O calor aqui ainda não deu as caras, mas os dias tem ficado menos frios. Já tem uns dois dias que caminho no sol e sinto que não vai ser fácil o verão. O sol queima seriamente. Quinta senti isso voltando do Ulpan pra casa, mas ontem foi pior.
O trânsito é uma loucura. Já presenciei diversas discussões. As pessoas batem boca na janela, uma olhando pra outra cara a cara. Também na rua já vi isso. Onde já se viu ficar falando à 10 centímetros de distância, esbravejando.
Quinta depois do Ulpan fui até Yaffo ver se encontrava uma fantasia legal. Aqui além dos ônibus você pode pegar também umas vans. Elas fazem quase o mesmo caminho dos ônibus, custam o mesmo e param em qualquer lugar.
Eu fui no banco da frente. É costume aqui as pessoas passarem o dinheiro pra frente pra você pagar ao motorista. Sinceramente, porque as pessoas já não entram com o dinheiro trocado? Porque ficam enchendo os outros para passar moeda? Eu por acaso tenho cara de trocador?
Esse é o princípio que eu adoraria que usassem por aí no trânsito. Imagine sempre que a pessoa que está atrás de você está prestes a parir, você vai ficar murrinhando na frente dela? Seja rápido, respeite os outros. Não gaste o tempo dos outros à toa. Seja solidário com o tempo alheio !
Na van tinham umas meninas falando inglês e hebraico sem sotaque algum. Ou pelo menos eu não percebi. Isso aqui é uma verdadeira babel. Tu escuta todos os tipos de idiomas, de todos os lados. É bem interessante. A quantidade de gente que fala diversos idiomas impressiona. Você escuta de todo, em todos os lugares.
Em Yaffo há uma rua onde se concentram as lojas. Pra começar, a impressão que eu tive de Yaffo é que tem ruas menores, mais próximas umas das outras, mais cara de centro. Mas eu estive somente na parte do comércio, então não podia falar muito. A rua onde ficavam as tais lojas não era extensa, e tampouco eram numerosas as lojas. Entrei em algumas, esperando até em fila do lado de fora, mas não achei nada fora do comum. Estava sem fantasia.
Resolvi voltar à feira de Tel Aviv (Shuk Carmel), e acabei comprando a fantasia do Leo, que tinha ficado em casa porque teve que resolver uns problemas pessoais. Engraçado, quinta com clima de sexta e tudo funcionando com o pessoal querendo ir pra casa.
Voltei andando do Shuk para o shopping, sabia que no caminho encontraria um chapéu verde que eu queria comprar pra fantasia que eu queria armar. Consegui comprar o chapéu e dali fui buscar suspensórios. Não encontrei no shopping, entrei numa loja na rua e a vendedora indicou uma loja no shopping. Ela indicou a loja mais cheia do shopping com fila pra entrar. Fila não, porque israelense não faz fila. Era uma zona pra entrar, e eu consegui de fora saber que não havia o suspensório da cor que eu queria.
De saco cheio resolvi voltar pra casa, tomar um banho, já que a noite iria jantar com a família do Flávio, em motivo de seu aniversário. Esperando o ônibus na rua Dizengoff vi um camarada falando em árabe pelo celular. Falando não, discutindo ou brigando com alguém. Que cena engraçada, porque as palavras que ele pronunciava eram muito engraçadas, e repetia uns fonemas usando r e l, o que dava um som muito engraçado. Fiquei rindo sozinho no ponto de ônibus.
Cheguei em casa, tomei banho e logo em seguida o Flávio apareceu aqui pra me buscar. Fomos ao Kimel em Tel Aviv, um restaurante gourmet muito bom. A decoração era incrível, parecia uma casa do interior do Brasil, com fogão antigo, móveis antigos, toda de madeira. Os vegetais e legumes ficavam no salão, clima bem agradável.
Os garçons falavam ótimo inglês e os pratos eram excelentes. Eu pedi um Beef com Fois Gras, purê de batatas ao molho de pimenta. Eu e a Gabi dividimos um vinho israelense muito bom. Depois dessa comilança pedimos 3 sobremesas para dividir. Uma melhor que a outra. Foi uma janta pra lembrar das ótimas refeições que eu tive na França.
O Flávio me deixou em casa e me ajudou a subir com as malas. Era minha mudança. Duas malas. O ser humano precisa de pouca coisa pra ser feliz. E nos acostumamos com condições diversas muito facilmente. A Gabi me emprestou um livro muito legal, é a biografia do Menahen Begin, que foi primeiro ministro de Israel.
Ele ficou preso na Rússia e comentou isso exatamente depois que ficou 7 dias e 7 noites confinado na solitária com condições precárias de higiene. Ele falou que o ser humano nessa situação clama por voltar à situação anterior, que era de prisão, restrição de liberdade, mas mesmo assim, preso.
Ele fala o seguinte: "Talvez não existam graus de felicidade, mas existem certamente os de sofrimento. Fazendo-se descer um homem ao primeiro grau de sofrimento, aspirará voltar ao ponto de partida. Mas, se continua descendo a escala de sofrimento, não desejará voltar ao estágio de 'não sofrimento', mas ao anterior, ao de 'sofrimento menor'".
Dormi cedinho nessa noite porque no dia seguinte iria encontrar com o Flávio e a Gabi para tomar café. Cheguei cedo em Kfar Saba. Tel Aviv estava deserta às 6:30 da manhã da sexta. Ou seja, do que seria o sábado. Fui cedo logo ao correio buscar o livro que eu tinha comprado da Amazon: 501 Hebrew Verbs. Aproveitando o momento e o frete comprei mais outros livros: Astronomy for Dummies, Ghoust Train to the Eastern Star e How To Brew ! Foi uma boa compra.
Tomamos café-da-manhã no Reviva ve Celia em Ramat HaSharon. O lugar é excelente, já era conhecido e ficou mais conhecido depois de um programa do tipo reality show aqui chamado Master Chef. Pedimos o café-da-manhã livre. Tudo muito saboroso. Ovos, diversos tipos de queijo, um cereal que parece ter sido feito lá, uma bebida quente e outra fria. Tudo muito bom mesmo.
De lá voltamos à Kfar Saba para buscar as crianças. Antes consegui passar em algumas lojas e terminar minha fantasia. Comprei um suspensório e uma meia alta. Pronto, vou de alemão da Baviera ! Buscamos as crianças e fomos ao shopping.
| Oznei Haman (orelhas de Haman), doce tradicional de Purim. |
Limpamos a casa e arrumamos tudo para receber uns amigos do Flávio. Por coincidência ele conhecia quase todo mundo que eu conheço aqui. É incrível como os brasileiros aqui se conhecem todos. Ficamos a tarde inteira por lá. E a noite rolou o lanche. Pra variar, muita comida.
O Flávio me trouxe a Tel Aviv, já tarde. É bem relax essa hora da noite. Fui dar uma volta no porto e percebi que estou muito perto de boa parte da vida noturna de Tel Aviv. Voltei pra casa e fui dormir, estava muito cansado.
| Esquina de onde estou morando. Essa é uma das entradas do Namal (o porto que foi reformado). |
Acordei cedo no sábado e fui ler um pouco do livro. Marquei com o Mauricio e com o Marcelo de passear na praia. O passeio foi irado. Fomos à Yaffo que é bem interessante. A cidade é incrível, tem a parte velha que é muito legal. Passamos por umas escadarias, tudo bem interessante, sempre feito daquela pedra bege.
| Ao fundo, a cidade velha de Yaffo. |
| Piquenique em Yaffo com vista para Tel Aviv. Na verdade esse pessoal aí tinha feito um queijos e vinhos ! |
| Parece cenário de Aladdin. |
Aliás, isso me incomoda um pouco aqui. Tudo é bege. Não tem cor. Monótono, ou melhor, monocromático. Mas o passeio foi bem legal. Andamos por toda a extensão da praia de Yaffo à Tel Aviv e de volta à Yaffo. Passei por várias praias. Descobri que o frescobol é bem famoso aqui. Jogam desde os anos 60 e é tanta gente jogando que o barulho é uma espécie de sinfonia na praia.
Comemos no Abulafia, não sentamos, pedimos apenas um Schawarma. Eu quero voltar nesse restaurante. Ele é bem antigo e bem tradicional por aqui. Vi vários pratos saborosíssimos e apetitosos. Não dá pra não comer nele. Mas não pode ser em feriado porque enche muito.
Andamos bastante por Tel Aviv e Yaffo indo e voltando. Conheci diversas praias, o programa tradicional do turista. Por ser Purim tem muita gente fantasiada pelas ruas.
A noite fomos passar o Purim em Yaffo. Foi bem legal, apesar de não estar muito cheio. Recentemente saiu uma lei aqui em que as pessoas não podem beber na rua e nem comprar álcool depois das onze da noite. Há sentido na medida, torna as coisas mais controladas. Às vezes para o bem coletivo são necessários alguns sacrifícios nas liberdades individuais.
| Interior de uma mesquita em Yaffo. |
| Não era Oktoberfest. |

Daninho, Daninho, a sua vida é toda Daninho!
ResponderExcluirJá estamos com saudades! Venha comer feijão!!! :)
Sem comentários sua fantasia !!!!
ResponderExcluirAhahahah! Fantasia muito boa mlk! :)
ResponderExcluirO "Astronomy for Dummies" vai ser dureza, mas o "How to brew" eu vou querer ler depois!
Aproveita aí!
Abraço!
RP
Esta roupinha....nunca me enganou...o pai deve estar sofrendo muito
ResponderExcluirEm terra de Jacob, quem manda e' o Shamash!!
ResponderExcluirA comida ai deve ser muito boa mesmo. Toda refeição recebe destaque - "excelente", "quero voltar la" etc, sem contar as fotos!! haha Abs.
ResponderExcluir