito, mas a visitação ao interior só marcando. Aproveitamos para visitar os jardins. Confesso que só sei que esta fé existe porque sabia da existência deste templo em Israel.
De lá seguimos para o Kibutz da tia Mimi. O fato interessante é que a Gabi fez um bolo pra levar pra tia Mimi. Adivinhem quem carregou o bolo no colo durante a viagem inteira?
A história dos Kibutzim é bem interessante. Veio da necessidade de estabelecer colônias agrícolas em um país recém criado. A idéia era de uma vida em comunidade, com todos ajudando em todas as tarefas. Essa idéia soou muito bem para a URSS que criou uma certa empatia ao Estado Judeu no início de sua existência.
Atualmente nem só de agricultura vivem os Kibutzim. O da tia Mimi tem uma fábrica de farinha e também é sede da empresa Cromagen, que fabrica sistemas de aquecimento de água baseado em painéis solares.
Além desse lado econômico, há muita vida social por lá. Vimos que depois do almoço eles se reúnem e por acaso, neste dia algumas crianças estavam apresentando algumas músicas para uma pequena platéia.
Também há aula de diversos assuntos. A tia Mimi pintou quase todos os quadros da casa dela. Também faz cerâmica e vi algumas obras dela. E neste mesmo dia, ela andava pela manhã numa reunião com outras senhoras. A vida é intensa!
Além desse lado econômico, há muita vida social por lá. Vimos que depois do almoço eles se reúnem e por acaso, neste dia algumas crianças estavam apresentando algumas músicas para uma pequena platéia.
Também há aula de diversos assuntos. A tia Mimi pintou quase todos os quadros da casa dela. Também faz cerâmica e vi algumas obras dela. E neste mesmo dia, ela andava pela manhã numa reunião com outras senhoras. A vida é intensa!
A tarde foi bem agradável, conversamos bastante e ela contou uma história muito legal do irmão mais velho delas, o tio Max. Tio Max sempre foi uma pessoa bem inteligente e perspicaz. Em 1933 quando o regime nazista se instalou na Alemanha o meu bisavô Miguel viu que a situação não era favorável e resolveu sair de lá.
Mas não era mais permitido aos judeus o livre trânsito pra fora da Alemanha. Nesse contexto a idéia que ele teve com a minha bisavó Carolina foi sair sem pertence algum, não a família toda pra não chamar atenção. A fronteira escolhida foi a da Bélgica.
O bisavô Miguel foi com o tio Maurício antes do resto da família para testar o processo. Depois teve um grupo formado pela bisavó Carolina, minha avó Fina que tinha entre 9 e 10, a tia Mimi, na época com 14 anos e a tia Ana, então um bebê de colo. Elas com o pretexto de fazer um pique-nique atravessaram a fronteira.
Agora, a história mais interessante é a do tio Max. Ele calhou de cair exatamente no local de controle de passaportes. Ele obviamente não tinha documentação nenhuma com ele e os guardas o perguntaram o que ele estava fazendo. Ele falou que tinha ido visitar a avó na Alemanha e estava voltando. Os guardas o insultaram, falaram que uma criança não podia estar sozinha e o mandaram de volta pra Bélgica, de onde ele não devia ter saído !
No domingo fui cortar o cabelo. Cortar cabelo fora do país é sempre uma aventura. Além da falta de precisão dos termos técnicos pela barreira linguística, ainda há a barreira da moda local.
A primeira experiência negativa que eu tive foi na Argentina onde a barreira da língua era quase inexistente, mas a cultura local com respeito a cabelo é bem diferente da nossa. O cara conseguiu fazer inúmeros buracos no cabelo que até hoje eu não entendo bem.
Depois houve uma experiência na Polônia, na qual a mulher que cortou o meu cabelo não falava nada a não ser polonês. Imaginem eu pedindo através de gestos que eu queria meu cabelo curto, cortado com tesoura. Consegui mas foi dramático.
Agora, o que eu vivi aqui foi algo muito diferente. O salão era pequeno, quase sem divisões e os caras ofereciam todos os serviços. Eu lembrei imediatamente de Zohan, aquele filme com o Adam Sandler. O sotaque do cara falando inglês, a maneira de saudar as pessoas quando elas entravam no salão, obviamente interrompendo o corte, enfim, tudo era caricato demais.
Quando eu tentei dar as indicações o cara com aquele sotaque carregado no erre me disse: "Don't woRRRy my friend, no pRRRoblem". A primeira coisa que ele fez foi passar a máquina com menor corte na lateral, imediatamente eu já sabia que não era boa coisa.
Depois ao invés de cortar com tesoura o lado, ele media com o pente e passava a máquina. No final o cabelo ficou parecendo o cabelo que os russos aqui usam. Agora além de cara de gringo, tenho cabelo de russo.
Já fiz duas tentativas de fazer um mousse, agora, é bem difícil adaptar receitas aos ingredientes locais quando eles são industrializados. Dessa vez o mousse ficou com cara de mousse, mas muito mole.
Descobri também que se você quiser fazer um plano de saúde com uma empresa brasileira tem de estar no Brasil para fazê-lo, não pode estar em trânsito. Isso me deixou a única possiblidade de fazer com empresas daqui que não estão bem dispostas a fazê-lo, vamos ver como resolvo isso.
Hoje de manhã no trem vi uma cena bem curiosa. Um camarada de uns 45 ou 50 anos sentou na minha frente. Ele tinha a cara igual ao de Abraham Lincoln, o penteado igual, tinha até barba, a diferença era que ele também usava bigode.
O curioso mesmo foi quando o telefone tocou e soou aquela entrada irada de Purple Haze. Achei fenomenal, e o que veio depois foi sensacional, o cara começou a falar em russo. Ele saiu na estação da universidade, tinha toda a cara de professor mesmo.

Levi, muito boa a historia do cabelo... passei por processo similar na Franca.. o pior foi que paguei uma fortuna em euros.. mas depois de ir ao 4 salao, acabei escolhendo o que tinha as funcionarias mais bonitas.. se elas estavam felizes com o corte, quem era eu pra nao gostar.. hehe.. a voz do povo, eh a voz de D'us..
ResponderExcluirabraco e divirta-se!!
Leo Shor
Subí una foto de tu nuevo corte de pelo!!!
ResponderExcluirDani,
ResponderExcluirAdorei saber que vc passou no templo Bahá'í. Já tive contato com a fé e é muito interessante. Os bahá'ís são pessoas boníssimas.
Adorei a história de sucesso (de fuga) da sua família também.
beijão