terça-feira, 5 de julho de 2011

Layla Lavan e mais

Em 2003 Tel Aviv ganhou da Unesco o prêmio de Patrimônio Universal. O prêmio foi dado à Tel Aviv, também chamada de Cidade Branca, por suas inúmeras intervenções arquitetônicas no estilo Bauhaus (são mais de 4.000). Segundo a Wikipedia, o estilo favorecia construções funcionais, de custo reduzido e voltado para a construção em massa, mas não se restringindo a isso.

Obviamente o pessoal que aprendeu nessa escola, localizada na Alemanha, quando veio para Israel teve de adaptar o estilo ao material local e às condições peculiares do país, como clima, quantidade de luz e outros aspectos.

Uma das mudanças mais características foi a utilização da cor branca, devido ao clima local, e que passou a denominar a cidade. 

Em hebraico, a expressão para "passar a noite em claro" é na tradução literal "noite branca". É por isso, que em 2003 ao ganhar o prêmio, e utilizando-se do trocadilho, decidiu-se por fazer um festival de artes em que toda a cidade funcionasse.

O sucesso foi tão grande que desde então a cidade tem anualmente a Noite Branca (Layla Lavan). Eu tive a sorte de estar aqui para participar desta noite. Foi realmente algo bem diferente que eu nunca tinha visto. Como Tel Aviv não é tão grande, é fácil deslocar-se pela cidade e ver tudo o que acontece nela. 

Concerto de Jazz na Layla Lavan, rua Ben Gurion.
Começamos a noite perto do porto e fomos andando pela Dizengoff até chegar a Rotschild. No caminho vimos inúmeros bares abertos com pessoas, bandas de jazz, rock e outros ritmos, artistas expondo seus trabalhos na rua, pessoas caminhando para todos os lados, ônibus lotados e muito mais.

Escutei a uma banda cover dos Beatles bem legal, e eles ainda tocavam algumas músicas em versões em hebraico. Vou ter de procurar isso mais a fundo. 

Muita gente por todos os lados.

Agora, sem dúvida, a coisa que mais me chamou atenção foi uma festa na rua, onde as pessoas dançavam ao som de fones de ouvido! Ver um monte de gente dançando sem escutar música é algo diferente. Mas o mais legal mesmo é que dá pra saber o que eles estão escutando, já que quando a música é boa, todo mundo canta em voz alta!

Esse pessoal não estava tão animado, mas aqui fica nítida a utilização dos fones.

Diversos artistas também se apresentavam nessa rua, até pessoas que aparentemente não faziam parte da programação, armaram seus instrumentos e tocaram.

Diversos restaurantes também estavam abertos e pudemos ir comendo e bebendo pela rua, conversando e passeando. Foi uma noite interessante.

Seguimos essa banda que era composta somente por metais. Eles estavam caminhando pela Allenby.

No dia seguinte fui a uma festa numa praia em Hertzlia. Festa em praia é bem legal, ainda mais em praias que não são tão próximas às cidades. No Brasil estive em algumas, mas quando paro pra pensar, não estive em tantas tendo em vista a costa que temos. Não pude deixar de lembrar de uma viagem para a Ilha do Mel na qual as festas eram em bares na praia.

Voltamos pra casa e cheguei por volta de 5hs. Duro foi acordar no dia seguinte às 7:00 para fazer um passeio pelo norte. Mas não tem problema, dá sempre pra dormir depois. O Maurício passou aqui em casa às 7:40 e fomos para o norte, para um lugar chamado Serufim, perto de Haifa.

Caverna em Serufim, na reserva do Monte Carmel.

O sol estava pegando, começamos a trilha e depois de pouco mais de uma hora nos demos conta que havíamos passado do ponto de interesse que era uma caverna local. Consultamos o Marcelo pelo celular e confirmamos nossa suspeita. Voltamos para ver a caverna.

Mineiro?

Ela era bem grande e lotada de morcegos, que ficavam na segunda sala. Foi novamente uma ótima oportunidade para usar minha lanterna de cabeça. Já foram duas vezes, fico satisfeito de não ter jogado tanta grana no lixo. Curioso era o brilho dos olhos do morcego quando a luz batia neles. 

Equipamente para triturar pedra. Essa reserva era uma antiga pedreira.
Os olhos ficavam vermelhos e eles se agitavam mais. Dava para ouvir claramente o barulho deles e também o som deles se movimentando para lugares mais escuros. Depois da caverna seguimos na direção da entrada.

Desse passeio fomos à praia em Haifa. Os salva-vidas em Israel tem uma vida muito mansa. Há uma discrepância forte do salário deles com outras profissões. Ele não trabalham o ano todo e ditam várias regras nas praias. Nessa por exemplo, o mar inteiro estava proibido para o mergulho, exceto a parte em frente à barraca deles. 

A construção lembrava um pouco o oeste norte-americano.
O mar não estava nem um pouco perigoso e isso é reflexo da preguiça deles. Incrível como pode haver este tipo de classe também aqui. O passeio ainda não havia terminado e da praia fomos para um restaurante de carne.

Estilo cowboy, o chão era todo de madeira, já no chão dava pra ver muita casca de amendoim. Eles recomendam que as cascas sejam jogadas no piso mesmo. Comemos chorizo, entrecote e outra carne. Acompanhando salada e fritas. De curioso tivemos a entrada de vegetais em conserva e pitta. Achei a entrada em total falta de sintonia com o que comemos.

Restaurante O vaqueiro.

Detalhe das cascas de amendoim no chão.
Na volta ainda pegamos um acidente pela estrada, o que nos atrasou em no mínimo 30 minutos a chegada.

Domingo rolou o jogo do Brasil. Vou ao bar aqui do lado de casa assistir à partida, entro no bar, e logo de cara vejo três primos meus do Brasil que estão de viagem por Israel! E o pior é que não me avisaram... Mas sempre é assim, quando alguém não quer encontrar contigo, você encontra com esse alguém ! he he he !

Leandro, Renata, eu e Amanda.
Na terça fui almoçar com o Gabriel. Ele estudou comigo no segundo grau e na faculdade. Está morando aqui tem 4 anos e foi ótimo conversar com ele para pegar as impressões dele sobre a vida aqui. Ele, como o José, mora em Haifa e gosta bastante da qualidade de vida que tem.

Uma das coisas mais impressionantes da nossa conversa foi o fato de ele considerar Tel Aviv um mundo aparte em Israel, mesmo tendo vindo de uma cidade grande. Isso é algo que no mínimo deve ser levado em consideração para pensar. Não há bom ou ruim, mas é uma informação nova vinda de uma pessoa que tem as mesmas raízes que eu tenho.

Gabriel e eu no restaurante.

Uma das principais ruas ao norte de Tel Aviv, Ben Yehuda, pouco movimentada de manhã.

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