Como minha estadia está no fim, comecei a fazer algumas viagens bem legais. Na segunda de manhã saí de trem de Tel Aviv e após uma hora e meia cheguei à Akko (traduzido para Acre em diversos idiomas).
A cidade tem 4.000 anos de história e um capítulo muito importante da história recente de Israel aconteceu lá.
A cidade sempre teve vocação para ser um porto seguro. Sua história começa com a história da civilização, teve presença Cananita, Fenícia, Hebréia, Grega, Romana, Árabe, dos Cruzados, Otomana, Britânica até fazer parte do Estado de Israel. É uma longa e rica história
Porém, um dos episódios recentes que mais chamou atenção ocorreu durante o mandato britânico. Durante este período, diversos grupos lutavam, de maneira distinta, pela independência. Os ingleses iam combatendo como podiam e prendiam diversas pessoas.
Dois grupos de cunho militar, o Irgun Tzva Leumi (Etzel - Organização Militar Nacional) e o Lohamei Heirut Israel (Lehi - Lutadores pela liberdade de Israel) tinham diversos soldados de suas fileiras detidos. Para tentar coibir os contínuos ataques realizados por estes grupos, a Inglaterra começou a divulgar que enforcaria os revoltosos, começando pelos que encontravam-se presos na prisão de Akko.
O Irgun achava isso um acinte, já que, segundo eles, os ingleses estavam em terra estrangeira matando seus cidadãos.
Por isso eles organizaram uma arrojada operação para invadir a prisão de Akko e resgatar os presos que lá estavam. Nessa época Menachem Begin era o líder da organização e autorizou a operação. O Irgun conseguiu invadir a prisão e resgatar vários prisioneiros. Alguns morreram na ação, outros que invadiram a prisão também morreram na ação.
Porém essa operação teve um impacto fortíssimo no prestígio inglês. Foi anunciada no mundo inteiro e mostrou que os judeus não estavam dispostos a abrir mão da auto-soberania. Muitos afirmam que essa ação foi uma das que mostrou aos ingleses que eles não tinham controle da situação e tinham de negociar.
Dois grupos de cunho militar, o Irgun Tzva Leumi (Etzel - Organização Militar Nacional) e o Lohamei Heirut Israel (Lehi - Lutadores pela liberdade de Israel) tinham diversos soldados de suas fileiras detidos. Para tentar coibir os contínuos ataques realizados por estes grupos, a Inglaterra começou a divulgar que enforcaria os revoltosos, começando pelos que encontravam-se presos na prisão de Akko.
O Irgun achava isso um acinte, já que, segundo eles, os ingleses estavam em terra estrangeira matando seus cidadãos.
Por isso eles organizaram uma arrojada operação para invadir a prisão de Akko e resgatar os presos que lá estavam. Nessa época Menachem Begin era o líder da organização e autorizou a operação. O Irgun conseguiu invadir a prisão e resgatar vários prisioneiros. Alguns morreram na ação, outros que invadiram a prisão também morreram na ação.
Porém essa operação teve um impacto fortíssimo no prestígio inglês. Foi anunciada no mundo inteiro e mostrou que os judeus não estavam dispostos a abrir mão da auto-soberania. Muitos afirmam que essa ação foi uma das que mostrou aos ingleses que eles não tinham controle da situação e tinham de negociar.
| A forca utilizada pelos ingleses com o nome dos soldados judeus assassinados por eles. |
Depois de visitar a prisão, fui visitar uma escavação incrível de um complexo do tempo dos cruzados, chamada de cidadela. Diferentemente de ruínas, há muita coisa bem conservada nesse complexo, inclusive com o teto, o que é raro nestes casos. Visitei diversos salões enormes e fiquei impressionado com o tamanho das construções e a altura delas.
| Salão utilizado para banquetes pelos cruzados. |
| Trabalho de escavação sendo realizado dentro do complexo. |
Depois de conhecer esse complexo fui visitar o shuk (feira) árabe. Como sempre, diversos temperos, pães, alimentos e tecidos. Comi num dos mais famosos restaurantes do país, chamado Said. Eles servem hummus, objeto de disputa nacional em busca do reconhecimento como melhor do país.
O meu prato veio com dois tipos de hummus, um cremoso como de costume e outro com pedaços de grão-de-bico.Achei bom, mas ainda prefiri o de Abu Gosh, perto de Jerusalém. Muita gente diz que o melhor hummus é o de Akko, mas enfim, para decidir só provando os dois.
| Hummus de Akko, na esquerda o hummus com grão-de-bico em pedaços. Na direita o tradicional. |
| Visão do restaurante. Nem sempre as pessoas que sentam na mesma mesa se conhecem. |
Depois do almoço passeei pela região do porto, vi uma construção usada como mercado para exposição e venda de produtos, que tinha um grande relógio em cima, chamada de Khan el Umdan. Perto dali visitei uma pequena sinagoga também.
| Pátio interno da construção utilizada para realizar os negócios com mercadorias provenientes de diversos locais do mundo. |
Voltei para o início e visitei uma mesquita, chamada Al Jazzar. Achei muito bonita a mesquita, e me chamou a atenção que dentro dela não havia quase nenhum móvel. Bem diferente de uma sinagoga ou uma igreja. Eu vejo muito azul em mesquitas, não sei se há alguma simbologia nisso. Lembro também que na Hungria eu tinha visto uma sinagoga com o mesmo tom de azul, que achei bem bonito.
Consegui ainda ter tempo de ver o banho turco. Gostei do que fizeram aqui, uma espécie de apresentação na qual você entra, vê um filme e segue para os outros salões do complexo para ver como funcionava o banho turco em outros tempos.
O meu planejamento era dormir em Haifa na casa do José nesse dia e no dia seguinte alugar um carro e seguir para Tzfat. Ao longo do dia tanto o Josh quanto o Yehuda me mandaram mensagens querendo verificar a possibiidade de dormir na casa do José para fazer o passeio no dia seguinte.
Eu já havia pedido para o Yehuda dormir na casa do José, mas o fiz um pouco reticente, já que conheço pouco o Yehuda. Mas o fiz e o José concordou. Porém, logo depois, o Josh me pediu o mesmo, e aí fiquei completamente sem graça de pedir isso.
Quando fui encontrar com o José no shopping, o Josh me ligou e tentamos achar algum albergue, ele perguntou se o José conhecia algum e no final da conversa, o José o convidou para dormir lá também.
O José tem um coração enorme ! Nos recebeu em sua casa, fez café pra gente, ajeitou lugar para todo mundo dormir. Incrível. E o outro roomate dele também foi muito legal nos acolhendo, emprestando colchão. Fica aqui o meu agradecimento ao José e à sua hospitalidade.
Como o Gabriel mora também em Haifa, combinei de jantar com ele. Fomos o José, o Yehuda e eu para o jantar. Ficamos de papo por um bom tempo e o encontro serviu para apresentar o José ao Gabriel. Ambos estudaram a mesma coisa na faculdade (eu também!) e moram na mesma cidade. É sempre bom introduzir amigos, se você é amigo de duas partes existe uma boa chance de elas se darem bem, apesar de isso não ser uma regra.
Depois do jantar fomos buscar o Josh na estação de trem, demos uma volta pelo calçadão, tomamos uma cerveja num bar e fomos para casa ver como iríamos dormir. Conseguimos arrumar espaço e lugar para todos na sala. Dormimos muito bem, com ar-condicionado. No dia seguinte alugamos um carro e pegamos a estrada para Tzfat.
Acabamos nos atrasando um pouco, e entre acordar, pegar o carro e cair na estrada, só conseguimos iniciar a viagem por volta de 12:00. O trajeto correu bem, viajar pelo norte é bem legal porque há muito verde, bem diferente, por exemplo, do que é o sul desértico.
Chegamos por volta de 13:00 em Tzfat e dentro da cidade demos diversas voltas até de fato encontrar o ponto de interesse. Começamos visitando o topo de uma montanha na qual os cruzados (novamente eles) construíram um forte. Já não havia resquício de forte algum.
| Viela em Tzfat. |
Seguimos então para a cidade velha. Estacionamos o carro e seguims andando pelas vielas da cidade antiga. Passei por diversos locais que eu tinha a impressão de já ter estado antes. A cidade é conhecida por ser abrigo do judaísmo místico, a Kabala, e o sentimento parece se espalhar por você ao chegar na cidade. É inevitável. As lendas sobre grandes rabinos, diversas sinagogas e diversos locais ajudam a criar uma aura na cidade.
Eu confesso que me senti muito bem na cidade. Caminhamos por diversas ruas estreitas, vielas, vimos casas antigas e outras novas, não seguindo padrão algum de construção. No caminho para a colônia dos artistas, que é uma região em que muitos artistas se estabeleceram, passamos por uma sinagoga lindíssima chamada HaAri.
| Sinagoga HaAri, atrás, o HAron HaKodesh, local onde ficam os rolos de Torah. |
Eu lembro muito bem dessa sinagoga, que visitei quando tinha 16 anos. É incrível como nossa memória não se esquece destas coisas. Eu havia me sentido muito feliz naquela ocasião e novamente me senti assim desta vez. Talvez por recordar daquela época e daquele sentimento que tive na época. Gostei muito do que senti.
De lá fomos comer uma espécie de sanduíche Iemenita. O sanduíche era feito com uma massa espessa de panqueca, no qual eram colocados diversos ingredientes em cima, tais como cogumelos, queijo de cabra, queijo de vaca e vegetais. Depois eles enrolavam a massa e faziam o tal sanduíche.
Bem perto dali, visitamos uma loja que vende divesos tipos de velas. É incrível o que eles fazem com cera, para demonstrar a habilidade, diversas esculturas estavam expostas. A loja, além de tudo, tinha um ar-condicionado incrível. Foi uma bela parada.
A principal rua da colônia dos artistas tem vários ateliês. Vi desde pinturas até uma fábrica de Talit (uma vestimenta que se usa nos serviços religiosos). Eu adoro estas pinturas e desenhos de temática religiosa, pena que não são tão baratos. Se ao menos fosse como os de Paris, feitos à mão pelos chineses!
Seguimos nosso roteiro e fomos visitar Rosh Pina, um vilarejo perto de Tzfat que virou um pólo gastronômico. Não comemos em nenhum lugar, mas visitamos. Lá escutamos, num mirante, a história de um soldado israelense que foi morto na última guerra do Líbano, já pai de crianças e com 29 anos. Todo lugar em Israel vemos algo assim.
De Rosh Pina voltamos para Haifa para devolver o carro e pegar o trem para Tel Aviv. Viagem tranquila de volta. Aproveitamos o fim do dia e ainda conseguimos ir sair a noite. No caminho para o lugar para onde íamos, passamos pela Av. Rotschild, a mesma na qual rolou grande parte das atividades da Laila Lavan.
Só que dessa vez vimos muita gente reunida por outro motivo. Os protestos contra os preços dos aluguéis e imóveis continuam, e muita gente ainda estava acampada na praça. O número de barracas era enorme, espalhadas ao longo de toda a avenida. Muitas atividades estavam rolando: pessoas tocando violão, com aplificadores para um grupo de pessoas, outros praticavam Yoga, outros jogavam cartas.
O acampamento estava muito movimentado. Semana passada, num programa de humor que eu assisto pela internet, os atores fizeram uma esquete justamente brincando com o fato de muita gente estar lá apenas para tocar música com os amigos, ficar de farra. Eu na hora que vi o pessoal com o violão comecei a lembrar desse episódio do programa.
Em toda a minha vida no Brasil, a única coisa que eu me lembro de ver na qual as pessoas protestavam dessa maneira, foi quando alguns estudantes acamparam na reitoria da UFRJ. Agora, era um movimento estudantil localizado contra o reitor. Protesto dessa magnitude e espalhado por todo o país ainda não tinha visto.
Ainda tenho uma lista de lugares para visitar e pretendo fazer estas viagens já durante a semana. Vamos ver como armo o calendário.

Levitan, tudo muito bonito... mas o melhor hummus e falafel é do meu pai! rs
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