quarta-feira, 16 de março de 2011

Purim Purim

Parece que tudo aconteceu de uma só vez ! Mas não foi tão simples assim.

Após muita busca finalmente encontrei um ap. Já aluguei um quarto pelo período exato de 5 meses. O ap é colado na praia, muito perto do porto que foi revitalizado e agora é uma enorme área de lazer. Perto tem vários restaurantes e lojas. O único ponto caído é que não tem janela no meu quarto, vamos ver como lido com isso. Mas serão só 5 meses, então pela bela economia que fiz, já digo que valeu.

Fica aqui: 
http://www.google.com/maps/ms?ie=UTF8&hl=pt-BR&msa=0&msid=216040076753900798597.00049e9a3d629f1a783cc&ll=32.096754,34.774389&spn=0.005072,0.009645&z=17

Anteontem eu entrei na academia com o Leo. Pertinho da casa dele, pertinho da minha casa também. Aliás, moramos no mesmo bairro. A academia é bem mais barata que no Brasil e é bem legal. Agora tenho como pendência o visto e o plano de saúde (apesar de meu plano do cartão estar valendo).

Domingo agora é Purim, ou melhor, sábado a noite e domingo até o anoitecer. Purim vem da palavra hebraica Pur, loteria, sorteio.

Vou fazer um resumo do que é Purim. Há muitos anos atrás, na cidade Persa de Shushan havia um rei chamado Achashverosh (lê-se Á-rrás-vê-rrósh) que governava 127 estados desde a Índia até a África. Depois de uma festa de 7 dias, o rei teve a magnífica idéia de exibir sua mulher em público. 

Vasti (lê-se Vá-shti), a esposa do rei, não gostou muito da idéia e se negou a ir à exibição. O rei em outro rompante de inteligência resolveu fazer um concurso de beleza em todo o seu reino. Aparece então o nosso herói e nosso heroína.

Mordechai (lê-se Mor-de-rrái) fala para sua sobrinha Ester participar do concurso. Qual não é a surpresa quando ester leva o caneco pra casa ! Aqui se encerra a parte 1 da história. Guarde a informação que agora Ester é a escolhida do rei.

No meio tempo Mordechai presencia dois cidadãos, Bigtan e Teresh, conspirando para matar o rei. Mordechai avisa à Ester que avisa ao rei. O rei pede para que essa história seja escrita em seu diário (ou livro dos acontecimentos do rei). Parte 2 terminada. Guarde essa informação.

Surge então o carrasco da história. Haman (lê-se Rá-Mán) é o Hitler da época. Achashverosh gostava muito de seu ministro, Haman, e decretou que todos os cidadãos deveriam reverenciar Haman quando esse passasse. A reverência era curvar-se. Mas como Mordechai era judeu, e judeu algum se curva a não ser para D-us, Haman fica bem nervoso e resolve que não só Mordechai, mas todos os judeus deveriam ser mortos.

Haman resolve executar o seu plano e faz um sorteio (Pur) para escolher a data da execução dos judeus. Mordechai descobre isso e avisa Ester que ela precisa fazer algo. Ester, lembrem-se, era a escolhida do rei. Apesar de estar com medo, ela pede uma audiência com o rei (não era a única esposa, obviamente) e também convida Haman.

Nessa noite há um banquete onde todos jantam. Nessa noite o rei tem insônia e pedem para que leiam aquele diário dele. Ele relembra a história de Mordechai e pergunta o que fizeram para ele, e ele descobre que nada havia sido feito.

Como Haman estava por perto, o rei lhe pergunta o que um homem que houvesse feito algum grande serviço ao rei merecia. Haman pensando se tratar dele diz que o homem deveria ser vestido com as roupas reais e ser conduzido pelo palácio no cavalo do rei. Adivinha só ! Haman conduz Mordechai exatamente como descrito. Isso já no dia seguinte.

Na noite deste mesmo dia, Haman e o rei vão à segunda refeição na casa de Ester. Nesta refeição ela revela que é judia e que há um plano para que o seu povo seja exterminado. Pronto, aí o lance está todo enrolado, mas piora.

Haman se liga que a Ester vai revelar que é ele o mentor do plano, ele desesperado vai ao quarto de Ester implorar que ela não revele essa informação. O rei vê Haman no quarto dela, na cama e fica irado. Ester explica tudo ao rei que resolve que Haman deveria ser morto e não os judeus. Mais irônico ainda é que Haman é morto na forca que havia preparado para Mordechai.

Essa história é uma síntese da história dos judeus ao longo dos séculos. Nessa festa costumamos nos (1) fantasiar, (2) dar ajuda aos necessitados, (3) trocar presentes, (4) escutar à leitura da história nas sinagogas (Meguilát Ester), (5) comer uma refeição festiva (farta, como eu gosto!) e também (6) beber a ponto de não conseguir diferenciar uma pessoa boa de uma pessoa má. Dizem que passar em algum bairro religioso pra ver tudo isso acontecendo é uma experiência incrível ! 


Bom, dado todo esse histórico, de prático, hoje rolou uma festa irada no Ulpan. Muita gente foi fantasiada, eu fui com a minha camisa que tem um bebê (como se eu estivesse carregando), e todos assistimos a diversas apresentações feitas pelos alunos.




Algumas pessoas cantaram e tocaram violão, uma brasileira tocou A banda, outros dançaram (tinha um cara que dançava como o Michael Jackson, uma menina da minha turma fez dança do ventre) e rolou também teatro. Foi bem divertido.



O Rafa nessa semana cada dia foi vestido de alguma coisa pra escola. Domingo foi de pijama, segunda era permitido fazer qualquer coisa na cabeça, terça era roupa livre e assim por diante. Na rua você já vê muita gente se fantasiando. É muito legal viver uma festa como essa no país onde todo mundo faz. É muito legal estar inserido na cultura religiosa.

Ainda estou procurando minha fantasia e não achei nada que fosse legal e barato. Quando o traje é completo o valor chega a 250 shekalim, que segundo o Google são por volta de 120 reais. Eu não me incomodaria em pagar o preço se o tecido da fantasia fosse decente. Agora, pagar por esse pano mais fino que papel sem poder usar outra vez ainda não é minha vontade.

Todo dia de manhã eu pego o trem e vou para a estação central de Tel Aviv. Lá eu pego um ônibus, no ponto final. Eu fico estupefato como não formam fila aqui. E não é só no ônibus, em todos os lugares é igual. Uma zona, todo mundo se amontoando, não consigo entender. 

Tem também outra coisa que é conhecida do israelense, é a grosseria. O Flávio me contou que outro dia encontrou com um conhecido que mora em outra cidade aqui num final de semana e perguntou na maior inocência: 

- Oi, tudo bom! O que você faz por aqui? 
E o camarada responde: 
-Porque, é proibido?

E ainda outro diálogo incrível que vimos ontem no mercado. Várias pessoas com compras e apenas 2 caixas abertos. Uma mulher de um caixa estava sentado num 3 posto mas não estava com o caixa aberto. Uma senhora se aproxima e pergunta:

-Será que você poderia abrir outro caixa.
E a caixa responde:
-Porque você está pedindo pra mim?

São apenas exemplos de que o que rola aqui não é assertividade e sim falta de educação. Ainda bem que ainda não tive nenhum episódio desses. 

Outra coisa que me chamou atenção aqui é que vários carros tem uma fitinha no retrovisor. Eu me informou sobre o que se tratava e é uma fita em apoio a Gilad Shalit, o soldado israelense que foi capturado e é refém do Hamas na faixa de Gaza desde 2006. A vida israelense é permeada por exército e conflitos. Não é fácil separar tudo.

Inclusive, no sábado passado aconteceu um massacre na cidade de Itamar (pronúncia igual, mas escrita diferente: איתמר). Ainda não se sabe se um ou dois palestinos invadiram uma casa numa região de disputa territorial, e esfaquearam 5 membros de uma família. Os pais e 3 crianças de 11 anos, 3 anos e um bebê. Outros 3 filhos escaparam do massacre indo para uma casa vizinha, eles tinha 12, 6 e 3 anos.

As circunstâncias me espantaram. Estavam dormindo e ainda foram mortas 3 crianças. Infelizmente atos como esse não ajudam no processo de paz. Só faz o ódio do outro lado recrudescer. Não é esse o caminho, nem pra lá, nem pra cá.

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